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quarta-feira, 11 de maio de 2022

Vida


 Não há como negar que um dia todos iremos embora de alguma forma, vamos morrer...

Morrer é uma palavra simples, direta, objetiva e dura com significado de um fim. Mas é um fim material para quem é espiritualizado e fim definitivo para os que acreditam em uma única e solitária vida. Em ambos os casos sempre ficamos presos ao ciclo material, queremos coisas, conquistar coisas e fazer coisas no intuito de nos satisfazer  onde cada um os realiza segundo seus conceitos pessoais de como adquiri-los. Este é um fato e independe da natureza religiosa.

Queremos longevidade, queremos ficar o maior tempo possível até mesmo tentando burlar o inexorável tempo que atua sobre nós. Para quem pode de nada adianta apenas transformar-se fisicamente se enganando com o tempo embora seja um direito adquirido se satisfazer psicologicamente com isso. Nosso conceito de felicidade quase sempre passa pelas conquistas materiais que nos traz conforto, segurança e prazeres físicos. E isso não é ruim. Mas como aqueles que não tem, ou não teve, estes recursos é capaz de ser feliz com tantas dificuldades se a oportunidade de vida é a mesma? Claro, alguns com caminhos mais tranquilos e outros mais tumultuados...

É isso... o quê é viver bem? Como eu me sinto bem com a vida que tenho agora?

Ciclos onde sua capacidade de se superar é colocado à toda prova. Se acha que aquele que tem bens materiais é mais fácil pode ser um ledo engano sobre a felicidade embora tê-los pode facilitar.

Esquecemos de reparar com mais frequência alguns fatos nos dado de presente pela vida que é o ciclo de cada ser vivo, independente de sua natural consciência. Ali tem sempre um bom exemplo de aproveitamento e contribuição para o todo; uma verdadeira e natural parceria! Ignoremos a oportunidade em nosso "pré estabelecido" tempo para isso. Lidamos e quase sempre ignoramos tudo aquilo pelo qual não nutrimos nenhuma carga afetiva. Então nasce uma planta, dá flores, algumas frutos, perecem e morrem. "Que pena!" poderíamos apenas pensar, ignorar e seguir adiante ou apenas dar de ombros com este fato. Sim, até a planta é nossa parceira!

Uma vez escutei de um amigo astral que morremos a cada dia a partir do dia em que nascemos. E toda a diferença entre este dia que se nasceu e o dia em que morrerá é tudo aquilo que conseguiu fazer de bom e ruim e de como você conseguiu lidar com isso. É a mais pura, simples e real condição que temos aqui, mesmo que seja uma única vez segundo alguns pensamentos.

Não trarei a questionamentos aquilo que é bom ou ruim, mal ou bem, certo ou errado. Mas trago a natural implicância de meus textos ao questionamento de si mesmo; talvez o mais importante que faço em tudo o que escrevo. Meu processo crítico não é destrutivo, mas o inverso dele tentando mostrar que se pode conseguir muita coisa sem tirar proveito do outro denegrindo-o para sua própria satisfação. É uma árdua e difícil conjugação do "ser feliz" com "ser correto". Julgar sempre... é exatamente aquilo que não vim fazer neste texto sobre os conceitos morais.

Onde a vida entra nisso? Mais uma vez recaímos na natural condição de ter que escolher algum caminho imaginando ou tendo a absoluta certeza da plena satisfação. Às vezes o resultado não satisfaz, não é mesmo? O quê acontece? Temos que escolher de novo, e seguir a novas escolhas...SEMPRE! Escolher sempre!

E a vida? Tudo dependerá de seu conceito sobre ela. Mas nunca se deve ignorar que um dia iremos embora...ou quem amamos irá antes da gente.

E o ente querido que se foi? Como será que foi a vida dele? Apenas temos suposições por conviver e ver as escolhas que fez nesse período. Muitas das vezes nosso lado mais humano, o emocional, nos faz crer que aquele que "está indo" tem que ficar mesmo que a contra gosto e com tanto sofrimento na hora de se desligar. Queremos que fique mais e ignoramos o outro! A medicina já nos dá esse alento tentando sanar as dificuldades que os momentos de interferências na saúde surgem em nosso corpo. Isso é um presente adquirido com os estudos feitos nos sofrimentos do passado onde a resiliência aliado à sapiência nos enche de inúmeros conhecimentos para sanar e prolongar esse período que conhecemos como vida. 

Sim, ignoramos totalmente fatos inusitados de nosso cotidiano singular e coletivo, de como podemos apreciar as minúsculas e simples coisas boas da vida, de cada ciclo que temos ao nosso entorno como os ciclos do dia, das plantas e animais, das diversas convivências sociais que temos e do natural entrave com a divergência nos trazendo sempre um questionamento de nosso aprendizado particular. Isso é vida! A física! Dá pra entender que a cada 24 horas você tem esse prazer de observar essa natural condição e desfrutar?

Isso é vida! Seja na maior miséria ou na maior facilidade material se pode sim observar essas condições desta oportunidade chamada vida. O grau de importância que dá a seu respectivo ciclo, de como se observa nele e de como lida com a dificuldade, ou facilidade, e de como arcar com os resultados disso é que te faz observar minúsculas gotas de alegria, de conquista e daquilo que percebemos como felicidade ou de total tristeza segundo sua ótica.

Se olhar sempre com tristeza nunca conseguirá perceber o que de bom conseguiu provar, mesmo que tão diminuto e quase imperceptível. É óbvio que os que possuem facilidades podem se iludir com isso também. Então a oportunidade sempre será igual para todos e proporcional ao que você precisa pra perceber e conquistar a tal felicidade.

É um grande paradoxo ver pessoas com facilidades materiais serem totalmente infelizes assim como ver o paupérrimo se achar totalmente feliz. Sempre que olhar para o outro para saber se sua felicidade é igual, ou não, pode lhe dificultar entender isso. Nunca será olhando no outro que encontrará a sua! No máximo poderá, e acho isso bom, observar como o outro consegue viver em suas condições e ainda ser feliz. Isso é um bom exemplo a se seguir e, quem sabe, fazer melhor ainda.

Nunca se deixe abater pelos percalços que o momento possa lhe impor! Sim, dói algumas vezes. Mas tome este momento como uma "chamada" do seu momento para mudar alguma escolha que fez de forma equivocada. Às vezes o novo caminho pode ser mais árduo ou mais fácil, mas nunca será destrutivo se sempre se deixar levar pelo lado mais triste, mais consumidor e destrutivo. 

