sexta-feira, 18 de maio de 2018

Amigo internauta?

amigo internauta
A moda dos últimos anos é estar conectado à internet ou, como se diz por aí, ser um internauta.

O que ninguém explica é que ali há uma armadilha que sempre existiu, porém camuflada em alguns perfis dito "fake", do inglês que significa "falso".

A possibilidade de extrapolar as fronteiras físicas faz da internet uma grande viagem e abre portas para conexões, até então, inimagináveis.

O perverso nisso tudo é que, infelizmente, existem pessoas com mau caráter e que se intrometem ou mesmo seduzem outras de bom caráter a se envolverem em suas redes de intrigas. Com isso, achamos que estamos conquistando um novo amigo o qual muitas vezes até lhe confiamos intimidades.

Apenas chamo a reflexão... será mesmo totalmente confiável arranjar amigos assim? 

Eu mesmo respondo. Não é confiável, mas também não é impossível. O importante é ter critérios para se permitir tais aproximações. Mas, ainda assim, prefiro aqueles que conheço pessoalmente.

Não descarto os que conheci na web e fico de olho neles sim! Cansei de conversar pelos recurso do messenger e similares e depois encontrar no perfil dos mesmos tudo ao contrário do que foi conversado. Pior fica quando você tem o contato real, conversa e troca muitas idéias, encontra formas similares de pensar e agir, e depois na web ela se transforma em outra pessoa.

Aí eu pergunto, qual é a verdadeira? É como a brincadeira da Expectativa e da Realidade.

Faça você suas descobertas porque eu já aprendi como fazer... e acabei cortando uma leva de mais de DUAS MIL pessoas por causa disso.

Tomem cuidado!

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Quadrinhos da Nova Mulher Maravilha

Já reconheço e aceito que, para sobreviver, a editora DC Comics reeditou e reinventou a história de diversos heróis clássicos para que houvesse estímulo nas vendas e pudessem eles, os heróis, adentrarem ao novo contexto de seus seguidores permeados pelas inovações tecnológicas.

uma das novas versões
Os que me cercam bem sabem da minha admiração e paixonite pela Mulher Maravilha. A sigo desde que a conheci. Tive muitos quadrinhos os quais revendi (e me arrependo muito disso) quando não mais houve novas histórias da clássica e até comprei os três boxes com o seriado clássico da tv dos anos 80.

Ela, assim como os outros, renasceu e teve sua história modificada nos quadrinhos e ganhou sua versão cinematográfica depois de muitas décadas sem nada sobre ela, haja vista que todos os principais heróis tiveram inúmeras versões.

Já fiz outras menções sobre este fato de minha amada heroína aqui. Basta ver em artigos anteriores.

Estes dias precisei trocar uma nota de cinquenta reais para poder pagar minha passagem e optei por comprar um exemplar novo dela. Qual foi a minha surpresa ao ver que, mais uma vez, era outra Mulher Maravilha com outro uniforme lembrando a do cinema, mas com os mesmos poderes?

Já foi difícil aceitar a mudança cinematográfica com suas adaptações e novo perfil físico. Gostei, respeitei e entendi a necessidade da modificação. Porém, para mim, algumas referências se perderam em seu renascimento nos quadrinhos. Falta saber como ela se transforma na heroína, o fato de manter uma relação amorosa com seu Steve Trevor nos quadrinhos entra em choque com o fato destas amazonas, a dos quadrinhos, serem virgens, o fato de seu nome de batismo ser uado diante dos seres humanos "normais" (assim como os outros heróis em algumas edições que já folheei na banca), e por aí vão outros tantos questionamentos.

versão clássica
Não gostei. E prefiro a clássica que tive no passado. Os outros heróis mantiveram suas origens como no princípio, apenas mudando o visual. E isso achei muito legal. Com tanto poder que ela tinha por conta do cinturão mágico, ficou difícil entender o uniforme. Isso não tem muito que discutir, pois seu uniforme tinha significado em tudo. As cores usadas, a águia no peito, o diadema especial (muito boa a saída cinematográfica), o cinturão das amazonas, os braceletes (sem explicação no cinema) e o único a se manter quase intacto, como na versão original, foi o laço da verdade, conhecido nos quadrinhos como o laço de Héstia.  

Enfim, questão de sobrevivência da DC Comics...será? E os fãs, aonde ficam?
Divididos...
Mas como eu disse no outro artigo, são duas atrizes, duas heroínas e uma só Mulher Maravilha.



quinta-feira, 19 de abril de 2018

REFLEXOS CULTURAIS NA ARTE DA DANÇA CALÉ – SITUAÇÃO ATUAL

    No I Seminário de Cultura e Identidade Rhomá, que aconteceu no dia 05 de abril deste ano em Volta Redonda no Sul Fluminense, fui convidado pela romi e amiga Alessandra Tubbs para integrar a mesa dos palestrantes. Óbvio  que me senti lisonjeado, mas confesso que um tanto ou quanto aflito por conta da importância do evento. Preferi ler a palestra, em vez de falar de improviso, pois tinha 20 minutos para expor o tema e, quem bem me conhece, sabe o quanto falo! A seguir, deixo então a réplica do meu tema, que é o título deste artigo.


    ANTES DE INICIAR, QUERO AGRADECER AO MEU PAI, JÁ FALECIDO HÁ 18 ANOS, E QUE ME DEIXOU COMO LEGADO SER SEMPRE HONESTO E SINCERO EM TODOS OS ATOS DE MINHA VIDA. TAMBÉM AGRADECER AOS AMIGOS DA ESCRITORA CRISTINA DA COSTA PEREIRA E QUE MUITO ME ORGULHARIA SE EU OS TIVESSE CONHECIDO, QUE SÃO OS CIGANOS DR. OSVALDO MACEDO, SR. ZURKA SBANO E ESMERALDA LIECHOCKI E O ESCRITOR SR. ÁTICO VILLAS-BOAS DA MOTA DE QUEM CRISTINA SEMPRE TEVE APOIO NAS CAUSAS A FAVOR DESTA ETNIA.

    EM ESPECIAL, AOS ANCESTRES DE MEUS AMIGOS AQUI PRESENTES: MARCOS RODRIGUES E MIKKA CAPELA E, MAIS DO QUE ESPECIAL, PELA CONFIANÇA NA MINHA PESSOA, À FAMÍLIA TUBBS REPRESENTADA HOJE NA FIGURA DA ANFITRIÃ ALESSANDRA TUBBS. EM PARTICULAR, À MINHA AMIGA LIDELBA TUBBS, A FALECIDA MÃE DE ALESSANDRA, QUE ME CONTOU ALGUMAS POUCAS HISTÓRIAS DE NOSSOS PAPOS, QUANDO ESTIVEMOS SOZINHOS ALGUMAS VEZES.
O QUE FAÇO HOJE, FAÇO POR RESPEITO E HONRA A ESTA ETNIA E PORQUE NADA ALMEJO A NÃO SER AQUILO QUE ELES QUEREM: RESPEITO.


