domingo, 4 de abril de 2021

Partidas..."Graças a Deus!"

 "Graças a Deus!" Ao menos foi o que pensei quando neste dia 03 de abril escutei sua neta me dar por telefone a triste notícia da partida de minha vizinha de 89 anos, D. Esmeralda.

Foi exatamente o que fiz porque a prometi quando ela se fosse. E hoje, dia 04, um domingo de páscoa neste 2021, me perco na razão de comemorar essa Páscoa ou apenas comer chocolates por conta da ocasião ou mesmo algum quitute que ela sempre reservou pra mim nas datas festivas.

Quando me mudei pra esta vila há uns 8 anos, eu não conhecia ninguém e não falava com nenhum dos 4 vizinhos aqui. D. Esmeralda faz porta comigo e é impossível não nos esbarrar. No início era através da minha senhoria que pedia alguma coisa pra ela até que ela mesma tentou aproximação com um simples "bom dia, quer um cafezinho?" E eu educadamente neguei por não ter ainda a intimidade... "agradeço, mas não quero!"

E foi assim que deixei nela a primeira impressão de um vizinho seco, que talvez fosse difícil conviver. O tempo foi passando e, como sempre faço, tentei a política da boa vizinhança e com ela acabei me aproximando. Esmeralda passou a ser aquela avó postiça; a avó que nunca tive.

"Senhora" pra cá e pra lá, um dia ela me disse "Sou velha, mas não me chame de senhora. Posso ser sua avó..." 

Uma vizinha como nunca tive que me abriu as portas sem nenhuma restrição, me tratou como neto e com quem me abri muitas vezes recebendo conselhos de uma anciã com muitas vivências, muitas dicas e história de seu tempo de jovem, sua família e a triste história da perda do marido e filhos em tão pouco tempo; história essa que passei a escutar quase todos os dias neste tempo que aqui estou.  Mas sempre levei alegria, humor e muitas vezes ouvia o que tinha para contar de suas angústias, sua difícil aceitação das partidas e de sua vida triste por causa disso. Passei a me abrir com ela e contar alguns relatos e Esmeralda passou a ser aquela avó presente que não pude ter.

Passou a zelar por mim querendo sempre saber se estava bem, alimentado, preocupada com meu trabalho e saúde... coisa típica de avó que ama os netos. Conheci sua família e me aproximei muito de sua neta Karla que dava a ela todas as atenções assim como outros parentes.

Muitas vezes ela vinha com um cafezinho na janela enquanto eu trabalhava na costura. Outras vezes chegou a dividir sua comida porque me via trabalhando tanto que não tinha tempo para cozinhar. Uma verdadeira e grande avó...

E acabei sendo o neto postiço, mais presente por estar vivendo do lado dela e ser aquele "faz tudo" quando ela já não podia. Mas um faz tudo de tudo! Algo que tive o prazer de fazer por ela... Por essa proximidade entre nós cheguei a despertar ciúmes em uma vizinha daqui que nunca compreendeu esse laço entre nós. Coisas da vida... talvez coisas de outras vidas...

Falei muita besteira pra ela, pedia opinião nas fantasias que, às vezes e até para me agradar sempre dizia que estava linda (risos). Mas aprendi a reconhecer nela quando algo lhe desagradava.

 "Ricardo, quando eu morrer você vai no meu funeral chorar por mim? Você tem que ir porque agora você é meu neto!"

Na verdade eu disse que se eu fosse, iria de roupa bem colorida  e ainda ia contar bobagens pros parentes e falar "graças a Deus ela se foi" porque era o que mais ela queria. Disse que me vestiria de dourado ou mesmo colocaria uma de minhas fantasias e que chocaria a família por conta do momento, mas para demonstrar a eles o quanto eu era feliz com ela aqui, o quanto a fazia se divertir comigo e o quanto a amava. Não queria que seus dias fossem tristes com as lembranças que me relatava...

E assim eu fiz. Karla me deu a notícia, tampei o celular e falei "graças a Deus você se foi!" e voltei a conversar com a neta.

Reviver mais uma partida em apenas 13 dias está sendo duro... para os outros eu não sou parente, mas pra mim ela foi minha avó. Aquela avó que não pude ter em outras fases da minha vida...