Pronto! Todos os dias tenho que exercitar minhas escolhas e ter um olhar para tudo de bom que consigo perceber, captar e/ou conquistar. Seja preso numa caixa de sapato ou livre pelo imenso planeta onde vivemos.

Acima de tudo, ser feliz é se sentir bem, sabendo lidar com as dificuldades e ter as barreiras como um exercício a se aprender, regozijar-se das conquistas, dos momentos ímpares de prazeres de forma moderada e de ter a certeza, sempre que possível e a consciência iluminar, de não ter causado nenhum dano ao seu semelhante, parente ou não.

Não precisa ficar se cobrando sempre e a toda hora, mas apenas colocar esse critério como um dos focos em sua jornada e ele ficará no "piloto automático".

Não dá pra saber definitivamente qual o tamanho do tempo que se tem para fazer isso, mas dá pra entender que a oportunidade que tem é essa que está agora...

Vida...

Curta a que você tem agora com todas as tristezas e alegrias que possui porque agora você tem a absoluta certeza de que está "vivendo". Apenas determine o foco de olhar positivamente independente do quê está adiante e faça essa diferença valer totalmente à pena quando seu tempo estiver chegando ao fim. Os que se foram tiveram sua chance e nós que ficamos, ainda temos a nossa... Esse deve ser o verdadeiro olhar! Nosso tempo!

Viver é como você olha um copo pela metade com água...está meio cheio ou meio vazio? Essa é a diferença... Pura filosofia!

Bóra viver?


segunda-feira, 25 de abril de 2022

Figurinista ou Estilista? meu perfil profissional...


 Como escolher o traje que irá usar em seu show? Escrevi um pouco sobre isso em vários artigos aqui no blog. Alguns de cunho crítico e outros mais instrutivos. Nem sempre todos leem ou quando o fazem escolhem concordar ou discordar. Apenas passam o olhar... Mas pensar sobre o assunto é o maior objetivo quando escrevo aqui o que penso, vejo e experimento. São as minhas impressões pessoais.

Antes de ter um nível acadêmico fiz muitos cursos artísticos com a artista plástica Eurídice Porto. Ali meu olhar sobre alguns ramos de artes pictóricas nasceu... fiz desenho à carvão, pinturas em tecido, óleo sobre tela, pintura vitral com resina e tintas diversas, modelagem em barro. Também ampliei minhas visões quando conheci a artista plástica Thaís Fontenelle que usava, abusava e transgredia em suas artes modernas tudo aquilo que era convencional em pinturas. Pra ela bastava ter uma superfície e algum material que lhe desse espaço para projetar nessa superfície aquilo que sentia, imaginava e pensava. Ela nasceu artista e só mais tarde foi conquistar a Escola de Artes Visuais do Parque Lage aqui no Rio de Janeiro.

Aprender com Eurídice, conviver com Thaís, fazer Arquitetura e depois frequentar uma faculdade de Moda me fez ser como sou hoje com minha arte nas roupas com a Flamenco y Modas. Óbvio que isso envolve a minha percepção de tudo embora haja somado todo esse conhecimento. É o que me dá a liberdade de expressar estes pensamentos todos!

Por uma questão de carência no mercado da época, entrei no ramo da construção de roupas espanholas, mais especificamente, as flamencas. Foi assim que cheguei até aqui trilhando, entre erros e acertos, desde 1990 em buscas na internet da época, pesquisas pessoais e de campo com alguns dançarinos e profissionais deste segmento, até conquistar neste tempo todo um perfil diferenciado e fora da convenção. Trabalho com roupas para dança flamenca e outras danças que tenha alguma afinidade, mas que não me impede de transitar em outras esferas.

Ambas as profissões são importantes e complementares assim como tantas outras e podem se acumular numa mesma pessoa caso ela deseje dominar todos estes conhecimentos.

Repito sempre que precisar: a meu ver o Figurinista é o Arquiteto da roupa e o Estilista é o Decorador ou, modernamente falando, Design de Interior. Da mesma forma poderia correlacionar analogamente o Mestre de Obras com o Modista e os Peões com as Costureiras. Todos são importantes em seus papéis e complementares entre si. Porém em diversos casos os de conhecimentos mais básicos tendem a querer usufruir de conhecimentos mais acadêmicos sem tê-los e podem cometer erros irreversíveis por conta disso. Uma pena quando isso ocorre...

Quando não conhecia nada sobre a arte de "criar" uma roupa a partir do zero eu apenas pegava moldes prontos, transferia para o tecido e fazia o restante. Isso não me impede de "ajustar" estes moldes conforme a necessidade da roupa.

Um tempo depois entendi que determinadas roupas possuem suas características próprias, como as étnicas, que necessitam mais estudos e de conhecimentos mais profundos sobre moldar roupas para não sair do limite dos moldes básicos, os tipos e estilos de acabamentos e tecidos que se pode usar.  A partir daqui o estudo do corpo humano e seus movimentos são imprescindíveis para começar a modelar, a criar e saber escolher melhor os tecidos com mais segurança para não passar por erros por falta destes conhecimentos quando qualquer tipo de dança será o foco. Já vi casas construídas por Mestres de Obras porque se achavam com bastante conhecimentos arquitetônicos e engenheiros. Deu erro! Algumas se tornaram nada funcionais, outras caíram em algumas partes e outras com duvidosa combinação.

Quando entendi que eu poderia bolar, moldar e construir uma roupa do zero sendo o mais fiel possível a concepção original dominando mais conhecimentos entendi o que é ser Figurinista. A roupa é totalmente criada para aquela especificidade.

Quando entendi que eu adaptava alguns moldes ou roupas prontas agregando alguma coisa pra trazer a lembrança de determinados estilos, como o nome já diz, eu "estilizo", chego por aproximação e trago apenas nuances ou lembranças daquilo que quero representar. Pois é por associação de imagens próximas da realidade que a lembrança acontece embora jamais virá a ter o mesmo resultado daquela roupa totalmente programada e voltada par o foco em questão seja ele qual for. Podendo, inclusive, criar as futuras tendências e influenciar o mercado.

Perguntei no dicionário mais popular atualmente e recebi inúmeras respostas as quais postarei algumas embora todas tenham o mesmo significado e, às vezes, com expressões diferentes. "diferença entre estilista e figurinista"

Embora tenham em comum o fato de trabalharem com pessoas e roupas, há diferença entre estilista e figurinista, já que são profissionais com intenções completamente distintas.

O figurinista se utiliza da moda para vestir uma pessoa e transformá-la em uma personagem. Ele é especializado em roupas que serão filmadas, é um mestre em close-ups e em costumes históricos. Na maioria dos casos, a roupa dele tem uma posição de subserviência em relação ao roteiro e as características da personagem.

