domingo, 11 de novembro de 2018

Instrumentos no Flamenco, além da convenção

Depois da tradicional guitarra espanhola que conhecemos como violão e as castanholas, desde as inovações trazidas por vários músicos flamencos, basta lembrar a inserção do Cajon por Rubem Dario trazido pelo saudoso e grande guitarrista flamenco Paco de Lucia,  vários outros instrumentos estão se aliando e completando a esfera musical abrilhantando os shows.


A intenção deste artigo é lembrar que, por mais exímio que seja tal músico e seu instrumento, inevitavelmente precisará estudar e compreender as escalas musicais do flamenco da mesma forma que o convencional guitarrista sabe. E  será mais profundo ainda quando tiver que acompanhar a dança.

Então,  estes músicos de quaisquer instrumentos, sejam aprendizes ou profissionais, precisam aprender a estrutura do flamenco como nós artistas convencionais (cantaores, bailaores e guitarristas) sabemos.


Existem outras culturas onde a semelhança estrutural facilita a absorção e compreensão do flamenco. Portanto, é sim possível quaisquer instrumentos além da convencional guitarra para acompanhar shows flamencos.


Declaro não ser músico e as minhas referências vêm do convívio com esta nova fase. E aos amigos músicos, se falei alguma bobagem, me perdoem e peço humildemente que complementem meu artigo.
Vocês merecem minha admiração e respeito.

sábado, 10 de novembro de 2018

Cor na composição de figurinos pra dança


É muito comum nos dias de hoje que muitos coreógrafos em seus delírios acabem imprimindo, também, suas idéias sobre o que imagina como figurino para seu trabalho. Nós do ramo das roupas, quero dizer, nós os Figurinistas, realmente levamos muito em consideração estas inspirações e as adaptamos à dança quando viáveis.

A maioria cabe sim. Mas o erro recorrente é escolher cores sem conhecer o que dita o mercado têxtil nacional. Tentamos avisar e pedir para trocar a cor (ou cores) por conta disso. Porém,  muitos coreógrafos são irredutíveis achando que confecções e o próprio mercado têxtil tem que atendê-los.

Com isso, não é difícil que muitos colegas de confecção de figurinos percam horas e dias atrás de algo que possa favorecer a idéia do contratante e, na maioria das vezes, nós somos colocados como profissionais desqualificados por este detalhe. Detalhe que o contratante não remunera pelas horas, às  vezes dias, que perdemos para isso. É um total desrespeito ao profissional que trabalha para satisfazer seu cliente. Fora o fato da tão famosa "pechincha" porque o cliente quer luxo a preço de lixo.

Um figurino não se produz em 45 dias sem conhecer as propostas do mercado têxtil nacional.

Sugiro que acompanhem as tendências de cores para cada estação aqui, e não no exterior onde buscam suas inspirações.  No exterior (no caso a Espanha em se tratando de Flamenco) existe e se alimenta de um mercado têxtil voltado para seu folclore durante todo o ano letivo. Nosso MT (mercado têxtil) mantém nas prateleiras a convenção do ano e substitui as de fora da estação pelas novidades. Em se tratando de moda aqui, isso ocorre com frequência durante o ano todo! No máximo manterá durante o ano aqueles tecidos de uso cotidiano para que seu comércio não fique estagnado. São tecidos comuns como sarja, tricoline, viscose, oxford, cetins variados e tantos outros comumente usados. Nas malhas, somente os de moda...

Muita coisa mudou para pior na qualidade de algumas malhas porque aqui elas não são voltadas para a dança.  São para o uso cotidiano,  para vitrine e esportes. Malhas essas que são muito pesadas, às vezes com muito elastano ou muito finas. O preço normalmente é cobrado por quilo e o rendimento varia em função do tipo de malha e pode sofrer variação até por causa da pigmentação. Algumas roupas saem caras por conta disso. No caso das rendas, muitas até melhoraram. Porém,  sem muita variedade de desenhos ou cores. Sobre elas, está  quase extinta aquelas mais encorpada...

"Ah, é só comprar na fábrica de malhas!" Já ouvi isso de muitos clientes ignorantes. Uma produção pequena não comportaria um pedido EXCLUSIVO numa fábrica.  O preço quase triplica e duvido que a produção queira sair de seu orçamento para apenas satisfazer sua idéia de cor em sua composição. O que dirá isso em academias onde os alunos custeiam a produção.

Componha sua idéia antes sim, mas consulte o MT ou peça uma "consultoria" com figurinistas para ver o quê vem pela frente em termos de MT para encontrar algo que lhe ajude nas suas idéias. Não precisa saber costurar, ser estilista ou o que o valha para entender do mercado têxtil.

Fica o conselho... na dúvida, caia nas cores padrões que sempre existirão no mercado. Cores secundárias variam, mas se encontra. Já as de "tom sobre tom" será de acordo com a estação e ditadas pela moda passageira da estação seguinte.

Sobre estampas, vivemos em país tropical. Siga estas tendências! Não busque aqui o que não entra no comércio varejista ou que está fora de qualquer tendência nacional.

