sábado, 10 de junho de 2017

Lynda Carter antes e depois de Mulher Maravilha

Fui e ainda sou aquele fã fervoroso da Mulher Maravilha protagonizada por Lynda Carter no seriado da tv nos anos 70. Muitos anos após, vejo a nova versão cinematográfica com Gal Gadot e o quanto sua vida vem se transformando por causa da Mulher Maravilha. E isso me fez olhar novamente para Lynda Carter e sua trajetória...


Revi todo o seriado, algumas entrevistas, os shows daquela época pós seriado e o histórico dela através do programa E-true Hollywood Story. Nos musicais, deu pra entender porque ela foi chamada para fazer a biografia de Rita Hayworth, outra atriz que adoro. Nos musicais tinha muito de Rita nela...

 


Lynda nasceu no Arizona em 1951, tem dois irmãos e viu seus pais se separarem. Como qualquer ser humano, na adolescência se viu mais bonita que o normal para sua idade  e começou a almejar fama e sucesso. Descobriu a música e depois os concursos de beleza chegando a ser Miss Mundo EUA em 1972.

Como a maioria das futuras estrelas daquela época, teve muitos "não" até ser chamada para o teste da Wonder Woman. Não levou muita fé porque tinha concorrentes já famosas ao nível de Farah Fawcet, Jacklin Smith e tantas outras. Para surpresa dela, conseguiu o papel. Seu biotipo coincidia com as descrições feitas pelo criador de Wonder Woman, William Moulton  Marston. Ela era a própria Wonder Woman personificada com o traje.



Uma vida cheia de altos e baixos e quase perdeu tudo se não reequilibrasse o ego. Fez novos filmes e partipou de outros seriados, mas nada com tanto sucesso como a sua Mulher Maravilha.

Desistiu de grandes produções, voltou a cantar e fez apenas filmes de filantropia facilmente encontrado no mercado e seguiu com seus musicais...



Na atualidade, além dos shows pelos EUA, Lynda faz algumas pontas. E a mais recente é ser a presidente dos EUA na segunda temporada de Supergirl.


Com tantas tentativas de renascerem a Mulher Maravilha, Lynda passou estes quarenta anos sendo querida por todos. Readequou sua vida pessoal com o segundo casamento,  dois filhos, e mais, o perfil do que é a princesa amazônica Diana, filha de Hypolita e rainha das amazonas, trouxe a ela o transbordamento de tanto carinho e reconhecimento de seus fãs até hoje, e da atual equipe de Wonder Woman vivida pela atriz israelense Gal Gadot, que muito tem em comum com Lynda na vida pessoal. Até miss Gal foi!

Falo com propriedade sobre o lado de fã que sou, pois, mesmo com meu irrisório inglês, Lynda nunca deixou de me responder todas as vezes que a escrevi. E sim, podia ser uma carta genérica como todas, mas quando se pergunta algo tão pessoal, o tom da carta muda e vira quase íntimo...com assinatura real!

Optei por manter a distância e continuar a viver o sonho de fã da atriz e da Mulher Maravilha.

E é bom ver que ela está aceitando bem o tempo e as novidades que a cercam.

É bom ver que Lynda aprovou e deu ótimos conselhos a sua sucessora. Faltava mesmo era uma pontinha de Lynda no novo filme. Quem sabe no segundo filme?

Mesmo passando o tempo, Lynda continua linda...em tudo!


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Existência Despida



Não sei morder devagar se não for pra marcar
Não sei dar beijo técnico e nem sorrir quando não gosto
Sou como um vento que vai passar de acordo com a necessidade...
Fraco
Médio
Forte
Ou como um Furacão
Não sei andar no sol sem ver minha sombra e nem nela confio
De noite sou como uma luz na escuridão, mas poucos me enxergarão
Sou como bambuzal que assovia com o passar do vento, que enverga com a força do furacão e encosta a ponta na terra, mas só se rompe quando minha existência não tem mais necessidade
De dia brilho tão forte quanto o sol
E de noite disputo lugar com a lua
Não adianta, pode ter nuvens mas sempre estarei lá...
Quer queiram ou não, eu existo.
Este sou eu.
Então me ame ou me odeie
Eu sou assim.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Pesquisas da escritora Cristina da Costa Pereira