     SEGUNDO O DICIONÁRIO AURÉLIO, A PALAVRA “PRECONCEITO”  SIGNIFICA “CONCEITO OU OPINIÃO FORMADO ANTECIPADAMENTE SEM MAIOR PONDERAÇÃO OU CONHECIMENTO DOS FATOS” OU AINDA “SUSPEITA, INTOLERÂNCIA, ÓDIO IRRACIONAL OU AVERSÃO A OUTRAS RAÇAS, CREDOS, RELIGIÕES ETC.”.

     E SOBRE A PALAVRA “DISTORCER”, O MESMO DIZ: “MUDAR O SENTIDO, A INTENÇÃO, DESVIRTUAR.

REFLEXOS CULTURAIS NA ARTE DA DANÇA CALÉ – SITUAÇÃO ATUAL

     O vídeo a seguir é uma edição de vídeos dispostos na internet e que precisou ser editado por conta de sua longa duração, mas que serve apenas para justificar a minha narrativa. Estes vídeos estão disponíveis no site do You Tube de forma livre.

                          

     Foi pensando na posição de ouvinte que encontrei o que dizer.
Bolei estas perguntas que eu gostaria que fossem respondidas.

      1)   O QUE É ESTUDAR UMA DANÇA COM MATRIZ ÉTNICA?


      AS DANÇAS COM MATRIZ ÉTNICA SÃO AQUELAS CUJA EXPRESSIVIDADE ESTÁ CALCADA NAQUILO QUE PENSA, AGE E SENTE DA VIDA AQUELE POVO O QUAL ELAS REPRESENTAM. COM ISSO, PARA ESTUDAR UMA DESTAS DANÇAS NÃO BASTA APRENDER SOMENTE OS CARACTERES DELA SEM ENTENDER A HISTÓRIA DE SEU POVO, SUA LÍNGUA QUANDO POSSÍVEL, SEU MODO DE VIDA, COMO COSTUMES, ALIMENTAÇÃO, COMPORTAMENTO SOCIAL NO ÂMBITO GRUPAL E FAMILIAR E CONHECER SUAS VESTIMENTAS DE ACORDO COM A REGIÃO ONDE ESTÃO.  O ESTUDO CULTURAL DO POVO O QUAL A DANÇA REPRESENTA É FUNDAMENTAL PARA COMPREENSÃO DA ESTÉTICA E DA ESSÊNCIA DESTE POVO.

     2) COMO DESCOBRI OS CIGANOS?

      AO ESTUDAR FLAMENCO QUIS ENTENDER ALÉM DA DANÇA, AQUILO QUE SE CANTA – AS PALAVRAS E SEU SIGNIFICADO - E FUI FAZER CURSO DE INTENSIVO EM ESPANHOL. TIVE DIVERSOS PROFESSORES LATINOS E DESCOBRI QUE ALI NENHUM DELES ENTENDIA POR COMPLETO AQUELE CANTO. FOI UM PROFESSOR ESPANHOL QUE DEU A DICA, DIZENDO QUE ESTE TIPO DE MÚSICA SE PARECIA COM A QUE OUVIA DE UNS CIGANOS EM SUA TERRA. FORA ISSO, LEMBREI DAS BASES HISTÓRICAS DE FORMAÇÃO DO FLAMENCO EM QUE OS CIGANOS ESTAVAM EM PRIMEIRO PLANO. NOS ANOS 1980 A INTERNET NÃO ERA POPULAR COMO HOJE E FUI ATRÁS DE LIVROS NACIONAIS E IMPORTADOS SOBRE CIGANOS. ENCONTREI MUITO MATERIAL NACIONAL ESOTÉRICO E APENAS UM LIVRO SEM MISTICISMOS, DA ESCRITORA CRISTINA DA COSTA PEREIRA, QUE HOJE É MINHA AMIGA. FOI A PARTIR DELA QUE COMECEI A ESTUDAR SOBRE CIGANOS E ADENTREI AS FESTAS DITAS CIGANAS COM CIGANOS VERDADEIROS, AMANTES DESTA ARTE E MUITOS FALSOS CIGANOS SEM QUE EU SOUBESSE FAZER A DISTINÇÃO DISSO. FORA OS LIVROS QUE CONSEGUI IMPORTAR DE LÍNGUA ESPANHOLA, O QUE FAÇO ATÉ HOJE, E QUE SE UTILIZAM DE DADOS FACTUAIS, OU SEJA, REGISTRADOS PELA HISTÓRIA DOS CIGANOS NA ANDALUZIA; SEJA POR ELES MESMOS, POR ANTROPÓLOGOS OU CIGANÓLOGOS.
    
         DA MESMA FORMA, ADENTREI AS OUTRAS CULTURAS QUE ENVOLVEM A BASE DO FLAMENCO QUE SÃO OS MOUROS, ESPANHÓIS MIGRANTES DE OUTRAS REGIÕES DA ESPANHA E JUDEUS. NA VERDADE, PRECISEI ENTENDER A HISTÓRIA DA ESPANHA A PARTIR DA INVASÃO MOURA PARA ENTENDER A HISTÓRIA DO FLAMENCO.
  
     MAS FOI A HISTÓRIA DOS CIGANOS QUE MAIS DESPERTOU MINHA CURIOSIDADE POR TAMANHA INTERFERÊNCIA NA HISTÓRIA DO FLAMENCO. QUASE TODOS OS LIVROS QUE LI REMETIAM A ELES AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES DO FLAMENCO. O DIFÍCIL FOI ENTENDER AS DIVERGENTES HISTÓRIAS CONTADAS AQUI NO BRASIL PELAS PESSOAS QUE SE DIZIAM CIGANAS E AS POUCAS FAMÍLIAS QUE ME PERMITIRAM ADENTRAR SEU CÍRCULO FAMILIAR, SENDO QUE NENHUMA DELAS ERA DO GRUPO CALON.

       DESTA FORMA FUI ANALISANDO TUDO O QUE CAPTEI DE INFORMAÇÃO, SEPARANDO OS ESOTÉRICOS E MÍSTICOS PARA ENXERGAR AS INTERCESSÕES DAS HISTÓRIAS DAQUI COM AS DOS CIGANOS DA PENÍNSULA IBÉRICA, POIS FOI ESTUDANDO A HISTÓRIA DESTE POVO QUE DESCOBRI O GRUPO DOS CALONS PORTUGUESES E ESPANHÓIS. BEM DIFERENTES DOS QUE ENCONTREI, OS RONS.

        NO BRASIL TEMOS A MAIOR COLÔNIA DE DESCENDENTES DOS CALONS PORTUGUESES POR CONTA DAS FAMÍLIAS DEGREDADAS PARA CÁ NA ÉPOCA DO BRASIL COLÔNIA, NA BAHIA E NO RIO DE JANEIRO ESPECÍFICAMENTE. HOJE ESTÃO ESPALHADOS EM MUITOS ESTADOS DO NORDESTE, DO SUDESTE E DO SUL DO BRASIL. QUANTO AOS CALONS ESPANHÓIS, A MAIORIA IMIGRANTE PAROU NA ARGENTINA NÃO HAVENDO SEQUER UM EQUILÍBRIO COMPARÁVEL COM O NÚMERO DE DESCENDENTES DOS CALONS PORTUGUESES AQUI.

