quinta-feira, 21 de maio de 2020

Quando as máscaras (da vida) caem?

"Pensador" - escultura de Auguste Rodin  (1840/1917)
Não há como não parar para pensar no que vem acontecendo no mundo com a pandemia obrigando-nos ao isolamento social e as ações dos representantes do povo, os políticos, que são servidores públicos assim como tantas outras profissões. Então meu olhar tem um foco mais direcionado aqui aonde vivo, o Brasil e mais especificamente no Rio de Janeiro.

Em todo o mundo essa nata da serventia pública, que é bancada por nós trabalhadores, leia-se comércio e leia-se capitalismo até em outros regimes, mostram suas capacidades de liderança confiada nos votos daqueles que os elegeram e daqueles que não votaram neles e que ambos arcam com as consequências desses  líderes ao vermos o quão real é sua verdadeira postura ativada por leis feitas e seu caráter. Nesse regime primeiro se confia, quase que cegamente, e depois de assumido no poder, vemos o resultado.

Durantes décadas passamos por vergonhosa representatividade política. A maioria pensa no partido e nos seus objetivos. E isso é característico de pensamentos em comum. O problema reside nos interesses pessoais, leia-se vaidade, que cada representante expressa durante seu reinado deixando de cumprir com suas promessas pra eleição. Movidos por panelas políticas interesseiras, dá pra acreditar que não se consegue realizar parte do prometido sem se corromper com outros ali estabelecidos. Tem que compactuar com algum benefício ao outro, normalmente em percentual financeiro de algum projeto ou alguma troca de favor para atuar em segmentos de interesse pessoal. Será raro encontrar algum representante que seja 100% honesto e tenha força suficiente para combater e lidar de frente com esse muro de corruptos instalados em todas as camadas políticas. Eu escrevi TODAS AS CAMADAS POLÍTICAS.

Já diz o popular ditado que "farinha é bom e meu pirão primeiro". É uma alusão de que "primeiro resolvo meu lado e depois vejo o que sobra pra te dar". Vivemos assombroso estado de calamidade social onde fica explícito o verdeiro caráter daquele que foi eleito pela maioria como representante do povo. 

Mentir, omitir e obstruir sempre parecem ser verbos de ação principal quando o assunto se volta para o "pirão" de cada um. Comércio é essencial nas relações sociais e vale sempre frisar que é destes impostos do comércio que sai o salário da nata do servidor público. Sempre foi assim na história independente do regime político. Camada essa de uma sociedade onde não há nenhum olhar para as outras abaixo da sua. É como o mar... quanto mais fundo nessa imensidão, menos oxigênio se encontra e menos luz se tem. Essa pandemia deixa claro a verdadeira face dessa nata que necessita manter o comércio, leia-se seus altíssimos salários que são imaculados ao extremo, e que necessita sacrificar literalmente os outros para a sobrevivência... de quem? Precisam do comércio mais do que nunca, e acima até da saúde de quem faz ele funcionar, para que seu pirão de pó de ouro seja mantido. Mais fácil tirar de quem parece anestesiado com as dores sócio-trabalhistas. Tira-se homeopaticamente de todos que não são da nata e sofrerão só um pouquinho ao invés de uma única facada. 

As camadas inferiores a essa nata clama, reclama, grita e mostra-se totalmente desestruturada por causa dessa nata política que só é acometida se uma porção desse Covid-19 a toma como hospedeiro nos graus mais agressivos de sua manifestação.

É um momento de marca política e de criar uma memória para que lembremos de como fomos "bem representados" nessa liderança pela sobrevida. Vejo uma série num canal de streaming chamado "Os 100" onde um grupo de humanos necessita escolher 100 dos seus quem sobreviverão ao caos que a Terra sofreu por causa deste anseio pelo poder e riqueza. Nesta série não há dinheiro envolvido, mas o tempo todo há escolhas a serem feitas pela vida da maioria. Então os representantes de cada comunidade lutam para mostrarem suas capacidades de liderança e respeito. Alguns pensam no coletivo e a maioria pensam no poder de serem reis, rainhas com o dom da vida e da morte por quaisquer atos falhos da sua sociedade ou comunidade. Não me parece estranho que uma série de ficção ficasse tão próximo do que vivemos hoje, porém nós vivemos em dose muito reduzida de sofrimento se compararmos com essa série.