Esmeralda Moscoso da Costa iria completar seus 90 anos agora no próximo dia 10 deste mês. Minha melhor vizinha, uma de minhas melhores amigas e a avó que eu amei nesse tempo todo. Uma mulher com vida intensa, de muitas experiências fortes, densas e outras muito intensas e felizes, alguém que me doeria quando eu saísse da vila porque me sentiria na obrigação de neto a ter que manter o contato, visitá-la quando possível e continuar ser seu "faz tudo" sempre que precisasse, alguém que com certeza iria aumentar meus custos de telefonia. Alguém que me mostrava o álbum de família, me contava as história como se eu realmente fosse seu neto... quantas vezes sentei naquele sofá pra ver uma história que não era a da minha família, mas que ela me fez sentir como se fosse.

É mais um partida que doerá como o da minha mãe, mas que relutarei e deixarei o tempo amornar meu coração e ter as lembranças que construímos juntos aqui na vila.

Esmeralda foi se encontrar com o marido e filhos...agora ela está feliz!


* 10/04/1931

+ 03/042021

Minha adorável avozinha postiça!

Você estará sempre no meu coração...

terça-feira, 23 de março de 2021

Partidas

Certeza sim... se nasce um dia e se vai em algum outro. A diferença entre eles é tudo o que se fez neste espaço. Assim é a vida. Devemos julgar a nós mesmos  segundo nossas consciências sobre o fato mais natural da vida que é este momento, vivo, encarnado, de estarmos aqui aprendendo até o último instante... Meu pai se foi em 20 de março de 2000 e neste dia 22 deste ano se foi minha mãe... A dor hoje é mais profunda e mais solene, mais enraizada, mais concisa, mais forte e mais carnal e tão importante quanto a de meu pai.

Mamãe já veio numa vida árdua onde teve que fazer muitas escolhas mais difíceis do que  imaginamos ou talvez pudéssemos suportar. Errou como qualquer outro ser humano, aprendeu muitas coisas aqui e demonstrou o tamanho de seu caráter e honradez ao sacrificar várias fases de sua vida em prol dos filhos. Sua vida dá um verdadeiro livro repleto de todas as mais profundas emoções por conta da extensa família, 20 irmãos no total, e que trazem tantas divergências e situações complexas em meio a tanta miserabilidade da vida do nordestino pobre; sua origem. 

Eu e meus 3 irmãos, Beto o mais velho e filho da primeira união de mamãe,  Adriana e por fim o caçula Gugu, recebemos de nossos pais a educação de acordo com o que eles achavam correto. Aliás, não existe fórmula para ser melhores pais. Os filhos trazem suas bagagens particulares para colocar à prova tais conhecimentos e ajudar a adquirir os demais conosco. Cada um de nós é essa resultante segundo nosso caráter mas com a mesma educação.

Mas hoje o foco é dela, nossa mãe Sônia. Sônia Maria de Lima que passou a usar o Samel de meu pai por questões nobres dele e que é outra história a contar... 

Mamãe enfrentou com uma coragem atroz: o câncer de cólon e as sequelas de um câncer feroz por tabagismo de anos que lhe rendeu a extirpação de parte de um dos pulmões. De todas as suas fraquezas talvez essa do vício tenha sido a maior na intensidade. Seguiu-se anos de tratamento, de idas e vindas em internações onde as sequelas pesaram e por conta de baixa saturação de oxigênio, frequentes crises de hipóxia causando-lhe demência parcial. Nós 4 fomos implacáveis neste momentos finais, nesse funil, nesse corredor que se estreitou até neste dia 22 de março, dois dias depois de 21 anos da partida de papai.

A pandemia veio dificultar nossos relacionamentos mas não impediu que em nosso plantões pudéssemos lhe acalentar, sermos inversamente seus pais lhe rendendo todo o carinho e amor que tínhamos nesse momento. Vê-la sofrer e não poder fazer nada além da atenção e do alento partiu-nos muitas vezes, destroçou nossos seres mas nos deu a chance de preencher as nossas lacunas pessoais com ela que, ainda combalida, teve muito a nos ensinar.

Ela foi implacável muitas vezes e na tentativa ser mais correta, sufocou fases pessoais; coisas dos  próprios atributos dela... e isso é entre ela e seu próprio ser energético. Nada podemos fazer a não ser respeitá-la e compreender seu jeito de ser ,de pensar e agir na vida.