O estilista, por sua vez, tem que usar o seu talento para antecipar uma época, mudanças de comportamento e criar tendências. É claro que bons figurinistas muitas vezes são capazes de inovar uma peça de roupa para reforçar a individualidade de uma personagem e, quando há forte identificação com o público, as pessoas vestem suas peças, levando o figurino a virar moda, inesperadamente.

 https://audaces.com/a-diferenca-entre-estilista-e-figurinista/ 


Achei interessante também colocar as etapas que cada um costuma seguir...

"Qual a função do estilista/figurinista?"

FIGURINISTA

Como o próprio nome diz, o figurinista é aquele responsável pelo figurino de uma produção artística, seja ela um filme, série ou peça de teatro.

https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/profissionais-do-cinema-figurinista#:~:text=Como%20o%20pr%C3%B3prio%20nome%20diz,s%C3%A9rie%20ou%20pe%C3%A7a%20de%20teatro.

ESTILISTA

estilista é o profissional criativo que desenha, idealiza e projeta as coleções de calçados, roupas e acessórios, de acordo com as tendências da moda para aquela estação.

https://www.unicesumar.edu.br/blog/o-que-faz-um-designer-de-moda/#:~:text=O%20estilista%20%C3%A9%20o%20profissional,da%20moda%20para%20aquela%20esta%C3%A7%C3%A3o.

Desta forma dá pra entender a extensão que cada um alcança e de como se adequar ao que se deseja.

O engraçado é que  em ambos os casos se pode fazer a mesma coisa mesmo tendo suas especificidades particulares.

A meu ver preferi explicar da maneira mais fácil de entender...

O Arquiteto da Roupa e o Designer de Roupa.

Meu perfil profissional? Sou os dois embora atue muito mais na criação do que na produção.

Deu pra entender quem sou?

Deixo a seguir os links de alguns artigos que escrevi com abordagens mais específicas com críticas e reflexões...

https://flamencoymoda.blogspot.com/2020/01/figurinos-de-danca-so-o-visual-basta.html

https://flamencoymoda.blogspot.com/2018/12/traje-de-flamenca-x-traje-de-baile.html

https://flamencoymoda.blogspot.com/2018/12/pronta-entrega-ou-sob-medida.html

https://flamencoymoda.blogspot.com/2018/11/cor-na-composicao-de-figurinos-pra-danca.html

https://flamencoymoda.blogspot.com/2018/10/compondo-figurinos-no-flamenco.html

https://flamencoymoda.blogspot.com/2013/01/moda-flamencaa-moda-sempre-faz-uma.html

https://flamencoymoda.blogspot.com/2014/06/moda-figurino-danca-quando-uma-roupa.html

https://flamencoymoda.blogspot.com/2015/06/joias-raras-brasileiras.html

Carnaval, um momento ímpar de felicidade...


 Carnaval era uma festa comemorada por conta do calendário cristão que antecedia a Páscoa e tinha outro teor. Hoje a data permanece do mesmo jeito, mas seu teor foi modificado e adaptado às festividades do mundo como uma grande e verdadeira festa popular. Esqueçamos temporariamente o fator da pandemia que "adiou" essa festa por uns instantes. Aliás, muitos eventos de cunho religioso se adaptaram com o passar do tempo para esse popularismo. É do povo, mas a maioria foi elitizado e virou comércio mesmo. Isso não é ruim porque gera muitos empregos temporários e une, quase sempre, as comunidades de suas agremiações aumentando os laços entre eles e, queria eu, que as outras partes da sociedade se lembrassem desta camada ao longo do ano e não somente neste período. É, também, um grande movimento que exige uma grande logística em parceria com as prefeituras locais e outros setores correspondentes. 

Não vim ver as partes negativas porque estas são noticiadas ao decorrer e após o breve período festivo. Mas abordar o que vem a ser essa festa após 2 anos de isolamento é um bom ponto a se olhar sim! Ficamos totalmente à margem de um isolamento emocional, psicológico e uma privação de uma das maiores relações naturais do ser humano, a social. Vivemos em primeiro plano um caos comparado a outras fases históricas onde perdemos muitos no nosso entorno. E perdemos em todas as direções infelizmente... Isso parece ser cíclico no decorrer de nossa história e devemos sempre ficar atentos para saber como agir nestas fases duras. Agir com mais sapiência e parceria coletiva para evitar ou diminuir os danos de eventos com estas proporções.

O bom disso tudo é ver como precisamos loucamente de convívio social seja comunitário ou o mais natural da vida, de como isso também nos alimenta e nos faz trocar diversas energias das quais pensarei nas positivas.

Festas em conjunto, alegrias, esquecer os problemas da vida e olhar para uma direção chamada felicidade. Para muitos uma felicidade com preços variados e para outros apenas um momento de puro desligamento de tudo, seja deste evento comunitário ou de outros isolamentos como um grande feriado ou recolhimento religioso. Em todos os aspectos eles são válidos e necessários para cada grupo desde que respeitados seus espaços e focos respectivos. Também é um momento de gritar aos 4 cantos por uma maneira inteligente e de diversas formas artísticas as razões de cada um, cada grupo e cada agremiação durante este período.

Ser feliz mesmo que dure um tempinho, uns minutos, umas horas, alguns dias ou o tempo que for. Isso importa em nossas vidas e também é uma das motivações para seguir cotidianamente atrás destas gotas de felicidade ao longo de cada vida em particular.

Mas precisamos ser mais inteligentes e menos egoístas. Olhar para tudo e todos que envolve essa grande festa sem esquecer ninguém ou nenhum grupo ou comunidade. Quando agimos assim teremos mais alegrias, mais felicidades e sem deixar espaço para algumas tristezas que por si só abre sempre um espaço para tudo o que não queremos, seja para uma família, grupo pequeno ou pior, como um exemplo nefasto de cada período festivo.

Como não dá pra ser feliz e correto ao mesmo tempo?

Dá sim! Em casos práticos é uma logística trabalhosa onde nenhum dos grupos envolvidos pode ser ignorado. Com o passar do tempo algumas destas falhas se repetem e não acho que deveríamos esperar acontecer para tomar tardiamente alguma providência. Somos inteligentes e podemos ser mais empáticos ainda do que estamos sendo. Os erros do passado servem como um olhar àquilo que precisa de atenção evitando sua repetição.

Felicidade é para todos e não apenas para um grupo seleto.

Em um momento tão necessário às nossas vidas podemos ser mais empáticos, simpáticos e menos gananciosos ou egoístas. Dá sim pra ser feliz no Carnaval ou em qualquer outra festa comunitária.