Enfrentam todo tipo de adversidade em prol da sobrevivência, mas ali não existe a moeda do comércio. Durante toda a série heróis viram vilões, e vice-verso, onde o fator de amor ao próximo, a solidariedade, a generosidade e o olhar para o coletivo impera nessas decisões onde o caráter é posto à prova a todo o momento. É o que vivemos hoje numa escala bem menor daquilo que mostra a série "Os 100" (The 100).

São condições da natureza do espírito onde as diversas camadas evolutivas se encontram mostrando seus pesares e suas virtudes. Todos em igual valor sob a tutela daqueles que realmente sabem ser parcimoniosos, generosos e aprendem a escolher, sem tirar do outro, para viver em harmonia. Os atributos do caráter individual de cada espírito encarnado se apresenta com força total. Não há os melhores. Não há nata espiritual numa escola onde o objetivo é aprender, evoluir e seguir adiante. É com as camadas menos evoluídas, que estão na liderança, que lidamos. Lembro que camadas menos evoluídas estão em todos os níveis dessa escola. São estas escolhas da vida, leia-se Livre Arbítrio,  que fazem a diferença no resultado. Se essa camada menos evoluída está no poder foi porque usou os atributos da "mentira" e sua irmã "falsidade" além da "omissão" conquistando os mais fracos emocionalmente e que não pensam, não querem pensar ou são acomodados na reflexão, e chegaram ao poder.

E é nessa levada nova que vemos mais uma vez que "fogo não se combate com fogo" e nem deve ser alimentado com combustíveis de espécie alguma. Nessa onda pandêmica que traz o Corona-vírus é que passamos por uma nova fase onde devemos nos auto-avaliar sem esquecer do coletivo. Cada ato seu interfere no todo. As máximas da Lei do Retorno brotam a todo instante e sofremos ou rezigojamos com as escolhas individuais, coletivas e as da nata política que estimula a criatividade e inteligência para sofrermos menos ou nada com suas vaidades. 

A natureza se beneficia nesse momento por conta da purificação dela em consequência do isolamento social prolongado. A poluição está tão diminuída que a natureza se recompõe com velocidade atroz se comparada as décadas previstas pelos cientistas para sua recuperação enquanto a vida urbana continua plena, sem parar.

Este olhar para algo fatal e ainda sem cura, o Covid-19, nos obriga olhar  para o microcosmo (eu) e o macrocosmo (o coletivo) e avaliar o quão todos nós, sem nenhuma exceção, somos imprescindíveis para um resultado seja ele qual for. Essa experiência do início do século XXI mostrará o quanto estamos aprendendo e aproveitando essa oportunidade chamada de encarnação.

Não há credo, raça, país, gênero, sociedade ou sistema político melhores que outros. Há a atuação do caráter individual em todos os setores. A ação imutável e perene das leis do Livre Arbítrio e do Retorno se mostram eficazes mais uma vez. Nunca a clama a Força Criadora, e suas diversas denominações foi tão aclamada como agora. A origem é única mesmo que os nomes sejam diferentes. E vemos agora que a onipotência e onipresença dela se faz atuar por estas duas únicas condições humanas... a escolha e a consequência. Todos somos iguais e temos as mesmas oportunidades. Vemos ao redor do mundo que não é o famoso "mal" religioso que está atuando. Mas sim as escolhas feitas que atinge, na maioria das vezes, a fragilidade orgânica do ser humano. E isso independe se ele é "bom" ou "ruim" e se pratica o "bem " ou  o "mal". Basta ser humano, ter alguma exposição ao vírus, ver qual a sua condição física de saúde e ter a assistência de experientes profissionais de saúde e higiene onde a rede que o sustenta, a política e o comércio, são imprescindíveis nesse suporte à vida naquele instante.

Quem disse que estes heróis não sofrem nessa guerra? Quem disse que eles são os únicos heróis?Todos nós podemos ser heróis em nosso campo de atuação. Até mesmo um vilão pode se transformar em herói...basta mudar suas escolhas!