Parece ser ruim falar assim, mas na verdade reconhecemos que parte de nossa essência de hoje não seria nada sem essa rainha em nossas vidas... Uma mulher de fibra, de honra, coragem selvagem para defender os filhos e de amor incondicional conosco e com os que ela teve verdadeiro amor. Até os que ela reclamava sempre, mas no fundo por não perceber o quanto ela os queria bem...era seu jeito de pensar e agir.


Não há como escrever tão pouco por quem foi tão grandiosa ao nosso lado...
Semi analfabeta, mas totalmente letrada na vida.
Mãe, te amaremos sempre e seu lugar é certo em nossos corações...
Siga sua jornada sabendo que seus ensinamentos estão em nossas vidas... para sempre.

Fica a saudade que só se resolve com o tempo ou quando algum dia em algum lugar a gente se esbarrar de novo e acabar com esta saudade...

Vai e segue seu caminho! 
 Te amamos...

Eu, Beto, Adriana e Gugu





segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Dança... Teoria e Prática de quem aprende e/ou ensina

 


A internet nos trouxe o mundo. Isso é um fato.

A internet tem muita coisa boa. Também é um fato...

A internet tem mentiras. Isso também é um fato!

A internet tem todos os conhecimentos... será? É aí a divisória entre as duas afirmativas acima.

A maior arma de um pesquisador é sua curiosidade. Aprendi isso com meu falecido pai, doutor em Bioquímica. Sempre me ensinou a questionar as fontes de quem ensina. Na faculdade, seja ela qual for, aprendemos a pesquisar, a refletir, a pensar e concluir algo. Isso é uma das ferramentas que jamais larguei quando fiz Arquitetura e Moda.

A dança, seja ela qual for, não está longe disso. Todas, sem exceção, tem história. Algumas com registros, outras com registros e hiatos temporais (atente-se sempre para isso) que é onde se criam os achismos. Aliás, o "achismo" por si só já é um indicador de dúvidas. Deveríamos mencionar e nunca afirmar sobre as informações sem provas. E dizer que "fulano diz que" ou "no livro tal de fulano, menciona que" para se livrar de assumir uma responsabilidade de criar o inexplicável (ainda) ou criar o inexistente. É essa parte que distorce e abre caminhos para afirmar aquilo que vende e justificar seus "erros" (ou falta de conhecimentos idôneos) para aprendizes de primeira linha.

Pesquisadores da dança deveriam apenas captar as informações, averiguar sua idoneidade e descartar aquilo que não presta. Assim seremos mais reais com a história até que alguém descubra algo diferente e comprove com documentos! Assim se procede... a história da humanidade tem duas versões: a dos escritores, que podem ser fiéis ou apenas escrever aquilo que os agrada omitindo outras informações e a dos cientistas, pesquisadores e todas as demais profissões ligadas a lógica da ciência por serem mais verídicas. Isso não quer dizer que escritores serão sempre assim! Existem fontes riquíssimas advinda de muitos escritores por serem, além de escritores, pesquisadores nato!

Teremos sempre "n" versões de uma história. Versão "baseadas em fatos reais"... já diz que pode haver interferências pessoais. Versão "documentário"... mostrará os achados físicos e, por ali, tentar traçar uma linha de raciocínio para a história contada. Versão "fictícia"... literalmente inventada; o que não a possibilita de ser embasada em fatos reais, mas que não corresponderá a um relato científico mesmo que este também seja usado como fonte de pesquisa.

De fato, no caso da dança, são inúmeros relatos e histórias muitas das vezes contados por gente de outro povo. Aí teremos as iniciais para um ponto de partida nas pesquisas. Mas se o tutor daquela dança é existente eu deixo o questionamento: por qual razão não devo acreditar nele se ele é o herdeiro e praticante de sua dança e registra a história dela? 

Deixo mais uma... se os tutores existem; ou seja, são reais e vivem, por qual razão não reconhecem aqueles que ensinam sua dança 9de forma distorcida) e não os apoia? Deixarei sempre à parte o elemento oportunista dos tutores. Essa é outra questão quando não se trata de perpetuar a cultura de seu povo, mas de vendê-la para xenófilos.