     3)    COMO ISSO INTERFERE NO APRENDIZADO?

      EM QUALQUER DANÇA DE MATRIZ ÉTNICA, O COMPORTAMENTO DESTES POVOS, NO CASO EM DESTAQUE OS CIGANOS, APARECE EM SUAS ARTES E TAMPOUCO ELES REVELAM AQUILO QUE FAZEM NO SEU COTIDIANO. O FLAMENCO É UMA ARTE QUE FALA SOBRE OS SENTIMENTOS DA VIDA E É NESTA ARTE QUE OS CIGANOS DA ESPANHA RELATAM AS COISAS BOAS E, PRINCIPALMENTE, OS QUEIXUMES DA VIDA. RECONHECENDO ESTES CÓDIGOS DE COMPORTAMENTO É POSSÍVEL VER SE AQUILO QUE SE APRESENTA SE RELACIONA DIRETAMENTE COM A ARTE EXPOSTA. ATÉ O INÍCIO DO SÉCULO XX, ACREDITAVA-SE QUE SOMENTE CIGANOS PODIAM EXECUTAR A ARTE FLAMENCA, MAS ESTE TABU FOI ROMPIDO EM 1922, NA ESPANHA, COM UM CONCURSO ORGANIZADO POR DOIS NÃO CIGANOS (O MÚSICO MANUEL DE FALLA E O POETA FEDERICO GARCÍA LORCA) E, DESDE ENTÃO, LÁ NÃO FAZEM MAIS ESTA DIFERENÇA. NÃO IMPORTA MAIS QUEM SENTE AS EMOÇÕES DA VIDA, SE SÃO CIGANOS OU NÃO. E É POR ISSO QUE ESTA ARTE SE UNIVERSALIZOU E PERDEU SUA TERRITORIALIDADE, MAS CARREGANDO OS ELEMENTOS BÁSICOS DOS POVOS DAQUELA REGIÃO, PRINCIPALMENTE DOS CIGANOS.

      COM ISTO QUERO DIZER QUE QUAISQUER OUTRAS LINGUAGENS QUE NÃO CONTENHAM ESTAS REFERÊNCIAS PASSARÃO POR ESTILISMOS E AJUDARÃO NA INVENÇÃO, OU PIOR, NA DETURPAÇÃO DA CULTURA A QUAL A DANÇA DE MATRIZ ÉTNICA REPRESENTA, INCLUSIVE EM RELAÇÃO AO FLAMENCO E SUAS COIRMÃS.

   4) CIGANOS DEPORTADOS DA PENÍNSULA IBÉRICA NO BRASIL COLÔNIA - PARTE DE NOSSA HISTÓRIA IGNORADA E NÃO CONTADA

     QUANDO ENCONTREI A ESCRITORA CRISTINA DA COSTA PEREIRA, DESCOBRI QUAL CAMINHO TRILHAR NAS PESQUISAS. A EXPULSÃO DOS CIGANOS DA PENÍNSULA IBÉRICA SE DEU POR CONTA DE UMA PERSEGUIÇÃO A QUALQUER POVO QUE NÃO FOSSE CATÓLICO. ISSO OCORREU COM A RECONQUISTA DA PENÍNSULA IBÉRICA QUE EXPULSAVA OS MOUROS QUE ALI VIVERAM POR 700 ANOS. CIGANOS CHEGARAM POUCO ANTES DA RECONQUISTA E FICARAM EM ANDALUZIA, SUL DA ESPANHA. COM A RECONQUISTA, TIVERAM QUE SE READAPTAR ÀS CONDIÇÕES LOCAIS, MAIS UMA VEZ TENDO QUE CAMUFLAR SUA LÍNGUA (DAÍ SURGE A LÍNGUA CALÓ), SE MISTURARAM COM ESPANHÓIS E ALGUNS MOUROS E ALI SE FIXARAM.

       ALGUMAS FAMÍLIAS SEGUIRAM PARA PORTUGAL E FIZERAM O MESMO. PORÉM, ALGUNS FORAM DESCOBERTOS LÁ E ENVIADOS PARA A COLÔNIA NA AMÉRICA COMO DEGREDADOS. A EXPULSÃO OU A MORTE ERA EXTENSIVA PARA QUALQUER CIDADÃO OU ESTRANGEIRO QUE NÃO FOSSE CRISTÃO, INDEPENDENTEMENTE DE SUA ETNIA, EMBORA O FOCO PRINCIPAL FOSSE EXPULSAR OS MOUROS.

      E, AO PESQUISAR SOBRE OS CIGANOS, PERCEBI QUE NÓS IGNORAMOS TOTALMENTE ESTA MINORIA ÉTNICA NA CONSTRUÇÃO DE NOSSO PAÍS, POIS OS MERCADORES DA ÉPOCA, SENÃO OS PRIMEIROS, ERAM CIGANOS QUE, POR NATUREZA, JÁ SÃO COMERCIANTES. MUITOS ERAM MEIRINHOS DA CORTE, FABRICAVAM ARMAS PARA A COROA, ENTRETINHAM OS REIS COM SUAS DANÇAS E CANTORIAS ALEGRES, MAS A MAIORIA DELES ERAM COMERCIANTES.

     5)   CIGANOS BRASILEIROS E SUAS DANÇAS

   DESDE ENTÃO, OS CALONS PORTUGUESES AQUI FICARAM E GRADATIVAMENTE PERDERAM O ELO COM A EUROPA E O RESTO DO MUNDO. AQUI SE READAPTARAM MAIS UMA VEZ E MANTIVERAM APENAS O QUE OS MAIS ANTIGOS DEIXARAM. COMO A ETNIA CIGANA É ADAPTÁVEL POR ONDE PASSA, POR AQUI NÃO FOI DIFERENTE. RECONSTRUÍRAM SUAS VIDAS E ABSORVERAM OS COSTUMES E RELIGIÃO DAS REGIÕES ONDE SE ESTABELECERAM. NASCE UM NOVO DIALETO, O SHIB. ISSO DIZ RESPEITO ÀS FORMAS CULTURAIS LOCAIS. COM ISSO, NO NORDESTE DANÇAM FORRÓ, NO SUDESTE SE LIGAM MAIS AO SERTANEJO E ASSIM VAI A TODAS AS REGIÕES ONDE SE ENCONTRAM CIGANOS CALÉ COM ANCESTRAIS PORTUGUESES. NÃO HÁ RELATOS ATÉ ESTE INSTANTE DE CALÉ ESPANHÓIS NO BRASIL, NAQUILO QUE PODERÍAMOS CARACTERIZAR COMO GRUPO.