Nessa real situação de vida não há máscaras! É o estado mais
puro do caráter que nos iguala agora!

E assim é que as máscaras, as da vida, caem...

O quê fica quando a máscara cai?

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Diversidade religiosa dos Ciganos

Ciganos na Índia
Sempre acontecem no mês de maio as festas com temática cigana em adoração a famosa Santa Sara que está instalada numa cripta em San Marie de La Mér, Camargue, sul da França. A "devoção" parece assombrar e assumir vertentes ligadas aos admiradores da cultura Rhomá, das danças deste setor e de falanges em diversos tipos de centros  ditos espíritas.

Cabe aqui relembrar, pela enésima vez, que esta etnia não possui uma única religião e nem mesmo uma única língua. É um grupo que se adapta com muita facilidade nos países onde ficam. Isso quer dizer que assimilam a cultura local; mais especificamente se ficam muito tempo, assumem as vestes, a língua do país, alimentação e mesmo a religião local. O que há de comum neles é essa capacidade de sobreviverem nos países e é onde as formas da fala, os dialetos, se transformam e agregam palavras e expressões à língua. Este processo acaba por redefinir o grupo naquele local ou região que caracteriza o grupo. Não seria estranho, à exemplo, que um determinado grupo de ciganos não reconheça outro por terem diferenças muito gritantes entre eles. Mesmo assim, isso não determina que um ou outro grupo não seria pertencente a etnia por estas diferenças adquiridas ao longo do tempo. Quanto maior a permanência no local, maior serão as transformações nos seus costumes.  Na verdade, aglutinam ao que já trazem de outras andanças... e ainda assim, são diferentes em cada grupo mesmo sendo ciganos.

E a forma de se expressarem muda em função disso, mas ainda assim a língua mantém traços daquela mais distante considerada matriz. Uma derivação do sânscrito antigo falado no noroeste da Índia antiga. É dizer que o tronco da etnia tem uma raiz, mas cheia de galhos que tem suas diferenças. Quanto mais antigo ou novo o galho, maior podem ser as diferenças...

Mas o foco é a adoração a esta santa não canonizada. Subentende-se, não aceita como santa católica até hoje. Não cabe aqui citar a veracidade de sua história, mas sim de como os admiradores e xenófilos da etnia, aqui no Brasil, não percebem ou não querem acreditar nos fatos reais ligados às crenças da etnia.

Se eles mesmos se adaptam aos costumes locais, não é difícil entender que tomarão para si a(s) religião(ões) do local... encontraremos católicos, evangélicos, espíritas, wiccas, umbandistas e todas as formas por ondem passam. Devemos sempre levar em consideração algumas observações que determinarão suas crenças: a origem familiar, país de onde vieram e o país onde se encontram. Estes 3 dados podem ser determinantes na crença deles. Portanto, se tenho origem indiana provavelmente estarei herdando crenças de alguma religião da família e ainda poderei adotar a crença da onde vivo.

Com isso não é feio, errado ou mesmo ofensivo dizer que Santa Sara só é adorada por grupos daquela região e proximidades e que tenham em sua origem religiosa o catolicismo e derivadas. E em nada se relaciona com grupos de outros países salvo por alguma experiência pessoal ou familiar que justifique essa adoração. 

Já escrevi neste blog sobre "Místicas na dança" onde revelo o auto grau de fanatismo por ditos professores, alunos e seguidores das danças ditas ciganas e ensinadas aqui no Brasil, como sendo uma das prioridades conhecer, adorar e seguir essa santa.  Nada mais a declarar quando me lembro que no Leste Europeu, Grécia, Rússia ou mesmo na Índia os ciganos destes locais sequer sabem da existência dela.

E lanço outra vez a reflexão sobre ditos espíritos que se dizem ciganos e "adoram" essa santa. Ao questionarmos sua última encarnação como sendo pertencentes desta etnia, tornam-se contraditórios na adoração por não haver nenhum laço, nem mesmo histórico em tempo encarnado, que justifique o conhecimento e devoção a Santa Sara.