 A prática? Ela advém de registros feitos, das descrições dos passos e daqueles que a perpetuaram como precisava ser e não como queriam que fosse. No caso de escolas de dança, o que pode mudar é o método de ensino, mas quase sempre os passos nunca mudam. Nas danças de matriz étnica há uma atualização que aparece e se perpetua naqueles artistas que fazem uma releitura segundo as fontes históricas (as registradas ou as orais) mas sem haver sequer distorções ou desconstruções da informação que se deseja passar. Nestas danças de matriz étnicas, quando não se tem tem um registro completo é onde se cria, por aproximação (acredito eu) aqueles "espaços" sem registros. Devemos tomar muito cuidado nesta hora e tentar ler as entrelinhas dos documentos! Ali deve ter algo que possa sugerir o que havia em algumas partes... infelizmente as culturas ágrafas ou sem algum registro mais confiável sofrem estes momentos nas invencionices da vida. Tradição e Conservadorismo...um ponto a pensar quando existem interferências atuais.



Sim, invencionices! Criar em prol da arte é uma coisa e criar em prol de si mesmo é outra! Apenas peço para fazer um paralelo imaginário usando minha própria vivência. Sou carioca da gema (nascido em pleno Rio de Janeiro, capital), nasci de noite em bairro boêmio, não sei sambar e não ensino samba! Mas como sei flamenco se nunca fui à Espanha? Digo... comecei como muitos em fontes erradas; o que é muito comum e natural. Mas a curiosidade sobre a história me aguçou e comecei a delinear uma rota de estudos aqui no Rio de Janeiro e comecei a filtrar quem aparentemente mostrava aquilo que eu lia (leio até hoje!). Depois tive acesso a muitos artistas espanhóis reconhecidos e certifiquei-me daquilo que apendi aqui e com eles me reciclo sempre que posso. Ainda assim, sem nunca ter ido à Espanha por motivos pessoais, não sou diferente dos que foram, beberam na fonte e podem até saberem mais do que eu. Alguns eu até questiono se conhecem a essência da nossa dança ou apenas a faz por modismos, por talento e capacidade de absorverem o que pagam e captam e tantas outras perguntas que poderia deixar como reflexão mas que são distantes daquilo que é a tal dança. Estilismos ou "seiláoquê"? Há espaço honroso para estilismos quando se sabe o seu conceito...

Lidar com Teoria e a Prática da dança deveria ser uma questão de honra pra quem ensina e dever de aprender pra quem estuda. Vivemos em momento onde a informação veicula rapidamente com o poder da internet e onde sobrevivemos para ganhar, inclusive, o nosso sustento com o que achamos saber. Às vezes fazem comércio disso como um verdadeiro fastfood!

Deveríamos usar um pouco mais da capacidade reflexiva pra saber se o que ensinamos é lúdico ou realmente representa aquilo que aprendemos da história da dança.

Deveríamos ser mais honestos conosco mesmo para não ultrapassar o limite do conhecimento por conta da vaidade e do ego (ambos naturais em todo artista). Saber menos não é ruim! Se declarar nesse patamar é honesto e honrosos! E saber supostamente mais do que os outros não o torna absoluto se tiver humildade e saber que sempre se tem mais a aprender e absorver para ensinar.

Sempre teremos algo a mais a aprender e a cada acréscimo poderá desconstruir algo do passado. E fica a pergunta, você está preparado pra abrir mão daquilo que aprendeu "errado" ou para "agregar" naquilo que está incompleto?

Ou prefere a zona de conforto da distorção cultural e participar de um grupo seleto que, com o passar do tempo, será segregado na história por não corresponder a uma realidade histórica? Quer fazer parte do grupo que poderá ser mencionado como "esse aí só inventava coisas..."?

Apenas pare pra pensar na sua contribuição histórica quando ensina história da dança e sua prática seja ela qual for.  E reflita na sua capacidade de ensinar as práticas que domina (não as que não servem).

Sobre quem dança eu acredito existirem apenas quatro tipos. Veja em qual você se enquadra e assuma! Será de bonito valor se reconhecer em uma delas e será honesto consigo mesmo e com os outros!

1) Bom professor e Bom Dançarino

2) Bom professor e Mau Dançarino

3) Mau professor e Bom Dançarino

4) Mau professor e Mau dançarino (neste caso é melhor mudar de profissão)

Pensar, refletir e escolher. A vida é assim. Difícil é aceitar o preço que se paga por uma escolha mau feita...mas nunca é tarde para mudar!

Em alguns segmentos da vida não acredito que devamos agir por impulso porque poderemos cometer falhas graves...



quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

As Modas que compramos...