        NO SÉC. XIX, SE NÃO ME ENGANO, OUTRA LEVA DE CIGANOS CHEGA AO BRASIL, MAS POR SITUAÇÕES BEM DIFERENTES DA ÉPOCA DO BRASIL COLÔNIA. ESTES VIERAM DE PAÍSES DO LESTE EUROPEU E DE OUTROS PAÍSES EXTRAIBÉRICOS, COMO POR EXEMPLO, ALEMANHA, FRANÇA E ITÁLIA, E TROUXERAM SUAS DANÇAS SE DIFERENCIANDO DOS CALÉ, QUE ESTÃO AQUI DESDE O SÉCULO XVI. A MAIORIA DAS DANÇAS POSSUI INDUMENTÁRIA DIFERENTE DA DOS CALÉ.

       NO NORDESTE É POSSÍVEL VER ENTRE AS NÔMADES E SEMINÔMADES A HERANÇA CULTURAL DA PENÍNSULA IBÉRICA NAS VESTES E NOS PENTEADOS. BEM DIFERENTE DA LEVA POSTERIOR, OS RONS, QUE TÊM SUAS VESTES MAIS PARECIDAS COM AS REFERÊNCIAS QUE CONHECEMOS HOJE, QUANDO SE MOSTRAM.

    MAS AINDA ASSIM NÃO VEREMOS ENTRE ALGUNS DOS NÔMADES AQUELAS VESTES QUE ACREDITAMOS TEREM. ELES ESTÃO MUITO BEM ADAPTADOS AO VESTUÁRIO BRASILEIRO DA REGIÃO. FICA MAIS FÁCIL RECONHECÊ-LOS PELAS MULHERES QUE PARECEM MANTER ATÉ OS DIAS ATUAIS AS REMINICÊNCIAS DAS ROUPAS EUROPEIAS DA ÉPOCA E ADAPTADAS AOS TECIDOS QUE TEMOS AQUI. AS CALINS LEMBRAM MUITO AS ESPANHOLAS E PORTUGUESAS DA ÉPOCA. E O COLORIDO EXTRAVAGANTE É CARACTERÍSTICO ENTRE ELAS.

     O QUE VEMOS E RECONHECEMOS SÃO APENAS OS NÔMADES, POIS OS SEMINÔMADES E OS SEDENTÁRIOS COSTUMAM USAR ROUPAS COMO AS NOSSAS, PROVANDO MAIS UMA VEZ QUE SE ADAPTAM BEM A NOSSA CULTURA. É BEM PROVÁVEL QUE VOCÊS POSSAM TER VIZINHOS CIGANOS SEM NUNCA PERCEBEREM ISSO. NÃO HOUVE AQUI, DESDE ENTÃO, NENHUMA EXPRESSÃO NOVA NAS DANÇAS CALÉ BRASILEIRAS SALVO AS DAS REGIÕES ONDE VIVEM.

     6)    OPORTUNISMOS E DISTORÇÕES CULTURAIS

     É INEGÁVEL QUE HOUVE UM BOOM ARTÍSTICO APÓS A NOVELA EXPLODE CORAÇÃO ONDE O TEMA CENTRAL ERA DE UMA CIGANA QUE ROMPIA AS TRADIÇÕES DA CULTURA AO QUERER FUGIR DO CONTRATO ENTRE DUAS FAMÍLIAS PARA SEU CASAMENTO E SE CASAR COM UM NÃO CIGANO. NESTA NOVELA, MUITAS INFORMAÇÕES CULTURAIS APARECERAM DISTORCIDAS, MISTURADAS OU INVENTADAS.

     DESDE ENTÃO, SURGIU A ADORAÇÃO À SANTA SARA (ATÉ ENTÃO DESCONHECIDA DA GRANDE MAIORIA DOS CIGANOS BRASILEIROS), EXPRESSÕES VERBAIS QUE NÃO SÃO PRESENTES EM TODOS OS GRUPOS DE CIGANOS DO MUNDO E A EXPLORAÇÃO DE ADEREÇOS DITOS CIGANOS COMO HOMENS VESTIDOS PARECENDO PIRATAS, MULHERES COM SAIAS MUITO RODADAS E EXAGEROS NOS ACESSÓRIOS. SURGIRAM CENTROS ESPÍRITAS SE DIZENDO DE MATRIZ CIGANA COM GENTE SE DIZENDO DESCENDENTES DE CIGANOS E CARTOMANTES E QUIROMANTES DENTRO DE CASAS ESOTÉRICAS E ESPÍRITAS E ATÉ MESMO RITUAIS FEITO POR ALGUM “SACERDOTE” QUE SE INTITULOU HERDEIRO ESPIRITUAL OU DE SANGUE CIGANO CRIANDO VÁRIOS RITUAIS PARA TUDO. POSSUO NO MEU BLOG, PARA QUEM SE INTERESSAR, A TRADUÇÃO LIVRE E AUTORIZADA DOS AUTORES SOBRE UM ARTIGO FEITO PARA A REVISTA FRANCESA “ÉTUDES TZIGANES” FALANDO DA FALSA IDENTIDADE CIGANA NO BRASIL. ESTA PESQUISA FOI FEITA PELA ESCRITORA CRISTINA DA COSTA PEREIRA E PELO ROM ANTONIO GUERREIRO. ALI SE RELATA EXATAMENTE, E COM PRECISÃO, O QUE LHES CONTO AQUI.

      NÃO PODEMOS ESQUECER QUE QUALQUER ETNIA TEM ALGO DE COMUM COM A NOSSA. SÃO HUMANOS E PASSIVEIS DOS MESMOS ERROS QUE NÓS NÃO CIGANOS COMETEMOS. ENTÃO NÃO É DIFÍCIL ENTENDER QUE ENTRE OS SEUS ENCONTRAREMOS TAMBÉM AQUELES QUE SÃO CONTRAVENTORES E OPORTUNISTAS E QUE SE ALIAM AOS FALSOS CIGANOS E AOS OPORTUNISTAS PARA RETIRAREM ALGUM LUCRO PARA SI SEM RESPEITAR A ETNIA OU MESMO SEQUER AJUDÁ-LOS NA INTEGRAÇÃO E COEXISTÊNCIA SOCIAL. E PIOR, COM AS DISTORÇÕES CULTURAIS E INVENCIONICES, CRIAM E AMPLIAM AQUILO QUE ESTA ETNIA VEM TRABALHANDO EM TODA SUA EXISTÊNCIA EM COMBATER, QUE É O PRECONCEITO. E COMO TODO BRASILEIRO, INDEPENDENTEMENTE DE SUA ETNIA, ELES ESTÃO SOB A TUTELA DE NOSSA LEGISLAÇÃO DEVENDO SER JULGADOS E PUNIDOS CONFORME A INFRAÇÃO COMETIDA. NÃO É O FATO DE SEREM CIGANOS E TEREM SUA LIBERDADE QUE OS REDIME DE CUMPRIREM COM AS OBRIGAÇÕES DE NOSSAS LEIS SEGUNDO AQUILO QUE LHES É CONFERIDO. PARA ESCLARECER ISSO, A JOSYCLER FARÁ A SUA PALESTRA. ESTE FATO É LAMENTÁVEL QUANDO USADO POR ALGUNS ELEMENTOS DESTA ETNIA PARA JUSTIFICAREM SEUS ERROS DENTRO DA ESFERA ARTÍSTICA E CULTURAL IGNORANDO E DESRESPEITANDO SEUS ANCESTRAIS E AQUILO QUE SEUS SEMELHANTES TENTAM MANTER.