É duro ver que, depois de mais de 30 anos estudando as matrizes da cultura, que em nada tem a ver com o culto a Santa Sara como única e real ícone de toda a etnia rhomá.

Respeito a quem ela segue, seja cigano ou não, mas em nada deveria se relacionar com ciganos de todas as matrizes. Apenas peço para pensarem por qual razão no norte da Europa, na Grécia ou mesmo com os ciganos mais antigos do Brasil, os calons,  não é comum ouvir nada sobre Santa Sara! Os calons estão no Brasil, deportados de Portugal, desde 1560/1570 aproximadamente e aqui, como católicos, costumam reconhecer os santos regionais como Santo Antônio, São Jorge e, principalmente, Nossa Senhora de Aparecida.

Cuidado para não serem iguais aos personagens de uma novela conhecida chamada Roque Santeiro!

Só pensar, respeitar a diversidade religiosa desta etnia e, principalmente não ser um contribuinte das distorções culturais  empregadas ao longo da diáspora deles e nem achar que todos os ciganos no mundo são, apenas e tão somente, nômades e dar a premissa de que todo tipo de misticismo ou tipos de magia vem deles.

ciganos semi-nômades

quinta-feira, 7 de maio de 2020

No retrovisor...

...o passado
Depois que comecei o projeto "Flamenco Carioca" para contar as nossas lembranças, passei a pesquisar com muita curiosidade na internet sobre todos os artigos e até mesmo alguns arquivos em  formato "pdf" onde o Flamenco fosse envolvido aqui no Rio de Janeiro.

E me chamou a atenção em que vi vários deles onde seus autores pesquisaram até de forma bonita e, principalmente, com seus professores em que um detalhe me chamou mais a atenção ainda: o fato dos entrevistados não reconhecerem outros de sua época como colegas profissionais; mesmo que "concorrente" comercialmente falando. E como sou um dos mais antigos atualmente, sei o quanto isso pode ser prejudicial nestes arquivos que ficam principalmente em TCCs de cursos universitários de forma incompleta deixando estas lacunas temporais.

Não gostar do outro, do seu estilo, do seu trabalho é um fato pessoal que não deveria passar camuflado a estes pesquisadores universitários. História é contada com fatos e marcas que estarão sempre como referências, mas que deve independer dos gostos pessoais.

Contar essa história é reagrupar tantas memórias totalmente relevantes e que realmente significam algo na construção deste arquivo. Fui citado em alguns, esquecido em outros assim como outros colegas também se passam na surdina destes arquivos.

Artista é sensível e muitas vezes emotivo demais com picos de insegurança ligados ao seu ego. Isso pra mim é até normal porque também já passei por isso. Mas a história não é só minha ou de qualquer outro, mas de todos nós que movimentamos e fazemos essa arte existir em nossa cidade, nosso estado e nosso país. 

Eu acredito que despir-se do gosto pessoal aos colegas profissionais deveria ser um ponto onde a união da classe se faz em prol da história de todos, pois a sua já é escrita por cada um nos atos de sua carreira e, aí sim, suas segregações atuam como expressão de seus gostos pessoais. Não cabe julgar quem é melhor ou pior, mais ou menos culto com sua arte, mas sim o valor que o trabalho destes artistas agregou, ou agrega, nessa história.

Me perguntei muitas vezes: como encontrar quais artistas fizeram ou fazem estes marcos para entrar nessa história? E eu mesmo respondi... Pensei em cada um como movimento em seus respectivos espaço-tempo e procurei enxergar o quão importante seu movimento interfere(iu) neste processo. E precisei despir-me dos tais gostos pessoais pelo apreço ou não dos trabalhos destes artistas. Mas repito, levei, e ainda levo, em consideração seus feitos que ajudam a traçar essa história. Então será óbvio que alguns poucos não aparecerão por não terem esse movimento que interfere, de modo expressivo ou minimamente significativo, nesse projeto.