Entendo por "Moda" o mesmo que "costume, tendência, comportamento, atitude, personalidade" e tantas outras palavras que definem um pouco o quê é você. Existe um vasto mercado que dita estes conceitos através das roupas e para todas as situações financeiras. Veremos vários conceitos e gostos pessoais destas pessoas que querem mostrar aquilo que pensam, observam e acreditam que muitos usarão ou farão segundo suas influências, dicas e amostras. Isso não é ditar! Mas lançar idéias que podem ajudar aos outros a se sentirem melhores e iguais a muitos outros para se sentirem "atuais". Desfiles...


Pois é. Este é um conceito que não participo muito por conta de pensar diferente... Seguir o que se dita e mostra não implica em estar "out" (fora) ou mesmo destoante por não fazer o mesmo que os outros. Imprimir sua personalidade em tudo o que pensa, mostra e faz é um jeito pessoal de se sentir bem e, quem sabe, encontrar quem faça o mesmo. Mas adoro observar o que pensam os outros e me influenciar por uma ou outra idéia que combine em algo comigo... ou com meu cliente quando sou contratado para ajudá-lo a compor sua roupa.



Existe um dito popular "gosto não se discute, mas pode-se lamentar" que até faz um certo sentido porque é o que te agrada, ou não, que abre espaço para discussões... a maioria por ser avessa ao seu gosto. Quantas vezes não questionamos o gosto do outro, não é mesmo? Super natural isso...

No caso das roupas, só me entristeço quando aquele influenciador até tem um bom gosto nas composições das cores e tecidos. Mas quando vejo a modelagem tendenciosa para dizer que aquele jeito é o correto e visivelmente se observa que há algo errado, que não se encaixa, que destoa do contexto.

Estilizar é trazer à tona as lembranças daquilo que se quer exibir, mas jamais será um retrato fiel daquilo que se quer mostrar.

Na maioria das culturas, a tecnologia dos tecidos evolui e facilita a expressar suas vestes tradicionais. Existem casos de que esse tipo de contribuição ajuda até mesmo na evolução dos trajes!

Um bom exemplo são os babados de uma roupa... Quais as referências que se pode usar na modelagem? Tamanho, diâmetros interno e externo, caimento segundo o tipo de tecido, franzido ou pregueado, intensidade, volume, grau de transparência até o opaco, inspiração étnica, formatos e estilismos...


Para cada elemento de uma roupa teremos vários parâmetros a pensar e decidir para chegar na montagem e ver o resultado. Como se isso não bastasse, ainda temos que pensar no biótipo que irá usar, se estes parâmetros contribuirão para uma melhora ou piora da imagem e se é isso que a pessoa quer...

Parece simples...

As lojas de roupa facilitam as escolhas com os diversos tamanhos ofertados. Basta experimentar, se olhar no espelho e gostar. Mas VOCÊ tem que ser o principal alvo! Saiba que a exposição vai agradar ou não a muitos! Isso te importa? Se sim, pense naquilo que vai usar... Se não, manda brasa e assuma aquilo que escolheu!

A roupa pode ser um fator que te explique um pouco quem é você. para quem sempre se liga nisso, nunca conseguirá enxergar um bom profissional quando sua roupa não condiz com o que exerce... já viu que muitos dos Designers de Moda estão quase sempre de roupas confortáveis e alheias ao que vendem? Isso determina que não são Designers de Moda? É...pense...reflita...conclua.

Enfim, o objetivo deste artigo é trazer uma reflexão sobre quem é você, seu tipo físico e se você se aceita com ele para saber como encontrar seu tipo de roupa independente de estar ou não na "moda" do momento.


A roupa pode ser determinante no que quer representar. Mas pode ser também uma boa máscara daquilo que quer esconder de você; principalmente se for o caráter. E aí vem o dito popular que se encaixa perfeitamente nesse momento: "Lobo em pele de Cordeiro".

Então, o quê significa a roupa pra você?

Precisa estar ou seguir a Moda?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

2020 para 2021... olhando meu país, o mundo e eu

 

Não costumo escrever sobre retrospectivas, mas esse ano de 2020 marcará a vida de todos nós.

Acredito que de 2016 pra cá o movimento no mundo já caminhava pra algo novo, diferente e que viesse a saltar nossa percepção da vida. Em todo movimento de nossa história é visível quando tivemos altos e baixos em diversas culturas e em todos os segmentos. Isso é normal, é natural e faz parte da vida. O que chama mais a atenção são os grandes movimentos de massa que alteram e marcam profundamente a nossa história.

