sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

REFLEXÕES, escrita e publicada 1989 no jornal A RAZÃO

Tentar imaginar cores ainda não conhecidas pelos olhos humanos é um pouco difícil. Suas tonalidades e variações também são.

Tentar imaginar outras sensações além das que o ser humano pode sentir é tentar romper com o nosso limite de conhecimento.

São milhares os conhecimentos que adquire o espírito que parte para sua evolução no Astral Superior. Então é lógico afirmar que o espírito encarnado tem seus conhecimentos limitados às suas necessidades.

Maravilho-me ao saber que diáfanas e tranquilas são as cores em forma de luzes, do Astral Superior, do qual participarei quando não mais precisar reencarnar.

Maravilho-me por poder informar aos meus semelhantes a beleza que é saber viver com a consciência dos "por quês" da vida e seu objetivo maior que é a evolução.
Tranquilizo-me porque estou cônscio dos meus deveres. Não sei dizer se estou cumprindo com os deveres que planejei, mas afirmo que estou conduzindo minha vida o mais racional possível; e a certeza absoluta só terei quando atingir o mundo de vibração espiritual ao qual pertenço.

Saber pensar não é difícil, embora algumas vezes uma ajuda vem muito a calhar. Saber pensar é saber viver.
E saber viver é saber pensar bem. Pensar mal é acarretar uma vida atormentada, cheia de empecilhos, doenças e débitos para futuras encarnações. Tudo em consequência do mal uso do pensamento.

É importante se questionar em todos os aspéctos. É importante questionar todos os atos e acontecimentos do dia a dia. É através desse questionamento que o indivíduo encontra coisas novas e até mesmo as causas de muitos fracassos em sua vida. É através desse questionamento que se sente falta de algo mais. E esse algo mais só se descobre pesquisando a vida.

O indivíduo que conhece sua composição básica (Força e Matéria) deve ser muito feliz, suponho, pois assim me sinto.

Quem tem este conhecimento fundamental tem quase tudo para se conduzir na difícil tarefa de reparar seus erros. Em síntese, os erros deixam de ser difíceis de reparar por saber como corrigir e o sofrimento se torna uma simples gota de fel.
Podendo ver e ouvir além dos olhos e ouvidos humanos, vendo luzes de ambos os astrais, me fica claro aonde encontrarei meu caminho. Fico feliz podendo dintinguir tão nitidamente como se pudesse tocar e sentir suas texturas diferentes.

O mundo dos sonhos é aqui nesta escola denominada de planeta Terra. Aqui se encontra a faculdade da vida. Aqui é o lugar onde todos se (in)formarão sobre a vida e sua tarefa como espírito encarnado que está sempre contribuindo com a Força Criadora, da qual faz parte, para atingir o clímax da evolução que é a perfeição.

E então estará cumprida a missão.

domingo, 12 de janeiro de 2014

DANÇA ESPANHOLA ou FLAMENCO? Meu início na dança... a partir de 1984. Minha carreira contada.

Ainda é muito comum a desinformação sobre a “Dança Espanhola”. Muita gente imagina a dançarina estereotipada que carrega de uma só vez, o leque, a castanhola, o xale pequeno, a rosa vermelha, o sapateado, peine imitando casco de tartaruga ou madrepérola branca e mantilha no jargão do preto e vermelho ou, mais estilizado... preto forrado com renda vermelha ou vice verso.

No início dos anos 80, quando comecei a aprender dança, comecei com a conhecida Dança Espanhola daquela época por me inspirar naquilo que vi e gostei com Rita Hayworth no filme “Os amores de Carmen”. Paso Doble, Sevilhana, Rumba e Malaguenha... eram estas as danças que se ensinava naquela época no Estudio Solentiname em Niterói. Danças onde o traje era a típica espanhola de preto e vermelho, com sua saia cheia de babados, com uma rosa vermelha na cabeça, xale de franjas curtas no decote, o pente grande (peine) e mantilha e os homens vestidos com calça alta do tipo toureiro e um spencer bordado com lantejoulas e pedrarias. Assim comecei o que seria a Dança Espanhola aqui no Rio de Janeiro.



Bulerías de 1948 e uma Zambra com castanholas... com Rita Hayworth


Pelo que me lembro, na realidade nenhum de nós tinha sequer a noção do que deveria ser a dança na Espanha a não ser pelas estilizações trazidas pelo Ballet Clássico e pela então Clotilde Ferreira Gomes; uma índia goitacás que viajava para Espanha e trazia coreografias espanholas entre flamencos e regionais anotadas num caderninho;assim me contavam algumas pessoas. Ela foi a diretora e fundadora do Ballet Hispano Brasileiro de onde vários artistas de hoje se encontram no mercado Flamenco. D. Clotilde ensinava as coreografias observando seu caderninho de anotações que trazia de lá do exterior. Deste grupo vieram Sonia CastriotoSimone Abrantes, hoje na Alemanha, Roberto Silva y Silva, Thereza Canário Máximo, a guitarrista Mara Lúcia Ribeiro, Carmen del Rio, Túlio Cortez, Arnaldo Triana, Robinson Gambarra e tantos outros.