Outros até são mencionados, mas por óbito ou por falta de descendentes artísticos ou familiar não encontrados, ficam sem melhores registros. A não ser pelas lembranças que cada depoimento artístico traz. Pode ser que mais adiante eu consiga com a ajuda de outras pessoas, direta ou indiretamente, fazer o merecido registro mais detalhado destes artistas em questão...

Como toda história sem fim, terei que deixar o tempo me responder enquanto ajudo a escrevê-la.

A história de qualquer fato só tem um fim quando deixa de existir fisicamente ou perdido nas lembranças de quem não as deixou; neste caso nunca saberemos se realmente houve um fim conclusivo. Esse tipo de história é que tem as 3 fases concluídas: início, meio e fim, supostamente.

Esse não é o caso da Arte Flamenca...
tentando imaginar o futuro


segunda-feira, 4 de maio de 2020

FLAMENCO CARIOCA - Histórias em memórias vivas

foto de Sonia Castrioto e grupo Alumbre Flamenco, anos 80
Pandemia... isolamento social... solidão ou solitude?

Tanto tempo dentro de casa que pareceu sobrar tempo pra tudo. Depois pareceu que falta o tempo... A internet virou o foco das atenções para todos os tipos de contato social. Mídias sociais, vídeo-chamadas, reuniões, blogs dos mais diversos assuntos, shows, cursos" on line" ou em lives onde as aulas são gratuitas e lives com diversos temas; aqui e no mundo todo!

Uma me chamou a atenção. A bailarina paulista Deborah Nefussi, que também dirige o grupo Raies Flamenco, começou a entrevistar artistas paulistas sobre a História do Flamenco no Brasil. E eu fiquei extasiado com o projeto! Aqui no RJ já foram várias tentativas de armazenar estas memórias da arte. Infelizmente nenhum órgão público ligado à cultura se interessou. Projetos como o da bailarina Thereza Canário e seu projeto Arte Espanha Rio, o Calle Rio-Espanha do qual participei e por questões particulares me negaram o acesso a todo o material ao qual ajudei a construir e agora somente os recortes de jornais da época, e outros que tentei junto à Funarte e ao Museu da Imagem e do Som que foram rejeitados por razões sem consistência como justificativa.

Com as lives de Deborah Nefussi (4as às 21 horas pelo Instagram @raiesflamenco) fiquei fascinado com a história de lá e me lembrei das nossas tentativas aqui no Rio de Janeiro. E em conversas com ela fizemos uma parceria. Agora estou desenvolvendo este projeto aqui no nosso estado com vários artistas de ontem e de hoje que nos deixarão suas memórias e vivências. Bailarinos, músicos e cantores de diversas épocas que realmente fizeram ou são marcas fundamentais nessa história que está sendo contada.

Atualmente as lives cariocas acontecem todas as quintas às 19 horas e domingos às 18 horas, principalmente pelo aplicativo Instagram. E qualquer um que me segue lá (@ricardosamel) ou que segue o convidado do dia pode assistir. Além disso, estou deixando as entrevistas no canal do You Tube Flamenco Carioca com o link https://www.youtube.com/channel/UCM_ewWgHp-7wKDpd7IR6koQ de forma aberta onde todos poderão assistir cada entrevista no mais puro e desenvolto clima de "Flamenco em casa". Os artistas estão super naturais e falam com muita generosidade das suas experiências.

Esse projeto me faz viajar nas emoções de cada artista e vivenciar aquilo que eu não pude experimentar ou não tive. Alguns destes depoimentos serão transformados em um documento através de São Paulo e da artista Deborah Nefussi que conta com um historiador e um arquivista nesse processo. Muitas recordações, histórias e materiais gráficos, fotos, vídeos em formato VHS e até mesmo LPs e K7 poderão ser doados para a montagem do acervo. O contato poderá ser feito pelo perfil dela no Instagram @deborahnefussi para os arquivos de São Paulo e os do Rio de Janeiro comigo pelo meu email ricksamel@gmail.com

Com certeza, e aos poucos, esse projeto alcançará os demais estados e terá seus devidos representantes. Vamos aguardar porque só o tempo mostrará. Deve-se procurar a Deborah e conversar com ela. 