Em todos os países a política tem mudado e oscilado conforme a força se define. Então é natural que as diferenças se esbarrem e tenham suas tolerâncias diminuídas por terem perdido ou ganho naquele momento. E o ciclo vicioso recomeça porque sempre tem a "reconquista".

O que dirá as artes que precisam extrapolar seus limites para depois retornar a algum equilíbrio? Estes extremos acrescentam sim inovações e transformam para melhor as artes. Apenas os extremos acabam sendo isolados, mas nunca esquecidos quando seus autores são os responsáveis por estas transformações.

E as filosofias que muitos designam religiões por serem algo votivo ao "intangível, onipotente e onipresente" criador de tudo que tem toda a ciência mas não interfere em prol de sua cria? As mais diversas, longínquas e enraizadas justificativas culturais para aquilo que dificilmente se aceita, é o que estas filosofias vêm fazendo ao longo do tempo. Neste século em que vivemos, o oportunismo dispara com a carência de outros que possuem dificuldades para pensar. Normalmente, a maioria de nossos irmãos.

Hoje em dia já é perceptível que, quem mais conhecimento tem, mais manipula, se for um malfeitor, e mais esclarece, se for um condescendente com aqueles que conhecem menos. Então quem trabalha para o bem coletivo acaba sendo o inimigo mortal do oportunista que se resume na própria vaidade da posse.

Enfrentamos duas novas armas despertada na ciência da medicina e da tecnologia. Uma diz respeito a uma forma de vida que tem seus poderes peculiares na sua perpetuação natural e que nos traz enormes dificuldades abalando nossa saúde, haja vista que nós somos seu veículo de propagação e sobrevivência. A outra traz o desafio da tecnologia. Avançamos tanto em diversos setores e conseguimos enxergar o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, até imaginar que o mundo da família Jetson está perto e vivemos alguma coisa deste universo tecnológico. Mas ainda lidamos com o famoso retardo do "delay" e da inconsistência do sinal da internet. O pior destes dois fatores é o monopólio político sobre eles e de como uma "arma" biológica pode derrotar o mundo. Se bem vale, arma não se mostra...se usa para demonstrar seu poderio. Ainda acho um tanto inverossímil matar os seus pra dominar o mundo. Isso é kamicaze!!! 

Não entrarei aqui nos aspéctos mais profundos do que abordo no início deste artigo, mas observar como os valores de vida estão se invertendo, de como a ciência só é valorizada se justificar o que pensa um líder e de como aqueles que não pensam, ou pensam mau, se deixam levar por estes momentos e tomam um partido para si defendendo seus ideiais, combatendo os outros e polarizando os seus familiares e amigos. Concordo que alguns respeitam a diferença e não sei se este respeito é real ou apenas circunstancial e que pode trazer decepção no futuro.

Apenas pergunto aos outros o mesmo que faço pra mim...o quê de bom e transformador eu faço ao meu alcance para melhorar, ainda que um pouco, o que de tão ruim está acontecendo? Eu não salvo o mundo e não sou super herói pra isso. Mas tenho notado que os pequenos atos fazem mais do que os atos grandiosamente coletivos e polarizados.

Lembro da onda hippie, do "paz e amor", "não faça guerra, faça amor" e de tantas ondas das quais eu vivenciei e tirei o melhor proveito.  Mas acredito que não maculei ninguém a não ser por pensar diferente de alguns e igual a tantos outros. Não manipulei e apenas me defendi sem atacar...

O quê você faz de bem e de bom? É o que me pergunto sempre...

O quanto as pedradas da vida te machucam?

Você compreende a lição de tanto sofrimento?

Está pronto pra nova classe? Se não, vai repetir até aprender ou desistir e estagnar na vida, ou melhor, em todas as vidas até seguir adiante...

Vai guerrear com quem te atacou ou vai apenas seguir se defendendo e se esquivando dessa gente?

São perguntas que me faço com frequência com um certo olhar para o meu passado. E consigo ver que tenho feito uma melhor versão de mim mesmo porque vi quanta coisa errada e absurda eu fiz.

De certo, apesar de ver o mundo invertido hoje, não me sinto de cabeça para baixo.

E você?

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Medusa, a minha...