Lydia Costallat
Mas na mesma época em que D. Clotilde ensinava suas danças espanholas, já havia chegado ao Brasil alguém que inseriu a Dança Espanhola no currículo da que hoje é conhecida como Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, a francesa Lydia Costallat.

Aproveito a oportunidade por ter recebido de Niffer Cortez, uma artista importante da época, que me deu mais informações sobre a dança Flamenca aqui no Rio de Janeiro. Niffer diz que D. Clotilde foi quem começou a dança espanhola na Casa d'España daqui trazendo as danças como conhecíamos. Nesta época, além de Niffer Cortez, haviam outras bailarinas de destaque como Eula Rios e Dina Flores.

Também, com informações de Niffer, o Flamenco toma novos horizontes com a chegada de Luiz Bermudes e Antonio de Córdoba que vieram do México. E aí sim, Mabel e Alberto fizeram o divisor de águas da dança espanhola no Rio de Janeiro.

Destes grupos uma nova formação foi feita e surgiu um grupo que se voltou mais para o Flamenco propriamente dito por causa de cursos feito com Ciro de Madrid, o pai, e por influência direta dos filmes de Carlos Saura e Antonio Gades. Surge o Alumbre Flamenco sob direção da bailarina Sonia Castrioto e do marido Eduardo Malot, além de sua irmã Soraia Castrioto, Thereza Canário, Mara Lúcia (Marita para o grupo) e sempre como convidada a cantora de jazz Julia Remundir que dava um ar meio Billie Holliday ao Alumbre Flamenco. O grupo se dedicava aos bailes mais típicos do tablado flamenco e usava e abusava das estamparias florais e das lunares (bolas) como nenhum outro grupo já havia feito: Siguiriyas, Martinete, Tanguillos, Tientos, Tangos , Soleá, Caña, Bulerías, Zorongo, Farruca, Sevillanas, Fandangos de Huelva e Rumbas.
Sonia Castrioto


Mabel Martín e Alberto Turina
Alguns anos depois, chegam ao RJ os bailarinos argentinos Mabel Martín e Alberto Turina que se instalaram numa academia em Botafogo e depois seguiram e fundaram a Escuela de Danza Española da Casa d’Espanha do Rio de Janeiro. Eles trouxeram os esclarecimentos sobre as Danças na Espanha, suas divisões e assim se elucida sobre as Danças Espanholas. Deles vieram gente como Victória Nuñez, Lucia Caruso, o guitarrista Fábio Nin e o bailaor Rodrigo García e Diego Zarcón.


Não muito distante e em paralelo na mesma época, chega ao Rio de Janeiro Theo Dantes, um sul africano com sua representatividade na época da Spanish Dance Socite ou a Sociedad de Baile Español como era conhecida aqui. Ele foi contratado por Dalal Ashcar e também trazia na bagagem uma gama extensa de danças espanholas das quais se destacaram as bailarinas Alessandra Baiocchi e Suzane Travassos, fundadoras do Grupo Raga. De Theo Dantes veio Eliane Carvalho que seguiu seus estudos com a chegada de mais uma flamenca, a bailaora argentina Vera Alejandra que gerou novos dançarinos também. O Flamenco se instruía, crescia e se renovava com estes nomes: Mabel Martín, Alberto Turina e Theo Dantes com um trabalho mais conservador; Sonia Castrioto e Vera Alejandra com inovações já em fins dos 80 e início dos anos 90.


Vera Alejandra
Muitos foram os outros que vieram como dissidentes destes artistas, inclusive eu que tenho como base os estudos com Mabel Martín, Alberto Turina, Theo Dantes e Sonia Castrioto. Desde os anos 90 até os dias de hoje o Flamenco vem se renovando com idas e vindas de artistas daqui e de lá.

O interessante é como fomos tão desinformados sobre a verdadeira Dança Espanhola e suas vertentes por conta do difícil acesso as informações. Para nós, qualquer Fita Cassete, LP ou filme em VHS, mesmo que fossem a cópia da cópia, era lucro, pois era o que de mais próximo que conseguíamos da Espanha e do Flamenco. Alguns amigos viajavam e traziam estes materiais para nosso deleite e que copiávamos uns para os outros.