      SOBRE DANÇA CIGANA CALÉ BRASILEIRA TENHO A FALAR QUE NOSSOS CIGANOS DANÇAM AS DANÇAS DOS LOCAIS ONDE VIVEM. NÃO EXISTE OUTRO TIPO DE DANÇA QUE NÃO SEJAM AS QUE CONHECEMOS EM NOSSO VASTO TERRITÓRIO NACIONAL, O QUE PUDE CONSTATAR EM ALGUMAS PALESTRAS, VÍDEOS E DOCUMENTÁRIOS QUE VI. SOMENTE OS DE SUA ETNIA PODEM COMERCIALIZAR AS MAIS REAIS DANÇAS DE SEUS FAMILIARES. POR CONTA DO PRECONCEITO ATRAVÉS DE SUA EXISTÊNCIA, QUANDO EXPÕEM DANÇAS FAZEM PELO SIMPLES COMÉRCIO E PARA A SUBSISTÊNCIA DA FAMÍLIA E ELAS NÃO TÊM CARÁTER DE FIDELIDADE OS QUE SÃO FEITAS NO ÂMBITO FAMILIAR OU DOS ACAMPAMENTOS, QUANDO ESTES SÃO NÔMADES.

      ASSIM COMO EM TODOS OS OUTROS PAÍSES POR ONDE PASSARAM, OS CIGANOS ABSORVEM O FOLCLORE LOCAL E DÃO SUA ASSINATURA AO EXECUTAREM ESTE SOB UM ENFOQUE COMERCIAL. OS ANTROPÓLOGOS E CIGANÓLOGOS SEMPRE CHEGAM À MESMA CONCLUSÃO: DE QUE ELES MESCLAM O QUE TRAZEM COM O QUE ENCONTRAM, MAS NÃO DISTORCEM NEM INVENTAM UM NOVO FOLCLORE PARA O PAÍS OU REGIÃO ONDE ESTÃO VIVENDO.

    7)   QUAIS SÃO OS REFLEXOS CULTURAIS NA ARTE DA DANÇA CALÉ BRASILEIRA? SITUAÇÃO ATUAL

      QUANDO ALESSANDRA ME CONVIDOU PARA PALESTRAR HOJE, LHE DISSE QUE, ALÉM DE NÃO SER CIGANO, EU NÃO SABERIA DE QUE FORMA PODERIA CONTRIBUIR PARA ESTE PROJETO A NÃO SER COM A DANÇA, QUE É MINHA ESPECIALIDADE. “O EVENTO NÃO TEM DANÇA ALGUMA, MAS VOCÊ PODE CONTRIBUIR COM SUAS PESQUISAS SOBRE OS CALÉ DAQUI”, FOI O QUE ME DISSE ELA.

      ESTUDO A ARTE FLAMENCA DESDE 1984 E COMECEI A ESTUDAR A CULTURA CIGANA DESDE 1987 QUANDO COMPREI O LIVRO POVO CIGANO NO DIA DE SEU LANÇAMENTO EM 1986, E TAMBÉM QUANDO CONHECI A ESCRITORA CRISTINA DA COSTA PEREIRA NUMA FESTA CIGANA NO CLUBE LAGOINHA EM SANTA TERESA NO RIO DE JANEIRO. DEPOIS DESTE LIVRO, BUSQUEI EM OUTRAS FONTES SUGERIDAS NA BIBLIOGRAFIA. VOLTAMOS A NOS VER EM 2011, OUTRA VEZ EM SANTA TERESA, E DESDE ENTÃO NÃO PARAMOS NOSSOS CONTATOS.

       A SOCIEDADE CIGANA É BEM RESTRITA E POUCOS DE NÓS PODEMOS ACESSÁ-LA SE NÃO FORMOS CONVIDADOS POR ALGUM ELEMENTO DA ETNIA POR CONTA DA CONFIANÇA QUE DEPOSITAM NA GENTE. E MESMO ASSIM, SOB OS OLHARES ATENTOS DOS OUTROS POR CONTA DE SUA NATURAL HISTÓRIA DE PERSEGUIÇÃO E PRECONCEITO GERADOS POR NÓS, NÃO CIGANOS. NÃO É TÃO SIMPLES ASSIM CONSEGUIR INFORMAÇÕES PRECISAS SE A GENTE NÃO FOR CONVIDADO POR ELES. NINGUÉM ENTRA A BEL-PRAZER EM CASAS OU ACAMPAMENTOS CIGANOS COMO TURISTAS, COMO DIVULGAM POR AÍ.

      COM ESTUDOS QUE CONTINUO FAZENDO SOBRE A CULTURA, POSSO DIZER QUE NOSSOS CIGANOS CALÉ ESTÃO ADAPTADOS ÀS CULTURAS LOCAIS ONDE SE ESTABELECEM AS SUAS COMUNIDADES PELOS VÁRIOS ESTADOS BRASILEIROS. O QUE VEMOS COM MAIS FACILIDADE SÃO OS NÔMADES, NORMALMENTE INSTALADOS NAS PERIFERIAS DAS CIDADES, ONDE FICAM EM FORMA DE RANCHOS E, ÀS VEZES OS IDENTIFICAMOS, PELAS MULHERES QUE USAM ALGO EM SUAS VESTES QUE AS CARACTERIZE COMO TAIS.

        CONFESSO QUE NÃO TIVE ACESSO A FAMÍLIAS OU A ACAMPAMENTOS DE CALONS BRASILEIROS. MAS CONHECI MARCOS RODRIGUES, AQUI PRESENTE NA BANCA, VI VÁRIOS DOCUMENTÁRIOS SÉRIOS DISPOSTOS NA INTERNET E NAS INÚMERAS PALESTRAS DE CRISTINA DA COSTA PEREIRA E EM NENHUM DELES VI ALGUMA DANÇA CIGANA BRASILEIRA QUE SE ASSEMELHE ÀS ENSINADAS EM DIVERSOS CURSOS DE DANÇA NO PAÍS E MOSTRADAS NAS DITAS FESTAS TEMÁTICAS CIGANAS COMO SE FOSSEM AUTÊNTICAS DOS CIGANOS CALÉ BRASILEIROS. 

      A EXEMPLO DO QUE FALO, NÃO TEMOS EM NOSSO FOLCLORE A “RUMBA” NEM MESMO COMO DANÇA. ENTRE OS CIGANOS, ELA É DE ORIGEM ESPANHOLA E POSSUI CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS, COMO O USO DEMASIADO DOS QUADRIS E AS FORMAS PERTENCENTES AO FLAMENCO, A DANÇA DO CIGANO ESPANHOL. E, POR SUPOSTO, NÃO HAVENDO EM NOSSO FOLCLORE A RUMBA AINDA MAIS COMO DANÇA, NÃO É DIFÍCIL ENTENDER QUE NÃO EXISTE A DANÇA RUMBA CIGANA BRASILEIRA. AINDA MAIS ENTRE OS CALÉ BRASILEIROS, QUE SÃO O FOCO DE MEU TRABALHO AQUI NESTE EVENTO.