O universo religioso dos ciganos tem se resumido aqui no Brasil ao culto de Santa Sara. E como sou fã e seguidor desta escritora por sua idoneidade, transcrevo na íntegra um artigo publicado no jornal Prana, 219 edição, em maio de 2015 e que leva o título de "Caminhando com os ciganos". O texto é longo e não o ilustrarei e nem o repartirei. Depois cada um escolhe o que pensar e o que seguir...

Para conhecerem mais os trabalhos desta magnífica escritora a quem tanto admiro, deixo-vos o link de seu blog abaixo:

www.cristinadacostapereira.blogspot.com


"A publicação de livros sobre ciganos é um tesouro para nós, porque os escritos vêm documentar, noticiar, esclarecer, elucidar. Também encantar. No presente, agradecemos aos livros de Cristina da Costa Pereira, desde 1986, que juntamente com a criação do Centro de Estudos Ciganos do Brasil (RJ 1987), fizeram com que não figurássemos tão somente nas páginaspoliciais, ao nos colocarem, principalmente, nos cadernos culturais dos jornais do país. (Oswaldo Macedo, in PEREIRA, Cristina da Costa. Histórias de flamenco e outras cenas ciganas. Rio de Janeiro, Tinta Negra, 2014).

No Brasil, segundo dados da Unesco, há mais de 500.000 ciganos, e a maioria dos brasileiros desconhece tal etnia, ou a conhece, somente, por meio de estereótipos. O importante, então, é dar voz a esta minoria excluída e não apenas apontá-los, dizendo: “Aqueles são os ciganos; assim são eles”, mas contextualizá-los dentro das complexas relações sociais de dominação que os vêm afetando, ao longo da sua trajetória milenar em diversas partes do mundo: diáspora na Índia, Inquisição, escravidão na Romênia, degredo de Portugal/chegada ao Brasil, perseguições por meio de leis, alvarás e éditos do século 15 ao século 19, guerra civil espanhola, Segunda Guerra Mundial (nos campos de concentração nazistas foram exterminados cerca de meio milhão de ciganos), sua condição no século 21, de extrema marginalização, sobretudo no Leste Europeu, e de vítimas de xenofobia em vários países da Europa. Além disso, a atitude muito comum, por parte dos não ciganos, de tachar os ciganos como um povo místico e detentor de tradições ocultas, ou seja, considerar o sobrenatural, é mais cômoda. Tocar na realidade é o que dói.
Ciganos são uma etnia e não têm religião própria, mas adaptam-se às ideias religiosas, fundindo-as com crenças comuns a muitos povos. Em relação ao Brasil, nos 30 anos de convívio com este povo, conheci ciganos católicos, espíritas, umbandistas e evangélicos. Devel(Deus) é a maior referência em sua religiosidade, bem como Jesus Cristo. Logo, à diferença dos judeus, que são uma etnia e têm uma religião própria – e qualquer pessoa pode se converter à religião judaica –, no que concerne aos ciganos, isso é impossível de acontecer.
Pela proximidade do dia 24 de maio – dia de Santa Sara, também comemorado em Camargue (sul da França) a 25 de maio – e, por isso, por decreto presidencial, desde 2006, instituído como Dia Nacional do Cigano, no Brasil, falarei agora sobre Santa Sara. Mas ressalto que o espaço é exíguo para tratar de assunto tão polêmico, e que gera inúmeras controvérsias entre os estudiosos e, sobretudo, entre os ciganos. Resumidamente, então, darei algumas informações a seguir.
A referência a Santa Sara, nos livros de hagiografia do mundo ocidental, remete ao século 13, e há narrativas diversas, e até discrepantes, sobre a origem do culto à Santa Sara pelos ciganos.