É o que mais tem me animado em tempos de reclusão por conta da pandemia além do trabalho de estimular meus alunos a praticarem os exercícios em casa por conta do isolamento social.

Convido a todos a assistirem... seja ao vivo ou no canal deixado acima.


quinta-feira, 30 de abril de 2020

Ego e Respeito - diálogos de relações profissionais

Momentos duros de se viver nesse confinamento por conta da pandemia. Isolamento por muito tempo pode trazer uma série de estados psicológicos e literalmente conversar e extravasar é um dos caminhos. Há quem desenvolva vários quadros psicológicos como as diversas síndromes, em mais comum a do pânico e a do TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) por limpeza. Isso sem contar com a depressão que poderia estar em estado latente em muitos e, por conta deste isolamento social, surge com uma força algoz.

Onde entro nisso tudo? Toc não tenho e depressão ainda não sei se tenho. Mas com certeza está cada dia mais difícil conversar com as pessoas.Umas muito carentes (até entendo isso), outras infladas e muito seguras de si porque acham que não sofrerão com o Covid-19 porque ninguém querido ou ela mesma não pegou (ainda) e outras tão absortas à realidade que acham tudo isso um grande exagero.  Nestes grupos eu não estou.  Se tem outros além desse que eu possa estar eu não sei...

Estes anos todos sempre me queixei de não ser reconhecido profissionalmente e sempre abri o verbo por conta disso. Talvez seja um erro essa minha queixa...será? E por longos anos essa situação se repetiu e eu vejo isso como uma falha que estou proporcionando a se repetir por ainda agir e pensar do mesmo jeito. Esse jargão eu falo em vários posts aqui no meu blog. Então chegou a minha vez de rever o quê estou repetindo no pensar e no agir.

Alguns colegas me disseram que estou querendo alimentar meu ego e nem discordarei porque alimentá-lo fazemos em várias fazes da vida. É só não passar do limite para não inflar e nem ser um egoísta. Outros dizem que busco reconhecimento pelo que fiz e faço até hoje me prol da arte que exerço. Nem está tão errado assim. Realmente a minha profissão é de relações estreitas e de parceria e não de dominante e passivo. Uso "dominante" para o chefe que te seduz e diz que dará certo e depois que se mostra a competência, sai tudo de outra forma totalmente diferente do acordado. E chamo de "passivo" aquele que se anula, aceita, entra em depressão e se submete às variações do dominante para simplesmente trabalhar. E centena de vezes vi colegas com depressão e cheio de ressentimentos por isso...para sobreviverem na profissão que escolheram se anulando totalmente e cedendo, muitas vezes, por um valor bem abaixo daquilo que merece pela competência profissional que tem e, sem perceber, alimenta o ego de seu dominante.

Me resta refletir e ver se estou em destes lados... será que estou?

Respeito é facilmente praticado nos dias de hoje. Mas ser respeitado profissionalmente é outra coisa... e é isso que sempre busquei. Respeito...

Pra mim, qualquer relação será prazerosa e com poucos conflitos quando se chega um acordo comum e ambos saem ganhando. Mas quando uma das parte se sobrepõe a outra, aí tudo desmorona pra mim e é onde reajo e me sinto literalmente incomodado.

Como trabalhar isso? Se estou revivendo este ciclo é porque o acordo fraquejou e eu, num impulso totalmente emocional, sempre tento equilibra isso tentando mostrar-me o quão valoroso sou sou e acabo me decepcionando. Aí até o respeito fica subjugado. Nestes casos, o meio termo, ou o respeito ao acordo feito, é onde mora o equilíbrio... e eu deixei desequilibrar.

Como fazer? Agir diferente. Como? Afinando no início as condições e sanções em caso de algum acordo não acontecer por qualquer uma das partes. E aí funciona o Contrato, seja ele qual for, com todas estas questões muito bem discriminadas e. consequentemente, acordadas por ambos. Aí é um contrato profissional e não verbal. Cabe aí deixar claro que não se pode deixar vacilar e nem se iludir com as propostas superficiais. esse contrato é literalmente "preto no branco".