       ALERTO QUE EM QUALQUER DANÇA DE MATRIZ ÉTNICA PRECISAMOS ESTUDAR E NOS APROXIMAR O MÁXIMO POSSÍVEL DOS VALORES DO POVO DE ONDE SE ORIGINA A DANÇA E TENTAR VER E VIVENCIAR AQUILO QUE SE PRETENDE APRENDER, ENSINAR E DANÇAR, NO INTUITO DE ORIENTAR SOBRE AQUELA CULTURA DE FORMA CONSCIENTE, MESMO QUE DE FORMA LÚDICA.

       É REFLETINDO RACIONALMENTE SOBRE A HISTÓRIA DE NOSSO PAÍS, NOSSAS DANÇAS E COSTUMES QUE PODEREMOS FAZER UM PARALELO SOBRE AS DANÇAS CIGANAS DO CALÉ BRASILEIRO E DISTINGUI-LAS DAQUILO QUE SUPOSTAMENTE VENDEM NO MERCADO DE DANÇA, SEJA POR CIGANO E NÃO CIGANOS OPORTUNISTAS QUE CONTRARIAM A NATURAL HISTÓRIA E APENAS AJUDAM A MANTER A DISTORÇÃO CULTURAL, AFASTANDO-NOS REALMENTE DA COMUNIDADE QUE PASSA INVISÍVEL NA NOSSA JÁ CONTURBADA SOCIEDADE BRASILEIRA, SALVO QUANDO A FANTASIA E O ESOTERISMO LHES SÃO IMPOSTOS COMO O PRINCIPAL FOCO DE ATENÇÃO, DE INSPIRAÇÃO OU MESMO DE SUA EXISTÊNCIA. UM GRANDE ERRO.

        JUDEUS E CIGANOS SÃO ETNIAS E APENAS OS JUDEUS POSSUEM UMA RELIGIÃO, A JUDAICA, À QUAL QUALQUER ELEMENTO DE QUALQUER ETNIA PODE SE CONVERTER. OS CIGANOS SÃO PLURAIS EM SEU CREDO PORQUE SE ADAPTAM AOS COSTUMES LOCAIS E, POR ISSO, PODEREMOS ENCONTRAR CIGANOS CATÓLICOS, EVANGÉLICOS, ESPÍRITAS, ATEUS OU QUALQUER OUTRA FORMA DO SEGMENTO RELIGIOSO. DE FATO, DEVEMOS COMPREENDER TAMBÉM QUE OS CIGANOS NÃO CONSTITUEM EM SI UMA RELIGIÃO E NEM QUALQUER MEMBRO DE OUTRA ETNIA PODE SE CONVERTER A ELA COMO EM OUTRAS RELIGIÕES. SOMENTE NASCENDO E SENDO CRIADO ENTRE ELES. NÃO EXISTE NENHUM MÉTODO DE CONVERSÃO A UMA ETNIA, SEJA ELA QUAL FOR.

    E, PARA ENCERRAR, SERÁ POSSÍVEL VER QUE NOSSOS CALÉ BRASILEIROS DANÇAM NOSSAS DANÇAS DE ACORDO COM A MODA REGIONAL, NÃO TENDO CRIADO NENHUMA DANÇA DIFERENTE OU FORA DE NOSSO FOLCLORE, CONFORME SE REVELA A HISTÓRIA DESTA ETNIA EM TODOS OS PAÍSES POR ONDE PASSAM.

      MUITO OBRIGADO!
     
      HOUVE OUTRAS PALESTRAS COMO A DO CALON MARCOS RODRIGUES, QUE FEZ ALGUMAS COMPARAÇÕES DE SUA CULTURA COM A DE NOSSO POVO, A DO MIKKA CAPELA, QUE NOS FALOU DA SITUAÇÃO ATUAL DOS CIGANOS NO PAÍS E A DA DOUTORA EM DIREITO INTERNACIONAL JOSYCLER ARANA, QUE FALOU SOBRE APATRADIA.

       APÓS AS PALESTRAS, TIVEMOS UMA MESA-REDONDA PARA RESPONDER MAIS QUESTIONAMENTOS DAQUELES PRESENTES, COMPOSTA DE UNIVERSITÁRIOS, ESTUDANTES DE DANÇA, CURIOSOS DA CULTURA E MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA CIDADE. A MESA CONTOU, TAMBÉM, COM A PARTICIPAÇÃO DO CALON E PROFESSOR DE BIBLIOTECONOMIA DA UNIRIO, EDUARDO ALENTEJO.

    UMA DAS MELHORES NOITES SOBRE O TEMA DE QUE JÁ PUDE PARTICIPAR.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Seminário sobre Identidade e Cultura Rhomá em Volta Redonda -RJ

De tantos eventos sobre ciganos feito por ciganos na capital do Rio de Janeiro, este foi o primeiro em tantos anos  ao qual me orgulho por ver resultados, ver a continuação de uma atividade iniciada com o CEC (Centro de Estudos Ciganos) lá nos anos 80 e que, após um hiato temporal, tem uma espécie de continuação, ou nova iniciativa, onde agora são vozes de jovens ciganos que buscam naquele foro a defesa de seus semelhantes.

Tive o prazer em participar como um dos palestrantes, mas consciente do meu lugar de "gadjó" ou "payo" (não-cigano), a convite da amiga e Romi Alessandra Tubbs.

Prefiro replicar suas palavras aqui após a realização deste evento.

Assim, bem deste jeito, é que tenho prazer e ganho muita felicidade em ver e poder contribuir para alguma melhora desta etnia ainda esquecida ou usada para alimentar a xenofilia de muitos.

Para deixar bem claro, não ganhei absolutamente nada a não ser a felicidade de ver meus amigos ciganos conquistando o merecido respeito.

E são de eventos como este que me enriquece nos conhecimentos dos povos ciganos e que em todas as  ocasiões são gratuitos.

Marcos Rodrigues, eu, Josycler Arana,
Mikka Capela e Alessandra Tubbs

Palavras da romi Alessandra Tubbs:

"Um evento que começou ano passado para atender algumas necessidades dos calons nômades que por aqui, VR, passam.

Ontem, 5/4/2018 foi uma noite singular, histórica, reunimos numa mesa os principais clãs ciganos, calon, sinti e rom, em plena harmonia e lutando por uma única causa: respeito a pluralidade étnico religiosa.

Sim, mostramos num seminário na UFF que há esperanças, que há diálogo e podemos coexistir com o mundo não cigano de forma a todos serem contemplados com o direito de ir e vir e exercer sua cultura.

Eu agradeço a participação do poder público de Volta Redonda representado pela secretária de cultura Aline Marah Ribeiro, pela chefe de gabinete da Seplag Bárbara Cunha, pela representante da secretaria da mulher, idoso e direitos humanos Ludmila Aguiar de Assis e pela Juliana. Agradeço a participação dos representantes do poder público de Barra Mansa e Resende que participaram ativamente do seminário, buscando conhecimento e soluções para os romás de suas cidades.