Basta querer mesmo e pensarmos uns nos outros, compartilhar dos mesmos ensejo e dividirmos esse breve período anual de nossas vidas para nos revitalizar e seguir adiante, E dá trabalho ser feliz... muito trabalho, muito esforço e muita conquista pra tão pouco momento de se regozijar com a felicidade.

Ser feliz todos os dias é também poder ver que acordou, passou por todo o ciclo do dia e chegou ao fim dele. Cada um no seu momento... em situações muito ruins ou totalmente oposta sempre que conseguimos chegar no fim de um dia e acordar no outro é uma dádiva de felicidade. Poder ter mais um dia para lutar e encontrar nesse período diário as gotas de felicidade que enchem um copo ao longo da vida. Copo este que terá o tamanho de seu olhar em relação à felicidade.

Esta felicidade tem que ser focada nessa vitória diária de estar vivo, de conseguir vencer as diásporas individuais sem se comparar com os outros.

Há 22 anos meu pai deixou para cada filho alguns recadinhos pessoais e que estamos entendendo agora. O meu foi bem especial para mim por conta de toda diferença que vivemos e que sei que foi um enorme aprendizado para nós dois. Meu recadinho pessoal foi:

- Ricardo, a vida é muito curta para dar espaço a sofrimentos tão naturais e normais do ser humano. Eu fiz muita coisa errada, mas aprendi que ser feliz é o mais importante. Portanto, se há algo importante a ser dito é que deve correr e conquistar a sua felicidade. Eu vivi para isso e só descobri agora. Vai ser feliz porque descobri que fui feliz...

Tão poucas palavras com tantos ensinamentos embutidos nas entrelinhas...

Para quem não sabe, meu pai sofreu de câncer de cólon (intestino) e foi consumido pela metástase durante 6 anos e a enfrentou com bravura indômita. Mesmo sendo consumido nesse tempo ainda conseguia dar lições quando sua sanidade permitia ou quando percebíamos em seu sofrimento pessoal como tirar gotas de felicidade.

Bóra ser feliz?

sábado, 9 de abril de 2022

Virgem com ascendente em Áries

 Pode parecer coisa de astrologia, mas não é. Sou eu! A difícil tarefa de estar sob esta configuração além de trazer a natural carga espiritual. É isso…

Muitos falam de algumas características pertencentes aos signos. De fato, a maioria é presente sim. No meu caso o mais arrepiante e difícil de lidar é o fato de ser observador a nível meticuloso, quase minimalista e mais carregado de pequenos detalhes que transformam minhas observações em dolorosas críticas. Isso serve até pra mim mesmo. E como dói!

Meu pai foi um exemplo sobre adquirir conhecimentos e aplicá-los conforme sua consciência era consoante. E deixou isso como um de seus legados para todos seus descendentes.

O estado de consciência diz respeito ao fato de estar vivo e atuante no corpo em questão e de usar suas faculdades humanas aliadas ao seu caráter. E aí tem dois fatores fundamentais que pesam no uso disso tudo: a emoção e a razão. Estes dois “fatores” te obrigam a usar o famoso bom senso que tem seus fundamentos baseados no equilíbrio dos dois. Mas como saberei se estou equilibrando-os?

Diz a espiritualidade que a maior provação vem com a Lei do Retorno onde se colhe o resultado proporcional ao plantio. E sim, é certíssimo! O negócio é que nem sempre o resultado vem na medida que a ansiedade humana pede… como lidar com isso? Estou aprendendo…

Sim, a mim essa necessidade de uma resposta me gera ansiedade e inquietude nas minhas decisões. Estas emoções atrapalham! Basta relaxar e seguir com os outros caminhos. Mas não é bem assim! Essa condição emocional às vezes bagunça tudo! Ser equilibrado não é fácil! Isso fica pior quando está ligado diretamente as relações sociais.

Escolhas sempre ditarão porvir, mas nem sempre estamos alertas a isso.

O mais difícil é crer que se aprendeu algo, internalizou e acredita que racionalmente este mesmo conhecimento os outros ao seu redor o terão ou você o passará de tal maneira que será compreendido e todos agiremos muito próximo disso. Não é bem assim! É onde a gente pode ter decepção. Aliás a decepção é emocional! Se a gente ainda fica triste com a decepção ainda temos que digeri-la e respeitar a decisão do outro. E isso faz parte das diferenças de cada um… confesso que é uma lição muito difícil pra mim para lidar. Quando a gente nutre um apreço pelo outro as emoções de carinho e proteção tomam conta e a gente acaba deixando de ser amigo para querer atuar como pais, protetores de seus pseudo filhos! Isso pode ser um grande erro e trazer consequências como a indiferença do outro e às vezes o isolamento. Ah sim, eu enfrento isso! Sou humano e sempre sofro com isso. Essa é a maior dificuldade no aprendizado da vida: controlar as minhas emoções e lidar com as dos outros. É uma prática diária com diversos resultados onde alguns agradam e outros machucam.

Essa luta por descobrir quais são suas lições de vida, como lidar com elas e gravá-las quando acerta é uma coisa de louco! Isso é vida!

E os prazeres da vida física, ou material, onde ficam? Ficam também associados às escolhas. Tudo na vida é escolha! Tudo sem nenhuma exceção. O que se recolhe com elas é a grande questão. É o que você escolheu sozinho e o que escolheu quando existe pessoas envolvidas. Esse treco é difícil e pode trazer dores emocionais. Mas quem disse que não há satisfação também?

O valor de alguns bens adquiridos nem sempre está tão ligado ao processo de acúmulo de domínio espirituais. Ninguém é um robô onde se enfia um chip e ali se procede exatamente como “comandado”. Mais uma vez caio nas questões humanas.

Sim, quem disse que não devemos nos deliciar com as coisas que podemos ter, obter ou mesmo comprar além dos presentes da natureza? Seria mesquinho não usufruir das descobertas por conta da natureza da vida… animais não precisam disso. Nós é que os domesticamos e os humanizamos. Mas nós sim, precisamos disso.

De forma comedida é difícil lidar com a impulsividade. Outra vez esse jogo de controle emocional e racional fica me atazanando. Treco difícil se ver dentro desse jogo… Confesso que às vezes sou bem impulsivo para compra, mas outras consigo liquidar essa emoção. O fato é que esta necessidade de se satisfazer para se sentir bem de acordo com as possibilidades não deve nunca macular os que estão ao seu redor. Talvez por isso eu seja tão exigente comigo, o que pode trazer sofrimento algumas vezes, e com os outros.