E por favor,  NÃO CULPE A CONFECÇÃO por não encontrar a sua cor ou sua estampa predileta. Nós não somos fabricantes de tecidos!

Como se já não bastasse este problema, existe ainda o fator dos aviamentos que são muito limitados quando o assunto na composição é a cor.

#cornamoda
#cornofigurino
#estampariaparadanca
#tendenciadamoda

domingo, 4 de novembro de 2018

Onde está o flamenco?


O título deste artigo visa trazer uma reflexão individual de sua realidade e sua consciência no aprendizado, desenvolvimento, ensino e definição do flamenco. Darei enfoque para a dança que é o caminho que persigo, insisto e estou.

Demorei a entender que estudar dança, seja ela qual for, sempre será um trabalho árduo, com muita dedicação, esforço pessoal onde sacrifícios são feitos e uma constante renovação de muitos colegas e parceiros, mas com raros amigos verdadeiros  e muita solidão. Se cresce sozinho e taciturno. Ninguém te diz quando não está bem ou errado, alguns te indicam ou sugerem estudar mais e pouquíssimos  te dirão quando está totalmente distante da realidade e querem te ajudar a crescer e melhorar. Não dá pra evitar o processo natural da vaidade e egolatria nestas descobertas e que se acalmam quando descobrimos o equilíbrio .

Frequentei muitos cursos diferentes achando que isso me faria melhor, mais fluente na dança e mais "visto". Mas observei que, em particular, fazer muitas aulas diversificadas nos estilos e com diversificados profissionais por curtos períodos não me trouxe desenvolvimento, mas apenas lembrança de trechos de aulas ou coreografias.

Técnica não é diversidade e quantidade de professores, mas a repetição de poucas linhas a seguir e repetir até dominar.

Analogias à parte, a dança é um universo extenso e delimitado por um conteúdo  dentro desta extensão.  Explorar-se ao nível de expressar melhor o que quer dizer a música é o objetivo. Quanto maior minha consciência corporal na dança,  no caso em questão é o flamenco, mais fácil e rápido o resultado será.

Levei um tempo pra entender que uma coreografia não é uma colagem de movimentos que cabem no compasso da música. Mas movimentos harmônicos entre si e simbióticos com a música quase que brotando sem muito pensar. Eu fazia o que hoje chamo de colcha de retalhos onde costurava passos de um artista com os de outros e remendava com algum trecho coreografado por outro. Fui um verdadeiro Victor Frankenstein por um tempo até descobrir que isso não é arte e muito menos flamenco. Melhor seria se tivesse assumido não saber montar uma coreografia e usar uma pronta delegando sua autoria ao seu tutor. No máximo alterar alguma coisa e mencionar a adaptação e imprimir minha alma nela.

Flamenco é individual, solitário por natureza e coletivo na quantidade. É uma arte de total mergulho em si mesmo e uma forma de perceber a vida. Expôr isso é o grito, a explosão e êxtase da emoção.  O "como" vai expor é que é o problema. E fica a pergunta: exponho pra ter alguma aprovação artística do público ou exponho pra fazer resistir o flamenco? Isso engloba tudo! Harmonicamente falando, é figurino, luz, som, cenário (nem sempre precisa de um se tiver uma boa iluminação), música ou músicos, eu, o elenco e o flamenco.

O flamenco é uma linguagem artistica em modo andaluz e que alcança qualquer etnia pelo encanto e sedução de sua força,  mas não se sujeita a existência quando sai por entre os dedos se suas emoções não são respeitadas a fundo. São mais de 30 anos em busca de uma explicação para estas transformações que ele causa nos artistas que realmente são picados pela mosquinha do flamenco. Não é uma moda na roupa ou numa dança modificada, tradicional, contemporânea ou fusionada ou mesmo na capacidade técnica dos músicos ou de quem canta. É uma assinatura que borbulha no sangue e extravasa pelos poros aquilo que a alma clama para não guardar numa somatização de sentimentos mais contidos ainda.

Menos é mais. Mas nem sempre o mais ou demais conseguirá se igualar a potência que tem o menos dentro desta esfera do flamenco. Então quais filtros se deve usar? Eu ainda não sei responder e talvez não consiga nunca.

Qual medida usar então? Eu uso o coração.  Quando vejo um trabalho, esqueço meus preconceitos e deixo a arte mexer comigo. Se der aquele arrepio na espinha, eu gostei. E isso não se relaciona com ser ou não moderno, atual, na moda do momento ou mesmo ter excelência técnica. Mas sim aquela identidade comum que esta arte causa quando os artistas encontram suas emoções e extravasam em seus dotes artísticos. Técnicas são para servir a emoção no flamenco.

Isso pra mim é Flamenco. Quem canta, toca ou dança precisa se libertar das barreiras para que vejamos e sintamos essa explosão, essa fulgaz emoção transbordar e nos fazer arrepiar a espinha de novo.

E pra você, onde está o flamenco? Na roupa, no tipo artístico ou na dança?
Onde?