Com estes estudos ficou claro que a Dança Espanhola que deveríamos aprender são as danças REGIONAIS da Espanha. Danças como Lagarteranas, Jotas, Muiñeiras, Seguidillas, Sardanas, Mateixas, Fandangos, Jarchas Mozárabes e Boleros. O Paso Doble é uma invenção das academias de dança, pois é um gênero musical que serve apenas para alegrar as touradas; e quando eram dançadas tinham uma espécie de roteiro para desenvolver a coreografia que envolvia pelo menos um casal de dançarinos. Ele representando o “varón” que seduzia a “maja” (dama) com passos de touradas. E a dama, apenas aceitava o cortejo e dançava em torno dele. E para finalizar, uma pose típica de postais espanhóis que se chama “bien parado” ou “bonita pose”. Inclusive os figurinos de cada estilo folclórico que são bem distintos e longe da realidade do preto e vermelho que aprendi no passado.

O que colhi nestes anos todos foram várias apresentações em grupos daqui do RJ como o Alumbre Flamenco, Ballet Hispano Brasileiro, Levante Flamenco, Flamenco Vivo, Grupo Raga, Mio Vacite e Encanto Cigano, Essencias Flamencas e várias participações nos tablados daqui como o Noche Flamenca e Alma Flamenca. Inclusive trabalhei para a grande Dalal Aschar em sua escola na Gávea e fui Coordenador de Dança Espanhola no polo da Zona Norte, em Madureira durante 7 anos. E por indicação de Theo Dantes, na e´poca representante da Sociedad de Baile Español aqui na América Latina, fui seu substituto e professor na Escola Estadual de Danças Maria Olenewa; vinculada ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro.



Assinei figurinos dos mais variados estilos e de solistas como Gustavo Cancela e Sara "La Mora", além dos nacionais Sonia Castrito, Soraia Castrioto, Simone Abrantes, Angela Viegas, Rodrigo Garcia, Suzane Travassos e Alessandra Baiochi, Natércia Loureiro, Vera Alejandra, Cristina de Toledo, Marilyn Mafra, Suraya Helayel, Adriana Rodrigues, Kalin Morgana e sua Cia de Danças Ciganas, Denise Tenório, Elizabeth Turetta, Carlos Máximo, Emília Gregório, Paula Segadas, Gisele Ferreira, Isabel Rios e outros, além de vários trabalhos para Escola de Dança Myriam Camargo, Academia Teresa Petsold, Ballet Claudia Araujo, Ballet Helfani e Jânia, Luna Llena Danças, Escola de Dança Fernando Brasil, Nitdan Dança Contemporânea, Espaço Cultural Aldebaran, In Cena Cia de Dança e outras mais.



30 anos dedicados ao Flamenco e Danças afins...



O mais recente foi o de integrar a Comissão Artística do Sindicato dos Profissionais da Dança do Rio de Janeiro no meu setor por mais de 10 anos, inclusive na gestão atual até agosto de 2013. O SPDRJ é o único no Brasil que possui uma banca especializada para cada setor da dança nas avaliações a candidatos ao Registro Profissional e na avaliação de currículos.

Muita história pra contar nas classes e cursos... conheci muitos artistas, conheci e aprendi a respeitar a cultura cigana e os verdadeiros ciganos que conheci entre rom e calon...

Apenas preciso agradecer ao Tempo, ao Destino, as escolhas que fiz, aos erros que me levaram aos acertos mais tarde, aos grandes mestres da dança que participaram e ainda participam de minha vida, aos colegas que tive e que ainda tenho nestes anos todos de danças pelo Rio de Janeiro e Brasil afora. São 30 anos que não cabem aqui, mas que deixo aqui pequenos registros destes anos.

Abaixo seguem algumas Danças Espanholas que não são ensinadas como folclore aqui no Rio de Janeiro e que todos deveriam, ao menos, saberem da sua existência:
LAGARTERANA


JOTA


MUIÑEIRA


SEGUIDILLA


SARDANA


MATEIXA


BOLERO DE MALLORCA


FANDANGOS


PASODOBLE imortalizado no filme "Bodas de Sangre", de Carlos Saura


Hoje em dia existe mais uma escola que lá chamam de Clasico Español. Nada a ver com o Ballet Clássico que conhecemos, pois a Escuela Bolera faz esta parte. O Clássico Espanhol é onde caberia hoje o Paso Doble, as Malagueñas e a Granada estilizadas com castanholas, leques, mantilhas bem naquele propósito do preto e vermelho como imaginávamos que fosse o Flamenco naquela época.



Segundo a Escuela de Danza Marta de la Vega, é um estilo onde se pode mesclar as outras escolas onde se faz necessário o DOMÍNIO de cada uma delas para não cair no estilismo mal feito; onde apenas se vê uma roupa espanholada com uma dança com trejeitos fora da realidade da dança espanhola. São elas a Escuela Bolera, Danza Regional (ou Folclórica) e o Flamenco.

Enfim, já existe então uma definição do que realmente seja a Dança Espanhola e está disponível para conhecimento em poucas escolas e academias do Brasil, mas de fartura na Espanha nos conservatórios de dança e academias populares de cada região para quem curte além do Flamenco.

NUEVO BALLET ESPAÑOL