O conceito de Certo e Errado está bem relacionado com a razão de cada um. Isso pode ser perigoso quando o egoísmo se apresenta e num impulso se comete para se satisfazer. Em questões sociais isso sempre ocorreu. Muitas vezes até se cede algo para dizer que fez e tapar um estrago ainda maior. E aí, isso é maldade? Está certo ou errado? Depende do ponto de vista…

As escolhas que fazemos segundo este conceito acertivo ou não sempre será como olhar um copo com água na metade. Será que está meio cheio ou meio vazio? É, causa bastante diferença e divide demais opiniões. E isso pode trazer decepções porque julgamos os queridos a pensarem como nós. E aí vem mais uma escolha… de fato pra mim o respeito ao diferente é o primeiro ponto crucial nestas diferenças. A aceitação varia e me leva a outra escolha: será que quero conviver com gente que a meu ver prejudica o outro pra se dar bem?

Eu aprendi e gosto deste resultado. Porém ele ceifa demais muitas pessoas. Ninguém é perfeito e obviamente me incluo nisso. Mas eu não consigo lidar com pessoas assim. Não sei dizer se feliz ou infelizmente. Quando muito convivo na base do respeito se for obrigado a sempre estar com estas pessoas. A tolerância por necessidade me obriga a dar limites para não haver desavenças. E levo numa boa até realmente a paciência acabar.

Poderia ficar horas escrevendo e especulando sobre o que passo. Mas é um fator humano e espiritual as relações. Os conceitos de bem e mal, de bom e ruim, de certo ou errado devem ser comedidos e usados segundo seu nível de consciência. Sempre olhar para o outro é mais fácil e erramos ao decidir ou julgar os atos alheios. Nos desconfortamos quando o revés acontece se estamos naquele instante com as emoções abaladas. Uns aceitam, outros repudiam e outros apenas ouvem, refletem e tomam novas escolhas segundo seu discernimento.

Pare de pensar constantemente em evolução toda hora e comece a comedir isso tudo. O tempo sempre foi o maior aliado pra isso e é conquistando um pouco de conhecimento que se vai evoluindo não importando quanto tempo possa levar. E que essa medida de tempo seja intangível ao nosso limitado conceito físico. Apenas deixar acontecer e saborear a colheita! Não adianta querer pular degraus na escada porque não dá certo mesmo!


É isso...vida que segue nas palavras quentes de um Virginiano com ascendente em Áries. As vezes dói e outras conforta. Língua e pensamentos de fogo!

Coisas das minhas escolhas...

sexta-feira, 8 de abril de 2022

O Dia do Cigano, 08 de abril

Já aviso: ARTIGO LONGO. Tenha paciência para ler, pensar, refletir e achar o que quiser.

Pra quem me conhece sabe o quanto sou admirador da etnia e da cultura, do quanto me envolvi artisticamente no passado, o quanto me envolvo hoje e o que penso sobre toda essa vivência que tenho. Mas cabe realçar pelo dia de hoje  a importância daquilo que mais se fala aqui em nosso país por conta de seguidores xenófilos a etnia. Não explicarei outra vez o significado desta palavra por já ter feito isso em artigos passados. Basta procurar aqui no blog os artigos sobre a etnia.

Declaro que não sou, não pretendo ser e não falseio minha identidade étnica como cigano. Mas para aclarar o dia de hoje não dá apenas para ressaltar a importância deste dia sem também não apontar algumas questões que passa despercebido por muitos. Que fique claro que a intenção não é polarizar ou mesmo trazer discórdia, mas reflexão de ambos os lados.

O que mais se fala entre ciganos (aqueles que se manifestam) é sobre ser discriminado, apontado e perseguido. Essa é uma história longa de herança cultural. É muito delicado tocar neste assunto porque eu, como um gadjo, payo ou garrom (são palavras em alguns dialetos da língua deles que significa "não cigano") estarei falando deles; coisas que eles mesmos não gostam muito e alguns ficam até possessos! Já fui apontado algumas vezes por eles por conta disso. 

Mas ao expor o que penso a eles (os que me conhecem e comigo tem contato) a grande maioria entendeu. Chegamos a um ponto em comum.  Para uma convivência harmônica entre grupos étnicos não dá pra se sentir ofendido e distorcido se não cede um pouco de sua cultura para que não sejamos ignorantes e muitas vezes até toscos. Dizer que "está errado, que não existe, nunca existiu ou qualquer outra invenção ou crendice" sobre sua etnia se vocês não nos ajudam a compreendê-los melhor e fazermos respeitá-los por isso. Estes se mostram inertes e sei algumas razões para isso. Enquanto vocês não se defendem de maneira inteligente, muitos de nós continuarão a perpetuar essas coisas erradas a seu respeito. E não por maldades! Mas porque carregamos um sentimento pela etnia de admiração e que não sabemos como lidar com isso. E por desconhecermos alguns pontos essenciais da cultura acabamos por errar, mas sem maldades. E é aí que os oportunistas (ciganos e não ciganos) invadem e contribuem para a distorção aumentando tudo aquilo que vocês não gostam. Me engasgo, haja vista que minha voz não tem peso entre vocês, toda vez que vejo ou escuto algum cigano fazendo descaso com os seus não se importando com o que acontece, muitas vezes apontando os erros dos outros mas literalmente não movem uma palha para alterarem isso! Quando muito, são oportunistas desta situação! E ainda querem "exigir" respeito só por serem da etnia... isso tem nome! 

Me lembro bem da minha amiga e escritora Cristina da Costa Pereira, que tem 7 livros dedicados a vocês, me dizendo "Ricardo, nossa palavra não tem peso nessa luta! Por mais que consigamos esclarecimentos e digamos apenas o fundamental será o próprio membro da etnia que terá que fazer valer sua palavra. Muitas vezes o silêncio deles corrobora pra tais distorções. Infelizmente só podemos observar como eles, os tutores vivos de sua cultura, agirão daqui pra frente. São eles que têm que estudar, conquistar espaços em nossa sociedade para defender legalmente seu povo e mostrar que ambos podemos conviver em paz e harmonia. O que é velado deles que continue em casa, em seus lares e comunidades. Mas é triste eles perderem a oportunidade, seja em fóruns sócio-políticos, cenas culturais e outros meios a oportunidade de esclarecer isso e dar um ponto final. A cultura é deles e são um povo vivo e atuante sim, mas que deixam passar estas oportunidades". Eu ainda completaria com os oportunistas daqui e de lá que fecham estas portas; como já disse acima.