Agradeço a minha querida amiga, doutora Profa Josycler Arana que comprou meu sonho, minha ideia e junto com uma equipe maravilhosa de alunos fez acontecer o seminário na UFF.

Uma carinho e respeito infinito aos meus amigos palestrantes romás que saíram de suas casas, longe de VR e vieram somar, lutar pela causa do nosso povo. Marcos Rodrigues, Professor Eduardo Alentejo e Mikka Capella. Sou eternamente grata pela contribuição de vcs. Sabemos que este foi o pontapé inicial, que muitas coisas ainda temos que fazer, mas não desistiremos... Aonde estiver o conhecimento puro e ético, estaremos lá para absorver e informar.

Um carinho mais que especial a minha amiga Cristina da Costa Pereira, que por motivo de saúde não pode comparecer mas que me mandou um maravilhoso material que utilizei no seminário. Cristina, vc esteve presente e sempre estará presente na vida dos romás. Gratidão pela seu trabalho junto ao meu povo.

Meu amigo, professor do Studio Al-Andalus, Ricardo Samel, sua contribuição foi ímpar... seu trabalho junto à comunidade romá é impecável. Nós o respeitamos... Obrigada pela sua linda contribuição ao seminário. Nós romás agradecemos sua luta e seu carinho aos nossos.

Agradeço aos meus alunos de dança e cultura cigana (William Santos, Mara Lucia De Lacerda Bueno e seu esposo, Katia Aparecida Salustiano Salustiano, Fabiana Amaral, Cludia Rocha, Valdete Machado Neto, Luciana Aleko e seu esposo, que foram com sede de conhecimento. Agradeço as alunas de flamenco do Studio al-Andalus (Cristiane Santana e Juliane Elmôr). Vcs fazem a diferença, buscando conhecimento verdadeiro e assim respeitando a cultura romá.

Não posso deixar de agradecer a minha família (Fábio Tubbs, Henrique Tubbs e Otto) que estavam na UFF na parte de apoio em tudo que precisássemos.

Minha amiga Kurujas Paula, vc representou muito bem o colégio CEJA. Queria que todo professor de história fosse como vc, interessado em conhecer a diversidade cultural e étnico.

Agradeço a todos os presentes, principalmente aos alunos do curso de direito alunos da professora Josycler.

Este seminário foi o pontapé inicial, muito trabalho ainda precisa ser feito. Ao final do seminário tivemos a surpresa que de I Seminário de Cultura e Identidade Romá do Sul Fluminense se tornará II Seminário.... ano que vem com novas propostas e mais conhecimentos estaremos juntos em prol de uma minoria invisível!!!"


sábado, 31 de março de 2018

Fale-me de coisas boas 2

A voz da consciência é silenciosa e revela quem você é de verdade no seu íntimo. É quem impulsiona seus atos mostrando a quem enxerga o verdadeiro retrato de seu caráter. E é difícil lidar com isso quando o lado nefasto dos que te rodeiam descobre que você sabe quem são e o que pretendem. Esta é a parte ruim que alertei em vários artigos que aqui escrevi. Mas agora quero a conexão com o outro lado e falar do caráter honesto, benfeitor e que trabalha em prol das melhorias de seus semelhantes.

Como descobrir estas pessoas num emaranhado de gente onde todas tem a cara igual haja vista que maucaratismo não tem biotipo e nem traz uma placa indicativa?

Existem algumas formas para se descobrir. Uma delas é através de um dom natural que algumas pessoas possuem de forma tão presente e desenvolvida que é a sensibilidade da intuição. A outra diz respeito a mais antiga arte que é a convivência aliada a reflexão ao observar como estas pessoas se portam no cotidiano.

O que devemos aprender é a selecionar com quem queremos manter o vínculo por conta de nossa consciência e se afastar das que vibram divergente de nós.

Sou daquele que acredita no poder daquilo que penso e também nos testes constantes que a vida me aplica para provar a eficiência daquilo que penso.

Atualmente vivemos num momento de total adoração ao erro, a mentira e a egolatria e num lugar onde sua existência e respeito que se espera da maioria só existe se você pensar e agir igual a eles. Mais do que nunca isso ajuda na seleção natural de quem queremos por perto. O que nem sempre resulta no desejo e na confiança de alguns que nos rodeiam.


É prazeroso encontrar pessoas que tenham vibrações de pensamento semelhantes ao seu. E é quando percebo que a qualidade dos que me rodeiam não se relaciona com o tamanho da quantidade que o maucaratismo exige para se sentir pleno.

Em artigos anteriores falei sobre o conhecimento e de sua disponibilidade a qualquer um. Ele é o grande ajustador das relações onde a verdade é velada aos ignorantes. Quando se consegue acessar a fonte original de alguns conhecimentos a gente se torna mais consciente das próprias ações e vai se polindo e selecionando suas relações. 


E este é mais um fator que determina qual dos lados você está quando aplica aquilo que aprendeu. Ser de bom caráter jamais será fora de época, mas apenas te coloca em um time seleto que mostrará quem são seus parceiros de acordo com a vibração de seu pensamento.

Se quer saber onde está parte da felicidade basta usar os conhecimentos de forma sensata e para o bem. Não é difícil se você preza por qualidades tão aprazíveis e profundas como a verdadeira sensação de paz.

Quando se é sensato, honesto e verdadeiro na prática de bons exemplos e pensamentos seus amigos ao redor crescem na qualidade da relação. Mas isso não traz quantidade de pessoas se este é seu objetivo. Serve apenas para glorificar o espírito de quem benfaz em prol da sua e da felicidade do universo.

Os outros? O substantivo já os revela e qualifica. São os "outros".

sexta-feira, 30 de março de 2018

Bata de Cola... Erros comuns


As roupas na dança são o complemento que encerra todo o conteúdo de um trabalho e mostra o quanto aquele artista consegue compor seu figurino e de seu elenco (já que a maioria é autodidata na composição do figurino sem se preocupar com o palo a ser executado ou mesmo se a confecção ou costureira que conheça o estilo) e que segue apenas o padrão ditado pela moda de algumas confecções ou apenas satisfazer seu conceito estético com roupas flamencas.

Vivemos um boom onde a liberdade favorece demais a criatividade, o que é ótimo para quem entende, e a erros muito comuns nesta hora para quem desconhece as necessidades da roupa para dança flamenca.

Não é uma regra da composição de um figurino, mas é de bom senso casar aquilo que se veste àquilo que se baila. No fundo é com medo de errar que o famoso preto é sempre o mais usado seguido do vermelho. Isso só não basta!

No caso da bata de cola vejo muitos erros na modelagem, na composição do material a ser usado e quase sempre o uso de forração com tecidos pesados em tecidos que sequer necessita de forro. Como bem disse minha maestra Inmaculada Ortega, é possível fazer batas com qualquer tecido e eu assino embaixo porque fiz vários testes que deram certo. Os que deram errado obviamente sequer indico a qualquer pessoa ou uso na confecção.