 

Já escrevi sobre este olhar que ela tem em espelho-olhos-alma-medusa e em outros artigos trago muita reflexão sobre vários aspectos que vejo na vida. Mas sempre com o intuito de realmente despertar o auto conhecimento e se questionar. Deixo claro que não imponho absolutamente nada desde que não coloquem palavras em minha boca ou, ao menos, me mostrem suas razões e me façam pensar, encontrar a minha falha e me melhorar. É isso... a única intensão é o olhar para si através do espelho da alma. É sobre este olhar que falo no artigo acima quando menciono a Medusa, um ser mitológico intrigante em seus aspectos mais profundos, mais psicológicos.

Esse isolamento social de longa duração está me fazendo rever tudo o que observei e tudo o que já passei. E alguns casos se repetem com mais intensidade agora me levando a um estado de torpor que quase me derruba e quase me traz um Ricardo que levei anos para lapidar...

A visão de certo ou errado sempre dependerá daquilo que se acredita e, com certeza, do caráter de cada um. Errar é pra lá de natural e super humano! Eu sou um deles! Mas o chato é buscar nas mais profundas entranhas da minha alma os porquês das mesmas pessoas ainda quererem, de alguma forma, me ver por baixo ou para baixo. Só pode ser as coisas que fiz nas outras vidas, as passadas.

Esse débito sempre é cobrado para os dois lados... o de quem faz, para se consertar, e o de quem recebeu, para se lapidar e não usar o atributo da vingança, ou seja lá qual for o outro sentimento negativo que a nutre e precisa dominar.

Quem traz este peso deve mudar sua percepção, não cometer mais este erro e tentar se redimir ou, ao menos, amenizar os danos causados. No caso de quem sofreu o dano, entender o outro e perdoar... aí sim essa palavra tem fundamento e razão. Aí sim eu acredito...

Perdoar e continuar a repetir o ato é o mesmo que enxugar o gelo ou apagar o fogo com álcool.

Criar uma barreira em si e focar mais ainda nessa palavra (foco) e colocá-la em destaque bem na sua frente para não se deixar abater pelas emoções destas pessoas que sentem um prazer em ver o outro caído, negligenciado, boicotado, esquecido e mal falado sem razão alguma.

Ora, se a consciência é o maior juízo de tudo o quê fazemos, por qual razão isso fere? Medo de errar, de realmente ser bom ou de naturalmente brilhar e sem querer ofuscar ninguém? Não! Apenas a frustração de querer ser o melhor de si mesmo e os outros não conseguirem. E a sua queda é a subida deles!

Assisto e sigo vários canais do You Tube sobre auto estima, inteligência emocional e relacionamentos... Ali tem tudo! Mas realmente se (re)encontrar não é tão simples assim... todos somos frágeis e nem sempre a auto análise funciona. Então recorri e retornei à terapia com a profissional que me atendeu há anos por confiar nela e por todos os atributos de um excelente profissional da psicologia para ajudar a voltar ao centro. sei quando pedir a ajuda e não tenho medo ou vergonha de expor isso... principalmente publicamente e aqui. 

Ela está sendo minha Medusa... olhar nos olhos dela e ver quem realmente sou, como estou e como reconquistar o equilíbrio. Essa fragilidade não deve ser ofuscada nem escondida porque ela te corrói aos poucos como a ferrugem que aparece com o tempo... e fica difícil quando se está impregnado dessa ferrugem. 

Como fazer? Polir... resgatar o brilho e voltar a funcionar com mais equilíbrio.

Não estou julgando se sou mal ou bom, mas estas fraquezas podem ser a derrocada de muita gente e veremos as diversas facetas do homem em ação. Esta "ferrugem" é a mola mestra de muita gente que é ruim pela própria natureza, que naturalmente são más. Na minha visão espiritualista, são nocivas hoje e essenciais ao equilíbrio. Um dia elas evoluem...

FOCO... voltar para a estrada.

A Medusa? Ela está todos os dias presente em cada passo que damos. O olhar dela congela e petrifica toda vez que deixamos esse lado desarmônico dentro de nós nos dominar. E se rompe quando literalmente nos olhamos no espelho e nos enxergamos...

Estou diante da minha Medusa outra vez que se manifesta na terapia.

E você? Tem a coragem de encarar a sua?