É fácil ver estas distorções em novelas (mesmo que apenas inspiradas na etnia), festas temáticas e se agrava mais ainda quando observamos os caminhos ligados a religião, em especial o espiritismo onde diversos e supostos espíritos de ciganos se manifestam demonstrando aos ouvintes leigos da cultura e os responsáveis por cada "templo" todo tipo de superstição, lendas e informações históricas e culturais totalmente fora de uma realidade ainda viva, de desinformação sobre a sua diversidade religiosa, de vestes e paramentos e pior, uma língua mista de português e espanhol para toda a diversidade de dialeto que existe entre eles. Isso também alimenta tudo o que eles não querem e faz descrer mais ainda na verdadeira espiritualidade, uma das filosofias que prega o auto conhecimento para entender seu papel no universo. De certo, um cigano verdadeiro que queira seguir este caminho após desencarnado não perderá seu precioso tempo se manifestando nestes ambientes onde nada os representa nem em quesito de força! Ali vai se manifestar o "mulô", o "egun" ou de forma mais clara o "obsessor" que tem como uma de suas propriedades se apresentar exatamente da forma que o ignorante, letrado ou não, se encante e caia sob seus auspícios fazendo os estragos ao longo do tempo com suas ilusões. A moda ficou tão criativa que até inventaram centros espíritas ciganos batizados de "tsara" (casa ou barraca, em uma das línguas deles) como se todos os membros da pluralidade étnica deste povo usasse a mesma palavra para o mesmo significado e todos tivessem o mesmo comportamento vindo de tantos países diferentes em sua história. Isso só mostra o quão desconhecem, seja o zelador ou mesmo seus médiuns e visitantes que acreditam, a verdadeira face da etnia. Nem perderei meu tempo falando de inventados rituais ditos ciganos...

Conhecemos e alimentamos o lado mais lúdico da etnia... o das fantasias da Idade Média ou dos pequenos e notórios grupos de ciganos nômades, os mais visíveis dos invisíveis em nosso país. Quase sempre a maioria de nós desconhecemos os seminômades e os sedentários. São grupos que se adaptaram ao mundo moderno, possuem algum nível de instrução e outros que até doutorado em alguma carreira conquistaram e estão entre nós sem sabermos! Estes ninguém quer saber ou mesmo respeitá-los em suas raízes; mesmo que não vivam fantasiados como nossa imaginação fértil dita e tanto forçamos a barra para ser. 

É deprimente e vergonhoso saber que em algumas cidades do interior, e das capitais também, que muitos não ciganos e que até se dizem representá-los fazem festas temáticas, feiras esotéricas e feiras de artesanato pra venderem suas obras inspiradas na etnia. Mas são capazes de negar, perseguir e até mesmo a prender quando os verdadeiros ciganos vendem seus artesanatos como panos de prato, panelas ou outros tipos de produtos. Os conselhos tutelares de muitas cidades por onde os ciganos estão querem retirar suas crianças de seus familiares ao invés de querer saber por qual razão aquelas crianças estão nas ruas com seus pais e não em escolas ou mesmo saber por qual razão alguns membros ficam doentes e são expulsos de centros médicos, ambulatórios e hospitais. Dá vergonha ver isso e deixar passar em branco em pleno século XXI! E logo aqui neste país onde, mesmo eles sendo perseguidos e discriminados, somos o único país do mundo que nutre uma xenofilia aos ciganos. Sinto a mais pura vergonha disso...

Muitos querem ser ciganos, se batizam ou se apresentam como tal sem sê-lo. Nunca houve na história da humanidade e da ciência a conversão genética para outra etnia; salvo ser descendente geneticamente falando. Ainda assim, teriam que ser criados na cultura para serem melhor aceitos entre eles. Segundo o psiquiatra Almir Ahmed e amigo de Cristina da Costa Pereira, "quando as pessoas falseiam a sua identidade revelam uma relação fraca com sua verdadeira identidade, não estão satisfeitas com ela, sentem-se inferiorizadas. Mas percebo que há dois comportamentos distintos nessa questão da falsa identidade cigana: 1)- pessoas que se dizem ciganas para obter lucro material, seja na área da dança, da música, das artes de adivinhação. Eu diria que isso se diagnostica como um distúrbio do caráter. 2)- pessoas que se dizem ciganas não para obterem lucro material, mas o que elas acreditam ser um ganho emocional, um aumento de sua autoestima. Isso caracteriza um comportamento histérico; o que em psicanálise se chama histeria."

O céu é meu teto - em qualquer lugar que estejam no mundo seu telhado está sob o maior de todos os tetos; o que talvez explique que não há limites para onde ir quando ali são indesejados. A casa é "enorme" e tem o maior de todos os tetos.

A terra é minha pátria - embora vários países o ignorem, sua pátria é onde residem, cumprem as leis e pagam como qualquer outro cidadão, mesmo que sua cidadania não seja reconhecida. Eles adotam os costumes locais e misturam aos adquiridos ou herdados das viagens familiares.

A liberdade é minha religião - a maneira mais simples, óbvia e que toda filosofia prega... o livre arbítrio. Eles sabem muito bem como plantar e como colher o que escolhem. Reconhecem quando ultrapassam seus limites assim como nós mesmos fazemos em nossa sociedade. Nós, os não ciganos, apenas ignoramos isso.

São lições aprendidas a duras penas pelas estradas por onde passam...

Enquanto os países cantam seus hinos para honrar sua força como nação, suas forças armadas, seu orgulho por ser povo altivo e de cultura forte e suas lindas terras varonis o hino cigano foi forjado sob lágrimas sanguinárias de tantos assassinatos e mortes injustas. Este hino é em homenagem e reconhecimento aos antepassados por sua indômita bravura e resistência, orgulho por serem quem são (mesmo nas sombras) e por se unirem e uns estimularem aos outros a jornada e a conquista de seus direitos sociais nos lugares onde vivem, onde são cidadão e clamam por isso.


Fomos educados a silenciar e a honrar as nossas bandeiras (todos os povos do mundo) e ridicularizamos a deles dançando com ela, fazendo insinuações ou mesmo bordando frases e nomes nela; o que seria crime em muitos países do mundo! Às vezes nós que nem somos da etnia levantamos sua bandeira para alimentar nossas fantasias de teatro, de inválida e suposta cultura cigana sem mesmo ter um deles  que honre este hasteamento como seria em qualquer outro país. "Ah mas eles não tem país!" já ouvi isso muitas vezes... minha resposta foi "por qual razão então você não usa a bandeira de seu país ao invés da deles se é que, a seu ver, não existe?". O silêncio foi a resposta que recebi. Sua bandeira tem significado para eles e devemos respeitar profundamente isso. O azul é o teto de todos eles, o verde é o chão por onde passam e a roda são todos os povos ciganos do mundo se juntando em apenas um só: a romá. Vermelho? Preciso mesmo explicar?