Mas certamente forrar a bata colocando seus volantes (babados) de baixo em tecido a deixará pesada, não dará estrutura para muitas movimentações e a fará sempre embolar e jamais "caer planchada al suelo" (cair aberta sem embolar após alguma passagem nela), além de seu desgaste acelerado pela abrasão ao chão que baila haja vista que estes tecidos não foram feitos para isso.

Também vi batas de confecções amigas e estrangeiras com excesso de cancan (ou outro material similar) ou falta dele, com poucas pregas ou pregas muito  pequenas e distantes uma da outra e quase sem cobrir a área da cola. E vi isso aliado ao que disse acima sobre forração desnecessária ou inadequada em tecidos que não precisam.

O coringa para confecção ainda é o  Oxford e o Crepe Koshibo, mas nada impede o uso de outros tecidos conforme já disse. Até mesmo com sua trama com elastano!

O problema fica por quem modela e confecciona essas batas sem entenderem das propriedades ou, ao menos, conhecerem um pouco do que os tecidos escolhidos podem ajudar ou atrapalhar na dança e ainda assim, sem solucionar estes problemas. Ainda mais sem conhecer a dança...

Recentemente peguei uma bata americana em que o visual é bonito e comum, mas com o erro da forração e pouco cancan além de mal distribuído ocasionando pisões nos babados mais próximos dos pés e as respostas inadequadas aos movimentos exigidos da bailaora. O preço? O mesmo de uma boa e simples de uma boa confecção...

Penso que falta algumas instruções de quem ensina a bailar a como escolher a sua bata e a falta de conhecimentos de quem confecciona as batas.

Estes erros literalmente trazem o gasto absurdo num acessório caro demais e muitas vezes sem solução barata, pois consertar uma às vezes sai ao preço de outra nova quando existe esta possibilidade.

Pode piorar quando a cliente acha caro o valor cobrado por uma bata (cerca de R$1000,00) e dá alguma boa de modelo para uma costureira inexperiente copiar...erra-se mais ainda!

Muitas das vezes o preço de uma bata sai caro por conta do processo do cálculo e da própria montagem trabalhosa e que necessita muito tempo de dedicação. E mais caro ainda quando se usa tecidos nobres ou com bordados ou brocados.

Enfim, nem sempre o visual corresponde a real necessidade da bata de cola para a dança e o máximo que conseguirá é uma bata apenas para desfilar ou usar como fantasia, mas jamais para dançar com as seguranças de uma boa bata.

E como é a moda do momento, #ficaadica #batadecola

Ainda rio quando a bata para consertar é espanhola! Devem lembrar que, mesmo na Espanha, existem pessoas que também caem nos mesmos erros aqui relatados.

Faça sua bata com quem entende ou com recomendação de alguém que usa de alguma confecção conhecida. Se caras demais, peça mais de uma sugestão e faça seu orçamento e compre com segurança uma bata que usará sem o desconforto dos erros acima.

Faço agora a minha autopromoção porque, além de usá-las pra ensinar e dançar com elas, tenho mais de 20 anos de pesquisas e sempre procuro orientações com bailaoras como a própria Inma Ortega e uma colega que mora em Sevilla e trabalha numa confecção de batas.

Escolha a sua com cuidado.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Silêncio em duas faces


Já escrevi sobre o Silêncio e retorno sobre ele outra vez.

Vejo muitos compartilharem e mesmo falarem que o Silêncio é a melhor resposta para o mal junto ao Tempo.

Gostaria de levar esta reflexão mais a fundo porque vejo o silêncio como uma faca bem afiada de um lado e totalmente cega do outro.

Vivemos em um momento no país onde os valores estão muito alterados e onde se enaltece as formas negativas do caráter. Não dá pra enumerar todos, mas falo diversas vezes do Ego e da Vaidade exarcebados que se juntam com a Ambição desmedida.

E quando vemos situações que podem prejudicar outros que podemos alertar? Devemos ficar em Silêncio? Pra mim este tipo de silêncio soa como Conivência com o erro através da Omissão. E pode ser tão prejudicial como aquele que propaga o erro. Neste caso, "quem cala, consente"; já diz o ditado popular.

Outro dito popular diz que "em briga de marido e mulher não se mete a colher". Até onde?

E levanto outros questionamentos como o bullying, o estrupro, o assédio sexual ou moral e a falsidade ideológica. Deve-se calar?

É onde a atual legislação atrasada, para o momento em que vivemos, falha quando expressamos idéias ou quando acusamos alguém sobre falhas graves. Dá uma chateação com os processos que podem durar anos! E ainda correr o risco de perder por falhas da atual legislação! Tudo gerando muitos discursos de ódio, principalmente na internet.

A Mentira é a mãe de todas elas e pode ser a madrinha do silêncio nos caso de omissões.

Acredito na Lei do Retorno também, mas não dá pra ficar no silêncio e apenas se afastar em alguns casos esperando que este "troco" chegue no "seu tempo" como faz esta lei. Óbvio que não se deve confundir a denúncia com vingança, pois se isto acontecer não será mais uma denúncia. Ainda há aqueles que até a fazem para denegrir os que agem de forma correta e retirá-los de seu caminho por conta de sua honestidade  que atrapalha o sucesso do agressor. E ainda dirão que é você que tem inveja do sucesso do outro mesmo que, por mais claro que se possa mostrar, você não galga nenhum tipo de estrelas na sua vaidade.

Precisa-se avaliar de qual lado a sua  "faca do Silêncio", do seu silêncio, está mostrando a face.

Refletir é a solução e deve-se ter a coragem para decidir sempre, e não apenas silenciar. Este tipo de silêncio pode parecer fuga de responsabilidades! Este é o lado cego da faca.

O silêncio nos dias atuais é como ver uma boca com um zíper onde não se sabe se está abrindo ou fechando.

Pense em como podemos ajudar a melhorar este mundo do qual tanto reclamam e nada fazem para melhorar. O silêncio pode ser uma inércia muito perigosa e, ficar calado ou hibernando nele, não o fará diferente dos que erram descarada e propositalmente.

Óbvio que, silenciar-se e agir em prol das melhorias, com certeza não fará deste silêncio a conivência com os erros cometidos, pois, ainda que em silêncio, estará trabalhando em prol das melhorias.

Ser polido e diplomático tem sido muito usado pelos "lobos em pele de cordeiro". Então devemos tomar cuidado também nesta hora. Devemos usar da Prudência pra evitar este mal entendido.

Cabe mesmo refletir quando o silêncio é bom ou ruim, pois coisas ruins guardadas contribuem enormemente para a somatização e o surgimento de enfermidades, doenças psicosomáticas e tantas outras responsabilidades ou mesmo algum tipo de câncer.

Ao falar, leve estas dicas em consideração: o momento em que fala, o que fala, o tom da fala, com quem fala e como este recebe.

Então decida qual é o seu silêncio!

E fica a reflexão:

Cuidado ao usar o Silêncio como arma, pois o Alvo pode ser você.