Sara é reconhecida como a padroeira dos ciganos somente entre um grupo de ciganos, os gitans, e não é reconhecida pelos outros grupos (rom, manouche e sinti). A peregrinação existente em Saintes-Maries-de-la Mer (Camargue) [desde 1936, para alguns, e para outros, depois da Segunda Guerra Mundial] não é frequentada por todos os grupos citados, que não manifestam veneração a ela como o fazem os gitans (...). No 1º Congresso Internacional do Povo Rom, que ocorreu em 1971 (Londres), um grande pôster foi amplamente divulgado mostrando a procissão com Santa Sara, em Camargue, e uma legenda explicativa: “A estátua de Sara está sendo carregada sobre os ombros dos ciganos. Santa Sara, a grande protetora dos ciganos, representa a forma cristianizada da deusa hindu Kali, deusa do Destino e da Fortuna,  que tem sido cultuada pelos ciganos, depois de os primeiros deles terem deixado sua pátria de origem, no norte da Índia, no ano1000.” Para marcar o fim das festividades do Congresso, a estátua de Santa Sara é conduzida numa grande procissão ao fim da qual foi submergida num tanque de água, à semelhança das festas de outubro de Durga, da Índia. Sara Kali pode evocar, neste sentido, a deusa indiana Kali Durga, ainda que a hierarquia católica romana tente preservar a peregrinação de Saintes-Maries-de la Mer na comunhão oficial da cristandade. (in BLANCHET, Régis. Un peuple – mémoire les Roms, Ed. du Prieuré, s.d.).  

Há ciganos, bastante conhecedores de sua tradição, que afirmam que a única realidade, neste sentido, é Sinti Sara, crença originada na Índia e que propiciou o sincretismo. Já o escritor cigano Franz de Ville, em seu livro Tziganes, Bruxelas, 1956, afirma:

Sara, a Kali, era cigana e foi um dos primeiros membros do nosso povo a receber a Revelação. Ela liderava sua tribo, que vivia nas cercanias do Rhône [rio Ródano] e conhecia inúmeros segredos transmitidos pelos antepassados. Um dia, Sara teve uma visão que a informa de que as mulheres presentes à morte de Jesus iriam chegar e que ela deveria ajudá-las. E Sara as vê chegar em sua embarcação. O mar estava agitado e o barco ameaçava naufragar. Maria Salomé joga seu manto sobre as ondas e Sara, utilizando-o como uma jangada, vai até Maria Jacobé e Maria Salomé e as ajuda a chegar à terra firme por meio de uma oração. 

Esta antiga narrativa, com inúmeras variantes e o adendo de que “Sara era a companheira egípcia das Três Marias (Maria, mãe de S. Tiago o Menor, Maria de Salomé, mãe de S. João Evangelista e S. Tiago o Maior, e Maria Madalena, acompanhadas de José de Arimateia e Lázaro), é reproduzida por D. Estevão Bettencourt O.S.B, no artigo “Os Ciganos e a Religião” em Ciganos – antologia de ensaios, org. Ático Vilas-Boas da Mota, Brasília, Thesaurus, 2004. D Estevão acrescenta:

Em comemoração do episódio (cuja autenticidade não interessa discutir aqui), os cristãos ergueram, na mencionada ilha (Camargue), uma grandiosa igreja onde estão guardadas as relíquias de Santa Sara, que os ciganos cristãos veneram como sua padroeira, e para lá acorrem a 25 de maio, de várias partes do mundo (França, Alemanha, Áustria, Itália, Espanha, e até do Marrocos), podendo o número de peregrinos chegar a um total de 5.000.