Na verdade a palavra "cigano" ainda traz significados diversos e quase todos pejorativos; o que faz que muitos deles sequer a use pra se identificarem. Se reconhecem como "romá", que significa sua pluralidade. Para acabarmos com essa diferença e preconceito deveríamos adotar essa palavra e apagar a outra... seria uma das maneiras, no mínimo, de demonstrar o quanto queremos e os respeitamos como merecem.

Mas reconheço, apoio e me uno aos poucos que sabem e entendem as necessidades de cada foro, de seu foro e ali se torna uma força para exigir seus direitos constitucionais. Se cada grupo local ou familiar conseguisse ou se, ao menos, se interessasse em fazer isso ficaria menos difícil lidar com tanta divergência e oportunismo de poucos elementos na construção dos Direitos dos Ciganos em trâmite há anos lá na capital do Brasil. Enquanto houver a necessidade de colocar um único representante da diversidade dentro da etnia, ficará difícil resolver e/ou consertar os erros quando o projeto for aprovado. Para quem bem sabe não existe títulos de nobreza entre eles para que fiquem subordinados apenas a uma figura. Mas sim pode-se conseguir um representante de cada grupo (calon, rom, sinti, romanichal e etc) para entenderem as particularidades de cada subgrupo e fazer as devidas alterações e reinvindicações. Não entendo de legislação, mas creio que sei um pouquinho sobre a romá. Não quero nada pra mim a não ser ver a conquista e o respeito por meus amigos romá. Eles que se entendam e se organizem de forma justa a representarem dignamente suas famílias e seus grupos. Estarei sempre dando meu apoio nessa causa! Façam valer o que significa a sua bandeira!

Sobre tudo o que penso, vi e vivi sobre os romá é só "fuçar" os artigos antigos neste blog. Ali entenderão tudo o que escrevi hoje.

E para finalizar, poderei até receber "pedradas" e  tudo o mais que signifique estar realmente correto por apontar diretamente nas feridas dos dois lados. No fundo gostaria que outras pessoas como eu agissem em prol da etnia, segundo a possibilidade de cada um, para acabar com tanta coisa feia e fazer as devidas menções em todos os segmentos que existem no país de forma limpa, correta e honesta sem massacrar a cultura deles.

Estas pedradas poderão me atingir e pra mim significarão quantos se sentiram enquadrados em tudo no que diz respeito a ser, de forma lúdica ou algoz como bem diz o psiquiatra Almir Ahmed, contra a verdadeira cultura pertencente a etnia romá...viva e atuante.

Que sigam adiante valentes e corajosos como sempre!

"Opre Romá"



sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Imaturidade ou Oportunismo no ensino das Danças?

 

Desde que eu estudo e ensino Dança Flamenca, ou seja, quase quarenta anos, me deparo com um quadro onde existem vários professores desqualificados. Mas seria por falta de conhecimentos, imaturidade ou oportunismos? Declaro que muitas vezes vejo um bom mas imaturo professor de dança que depende de seu bom senso e de mais preparos para ser o que o futuro lhe reserva quando sabe-se de sua imaturidade. Isso não quer dizer que não deva ensinar, mas ser sincero com seus aprendizes alertando-os de sua real capacidade naquele momento. Já será uma boa demonstração de seu caráter...

Nunca será difícil encontrar em todas as danças gente que acha que sabe ou que já pode ensinar. Me lembro quando iniciei imaturamente porém com um tutoriado de minha antiga professora que orientava e me dizia o conteúdo do que eu poderia e o alcance segundo meus conhecimentos. Por um bom tempo Sonia Castrioto me dizia o quanto deveria continuar meus estudos e agregar mais conhecimentos em prol da dança e mais ainda por conta de ensinar.

A maioria das danças de matriz étnica não possui um regime, uma normativa ou legislação para reconhecer profissionais salvo o dito "notório saber". E é aí que mora o perigo quando maus profissionais, os ditos oportunistas, se utilizam de sua vaidade para "formar" e dizer que aqueles indivíduos, muitas vezes inocentes do que fazem, podem dar aulas ou dançarem profissionalmente. Piora quando a instituição credora de "notórios saber" cobre estes profissionais por puro interesse financeiro sem se preocupar com a idoneidade de quem aprova e piorando o mercado destas e de outras danças.

Não dá pra dizer com 100% de certeza que estes professores imaturos estão totalmente errados. A maioria se observa até terem o talento e é notório visualizar seu potencial para o ensino. Isso ocorreu comigo! Queria que seus "tutores" levassem mais a sério o que fazem quando os liberam para ensinar ao léo... Alguns destes novos professores despertam para esta realidade quando se deparam com outros mais experientes e correm atrás do prejuízo. Os outros preferem nutrir-se deste despreparado conhecimento e seguir vaidosamente o caminho do ensino imaturo ou visualmente oportunista da situação.

Nem é dizer que temos a falta de professores qualificados, segundo o notório saber, para dar este suporte e "liberar" os novos professores quando um mínimo suficientemente responsável é reconhecido. O grande problema é ver grandes profissionais literalmente apoiarem estes professores por conta de uma visão oportunista quando se nutrem de seus "netos" da dança em seus eventos, festivais e qualquer mercado que aparentemente se apresentam como grandes divulgadores das danças. Sim, mas sem qualquer critério fora se alimentarem financeiramente das vaidades de quem se amostra ali. Existem eventos respeitados pelo seu conteúdo profissional em todos os sentidos onde cada um tem seu devido lugar com seu devido mérito sem desqualificar o nível de cada um por isso.

Em ciclo de pandemia nem é o fato de ter ou não mais alunos, mas é outro problema que independe da qualificação profissional. Depende da capacidade de adaptação ao aprendizado remoto e de aprender-mos, professores e alunos, a lidar com as intempéries deste processo. São os "delays" e uma enorme dificuldade de ensinar à distância sem poder corrigir de forma mais apropriada o aprendiz. Ganha-se e perde-se neste processo.

Existe outro fator para a perpetuação deste processo de imaturidade que é o "achismo" de outras pessoas de outros segmentos da dança que creem saberem aquilo que ensinam, afirmam categoricamente que é aquilo mesmo e se baseiam em outros maus professores como se uns apoiassem aos outros nessa leva de mentiras culturais.