Recomendo lerem...

o-que-podemos-alcancar-atraves-de-nossa-observacao/


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Tentando entender os outros


A pandemia nos deixou quase insanos. Só pode ser isso ou eu realmente sou o insano do momento. Aqui no Brasil estamos em período de pré eleição e mesmo com todos os riscos, uma grande leva dos ditos candidatos se expõem nas ruas e até sem o uso das máscaras. Já está difícil sofrer as consequências da escolha política feita pela maioria na última eleição e cada vez mais difícil ainda acreditar nos candidatos que aparecem. Temo cair na possibilidade de votar no "menos pior"! Logo eu que não acredito em menos pior. Não quero dizer que procuro o candidato perfeito, mas sim alguém que seja corajoso e não se deixe ser corrompido pelo sistema nefasto crescendo no meio político que nos consome alimentando os anseios pessoais de "políticos profissionais"... os dos servidores públicos do alto escalão, pois os logo abaixo sofrem com isso a cada ciclo.

Cansei de ficar pulando de partido em partido por apenas ver no coletivo as ideologias. Não há mais, para mim, o melhor partido porque vejo muita gente de mau caráter entrando, sendo o favorito e se prevalecendo das suas mentiras pra tirar sua fatia do bolo. Com todas as novas normas quero encontrar gente nova e desejo que o povo não vote naqueles que já demonstraram saberem roubar com propriedade trocando favores para ter seu voto. Pra mim, quem cede a isso é tão sem caráter como o próprio político que repete, sem exaustão, as mentiras a cada ciclo eleitoral. E salvo o ignorante porque ainda não aprendeu a pensar, a refletir e não se deixar iludir pelo lobo em pele de cordeiro.

Mas não é só isso... muita gente abusando nesse período onde ainda todos, sem nenhuma exceção, corremos riscos de contágio e provável morte independente do percentual baixo; inclusive aqueles que já foram contaminados e "curados". aliás, morrer nesse período se tornou tão "comum" que as mortes são anunciadas apenas como números enquanto que os seus sofrem pela perda talvez desnecessária pela contingência do descuido. Morrer por Covid se tornou banal!!!

A vacina está à caminho, mas ainda não é hora de abandonar tudo e se render as naturais necessidades do convívio presencial. Ressalvo aqueles que realmente precisam exatamente por serem essenciais à nossa sobrevivência como a área de saúde, higiene e alimentação. 

Enquanto isso, o sistema mostra como a criminalidade em todos os sentidos aumenta.

Abuso de políticos que, de forma egoísta e política, liberam e aumentam a flexibilidade para serviços nem tão essenciais assim. Vejo a necessidade de recolher os impostos que os sustentam e alimentam seus devaneios. Iludem os comerciantes que gritam por sobreviverem a essa crise de saúde e monetária que gira no mundo todo. Não tenho como culpar, porque não julgo, a estes comerciantes que creem na flexibilização fornecida pelos comandantes políticos a fim de manterem seus negócios. Alguns sofrem com a falência, mas se reinventam enquanto outros sucumbem ao fracasso pressionado pelo momento.

Aqui não sei se saímos da 1a onda e emendamos na 2a ou apenas ainda estamos estáveis e em grau alto na 1a com longevidade além do comum. Vejo nos noticiários do mundo, onde países que entraram na 2a onda, sofrem tudo de novo com os hospitais entrando em colapso como na 1a fase. E pior é ouvir que a onda de contágio se dá mais diretamente por conta dos jovens, até então fora do grupo de risco e irresponsáveis sociais, e por conta do retorno as aulas presenciais onde as crianças estão se tornando vetores diretos e, segundo a ciência, com sintomas estranhos mas que parecem ligados diretamente ao novo vírus onde aumenta o desafio da ciência em lidar com estes novos fatores decorrentes do Covid 19.

É onde me pergunto observando a isso tudo se vale a pena arriscar-me a um contágio sem mesmo saber qual será a reação de meu corpo em caso de contaminação. 

Isso é usar uma roleta russa! É jogar com a sorte ou com o revés!

Não sei dizer se é coragem, abuso ou arrogância dessa gente ou se é medo ou frustração minha e de tantos outros que se mantêm ainda em casa esperando a hora certa, ou ideal ou melhor, para a exposição sem tantos riscos e com imunidade... mesmo que incerta, mas imune.

Será mesmo que estou errado?

Será que estou insano?

Ou eu ainda não captei que realmente se pode sair e se expor mais ainda mesmo tomando as devidas precauções.

Normal... qual?