Muitos estudiosos do tema, de várias partes do mundo, dizem que “Sara não é cigana, mas os ciganos a fizeram sua.” E outros acrescentam: “Os ciganos, em verdade, vivenciam o acontecimento como uma auspiciosa fonte de negócios, de intenso comércio.”
O fato é que, hoje, no Brasil, em centros de umbanda e em inúmeros grupos esotéricos, Sara é cultuada como a Santa dos Ciganos. No entanto, grande parte dos ciganos brasileiros não reconhece Sara como sua padroeira e, sim, N. S. Aparecida. No Nordeste do Brasil, Padre Cícero é bastante festejado pelos ciganos. E N. S. Santana, a Velha (como a chamam muitos ciganos), também é bastante homenageada, no Brasil, a partir da época colonial: “N. S. da Glória/Tem grande merecimento/Mas a Senhora Sant’Ana/Trago mais no  pensamento” (quadra de louvação presente nos bródios dos ciganos calons sedentários do Rio de Janeiro, registrada por Melo Morais Filho, na sua obra precursora, Cancioneiro dos ciganos – poesia popular dos ciganos da Cidade Nova. RJ, Ed. Garnier, 1885).
Concluindo, transcrevo as palavras, de 23 de abril de 2015, que me foram ditas, exclusivamente para este artigo, pelo mais renomado ciganólogo do Brasil, Ático Vilas-Boas da Mota:

Sara é uma santa, como tantos outros santos do panteão cristão, que pertence ao ciclo das navegações, e como a documentação referente a isso é escassa, aceita-se tanto a tradição ligada ao ciclo marítimo como a que pressupõe uma origem muito mais antiga, que a torna mais próxima da Índia. Embora haja também a possibilidade de um sincretismo mediante o uso da personagem bíblica semítica Sara.

Cristina da Costa Pereira, escritora e professora de literatura, com 13 livros publicados, sendo 7 referentes à etnia cigana. "



sexta-feira, 2 de junho de 2017

A Mulher Maravilha de Gal Gadot

Com direção espetacular de Patty Jenkins, a história da maior heroína desde os anos 40 chegou na telona encarnada pela israelense Gal Gadot que conseguiu quebrar o longo jejum e mudar o esteriotipo marcado no final dos anos 70 pela atriz Lynda Carter.
 

Depois de frustradas tentativas para tv, projetos que nunca saíram do papel e várias reinvenções de sua história desta vez o equilíbrio foi encontrado. A história das guerreiras amazonas e sua mítica Ilha de Themyscira, ou Ilha Paraíso no seriado televisivo, é cheia de detalhes só visto nos quadrinhos. Alguns diálogos retirados do primeiro filme com Lynda Carter, a infância recriada nos quadrinhos e inspirada no desenho animado recentemente criado, a ausência  de um excesso americanismo do seu traje que agora tem cara de amazona e de guerreira inspirado nos soldados gregos e a atualização de alguns detalhes como a ausência do avião invisível por que ela voa, a troca de roupa de forma mágica e a renovação de sua existência.

Antes ela era baseada na criação original surgida de uma figura moldada no barro pela rainha Hypolita e agora por conta de uma relação dela com o deus Zeus que transforma tanto a rainha como ela em deusas. Pois se "somente um deus pode matar outro", isso sugere que a verdadeira origem também da rainha das amazonas é uma deusa, haja vista que entre deuses e humanos nasçam semideuses; o que não é o caso de Diana.

O filme mostra, nesta versão, como sua possibilidade de se transformar é descartado haja vista que está sempre com o uniforme por baixo das roupas.

E o mais bonito de tudo é que a essência de sua humildade, inocência, racionalidade, amor, bondade e justiça permanece com o mesmo tom que sempre teve a Diana Prince que, até para o sobrenome, foi encontrada uma ótima saída estratégica.

O traje com aspecto de armadura, típica de guerreiros gregos, tem referência nas principais roupas ao longo destes 75 anos de existência da heroína.



E para completar basta dizer que se nos anos 70 houvesse a tecnologia que se tem hoje na realização dos filmes, eu arrisco dizer que Lynda Carter seria mais ainda uma Mulher Maravilha imbatível como hoje é Gal Gadot. Mesmo sem ter os mesmos atributos físicos que Lynda marcou em sua versão, mas com seus valores de um tipo a cara do século em que vivemos, Gal Gadot em nada deixa a desejar em sua Wonder Woman.

Eu amei o filme e para mim ainda serão duas mulheres diferentes mas uma única Mulher Maravilha onde chego a conclusão que amo as duas. Quem bem me conhece sabe o quão sou fã desta heroína...