Tirando o processo de um nível superior em dança mesmo que despreparado para todos os tipos de dança, só resta o crivo da desatualizada lei 6533 que abre brechas para que artistas bailarinos e dançarinos ministrem aulas em diversos estabelecimentos. Mudar leis é um processo totalmente letárgico em nosso país. Envolve interesses políticos de esquivos políticos e de falsos interesses culturais. Vemos isso a cada ciclo eleitoreiro. No processo político me esquivo de falar. Vemos os resultados ao longo de décadas de descaso com o ensino. Fica notável como a ignorância cultural é uma boa ferramenta para oportunistas de diversas categorias apoiados por esta carência legal.

Sempre me disseram que falo demais, que só apresento o lado negativo das situações e por isso, me veem como o "senhor de verdades absolutas", arrogante, metido e tantos outros adjetivos que nem necessito aqui mencionar. De fato, aponto falhas! Cansei de ouvir de colegas diversos falar mal de outros por conta dos inaptos trabalhos deles como professores, bailarinos ou coreógrafos. E não nego que já fui assim também! Mas o tempo ensina a quem quer aprender. 

Como faço hoje? Apenas observo e ensino a quem está em minha sala de aula, indico outros que ensinam como eu, ensino aos alunos a pensarem e serem melhores em suas escolhas. Desta forma acredito que o mercado pode melhorar, ainda que sendo uma formiga por vez, e colocar de escanteio os maus professores de dança. Vivemos em pleno momento onde temos melhores acessos a conhecimentos para melhor exercermos nossos papéis de professores de dança ou, como diz a lei 6533, quem não tem nível superior deve se apresentar como um "instrutor de dança"; fato até racionalmente aceitável haja vista que o "notório saber" não tem as qualificações de um nível superior e nem por isso nos coloca como menos valido no mercado. Conheço muitos instrutores de mais valor que muitos com diploma de formação, com mestrado  e etc!

É com essa premissa que aplico em meus caminhos que inventei uma classificação que só os mais experientes, independente de seus níveis de conhecimentos, entenderão. São 5 os tipos de dançarinos e bailarinos que temos no mercado. generalizarei o termo para facilitar a compreensão:

1) Bom Bailarino e Bom Professor

É aquele que atua bem nos palcos e também tem conhecimentos suficientes para ensinar nas salas de aulas

2) Bom Bailarino e Mau Professor

É aquele que apenas tem os atributos para atuar nas cenas faltando-lhe alguma experiência, conhecimentos e/ou vocação para ensinar

3) Mau Bailarino e Bom Professor

É aquele que, oposto ao item acima, sabe ensinar por ter os conhecimentos suficientes e, obviamente a vocação, mas não é bom bailarino nos palcos

4) Mau bailarino e Mau Professor

Sinceramente este nem deveria estar na dança! Alguém deveria indicar outros caminhos a seguir. Mas quem tem a coragem e sinceridade pra isso? Eu tenho, mas felizmente isso nunca me ocorreu até hoje nas minhas salas de aula.

5) Mau Oportunista

Este se encontra em todos os itens acima e poucos sabem reconhecê-lo. Deveria ganhar um Oscar como ator!

De fato lidaremos com a estética do caráter em qualquer circunstância em todo tipo de relação humana. Essa é uma das características do ser humano a qual devemos aprender a enxergar e melhorar nossas escolhas. Isso não quer dizer que os oportunistas acabarão, mas se usarmos do bom senso, da nossa capacidade de questionar e refletir poderemos errar menos ou melhor ainda, seque errar nas escolhas no processo do aprendizado. É uma busca constante!

Faça sua escolha e prepare-se para colher boas ou más consequências delas!

Simples ou não?

Boa sorte!



sábado, 23 de outubro de 2021

Flamenco y Moda

 


Sim, o título é uma observação às minhas postagens.

O Flamenco tem sido minha ferramenta de reflexão naquilo que vivo diariamente. Essa é uma arte totalmente passional cujas formas de expressão se rende a uma matriz cultural enraizada na Andaluzia, sul da Espanha. Essa história já está mais do que contada e de fácil acesso com o advento da internet e seus sites de pesquisas.

"Moda" que uso no título não é apenas para divulgar o que construo com figurinos; o que raramente faço através deste blog. essa palavra designa aquilo que se usa no cotidiano, que direciona o outro e que mostra tendências de como " se vestir" implantando uma linguagem daquilo " que se quer ser ou parecer" e como se apresenta para os outros e etc.


E é sob este aspecto que mergulho em meus pensamentos e os publico aqui. Sim, sou artista flamenco, sou figurinista e estilista de roupas, faço artesanatos diversos, sou pesquisador da arte flamenca e da etnia cigana, adoro animais, gosto de cozinhar, de comer e de tantas outros deleites da vida que resolvi compartilhar aqui o que penso e de como ajo na minha vida. 

Para muitos eu sou uma pessoa que ajuda a pensar, levo alento em forma de letras e palavras e crio momentos reflexivos daquilo que vivi e vivo enquanto relato. Aos que não gostam nada posso fazer porque minhas postagens são para quem gosta de ler, de pensar e tirar conclusões pessoais. Não intervenho na vida dos outros para dizer o quão certas ou erradas estão porque eu relato as minhas vivências aqui e prefiro trazer à tona aquelas que são boas e trazem expectativas positivas quanto a vida. Aqui evidencio a minha...

Tudo que escrevi aqui é o que sou na realidade do meu cotidiano, é o que passei e o que venho passando atualmente. é a forma que encontrei de me amostrar ao mundo sem ser nas mídias sociais. Receber elogios e críticas positivas é uma resposta tão gratificante do que venho fazendo porque ajudo outras pessoas até mesmo sem as conhecê-las. 

Em tantas postagens ao longo destes anos somente uma eu tive que bloquear o comentário porque usava de palavras negativas, repletos de palavrões pelo simples fato de ser contra tudo o que escrevi. Bastava apenas não seguir mais ou sequer ler os escritos. Ainda assim, em privado agradeci a interferência desta pessoa e prometi rever minhas formas de exposição e de pensamentos. Mas que não permitiria comentários do nível que se expunha tal indivíduo. Recebi como resposta que eu tomasse naquele lugar... É disso que falo, de escolhas. Eu escolhi não ter gente assim em nenhum de meus caminhos, inclusive aqui. Matando a curiosidade de muitos, eu apenas não respondi mais este indivíduo. Desejei em pensamento que ele encontrasse aquilo que o satisfaz, que lhe traz alegria e felicidade e se transformasse numa versão melhor dele mesmo.  

Por quê fiz isso? Porque já fui igual a esse indivíduo e escolhi ser uma versão melhor de mim mesmo. Se deu certo pra mim dá certo pra qualquer outro que queira!

Pra isso eu criei o "Flamenco y Moda"! 

O tempo apenas avança porque nunca regride.