Talvez por estas razões eu tenha descoberto meu maior arrependimento nessa vida: o de não fazer eu mesmo meu próprio negócio em quesito de dar aulas e abrir meu próprio negócio, minha própria academia de dança.

Meu erro foi persistir e acreditar que algum estabelecimento saberia respeitar a arte flamenca como ela é e tem que ser. E entendi que é o artista por traz dela quem sofre os danos... aí o psicológico se afeta. Ou se desvanece ou se fortalece.

Me sugeriram um processo que fui estudar mas infelizmente desacreditei. Não vi consistência nele. A Constelação Familiar. Que fique claro que para mim não acreditei na possibilidade de encontrar um caminho com o que oferecem porque não ajo igual a eles. Com isso quero dizer que existem pessoas que conseguem e se encontram neste processo. (In)felizmente não eu.

Enfim, há que se encontrar um equilíbrio racional na relação entre os estabelecimentos contratantes e os artistas que trabalharão ali. Artista precisa de aplauso, de louvação e seu trabalho reconhecido sim. Mas acima de tudo ser respeitado com sua vivência e conhecimento para haver uma relação saudosa e produtiva para ambas as partes. Ego que se alimenta...artista é, em qualquer um de seus ramos, exibicionista e precisa de se alimentar psicologicamente daquilo que faz.

Então o Ego e o Respeito podem andar de mãos juntas sim! Contratantes respeitando o artista, honrando com o acordo ou contrato e o artista cedendo seus conhecimentos profissionais em prol da arte e sendo reconhecido pelo seu esforço e mérito ao se empreender para e com o local aonde está. se isso é pedir demais, sou eu o errado e todos os meus colegas que se submetem a isso.

Que eu saiba, ninguém até hoje teve alguma relação estável trabalhista (não falo em termos de formalização) sem ter aquelas conversas sobre suas divergências e afiná-las para ambos saírem em parceria. Até casamento é assim...quando se cede algo, ambos cedem. Relação direta, mas de mão duple e que realmente BENEFICIE as duas partes. Se tem outro jeito, não descobri, não me ensinaram e nem me mostraram...

Me disponho sempre a aprender... me mostre que dá certo com atributos da honestidade e transparência que vou.




segunda-feira, 27 de abril de 2020

Dois lados de um disco...

"Sou do tempo do disco de vinil, por isso aprendi que só ouvindo os dois lados é que se escuta o disco inteiro". Encontrei no Google...

Passei, e ainda passo, a vida toda escutando que eu "tenho que escutar o que o outro diz e refletir". Quem disse que não faço isso? O negócio é que quase nunca eu tenho meus pensamentos ouvidos e, talvez pela forma como os exponho, muitos entendam que estou "impondo" o que penso. Nem é isso. Aprendi de forma atrasada que "nem tudo deve ser dito a todos e nem todos devem saber de tudo"; o que não significar mentir na informação, mas sim o estritamente necessário de forma transparente. E é aí que parecem confundir tudo...

Em casos de trabalho ainda pergunto aos contratantes de outrém e de agora por qual razão não deixam tudo claro com todos os "pingos nos i" logo no início de tudo? Neste caso tenho que ter minha vivência ambientada no espaço, "vestir a camisa do time deles" para provar minha competência antes mesmo de ter minha vida profissional avaliada, respeitada e valorizada. Quase sempre sou eu que tenho que mudar até métodos de aula ou mesmo o conteúdo do que darei e, ainda por cima, mudar quase radicalmente a participação nos espetáculos porque literalmente não há espaço para o flamenco, mas para meras estilizações. Porém, mostrando-me apto a tais necessidades, acabo fazendo-as e quando peço "vestirem a camisa do flamenco" é como se eu contrariasse tudo o que se faz nestes ambientes.

Na verdade eu deveria parar de bater na mesma tecla ou de dar murro em ponta de facas e aceitar que nestes mais de 30 anos em nada modificou estes locais; a não ser a evolução tecnológica. Hoje reconheço o desbravamento, a coragem e a perseverança de meus colegas que saíram em busca de um local em que nossa arte fosse respeitada e criaram seus espaços. Eles sempre estiveram certos...e eu persisti no erro. Mas isso vai mudar... encontrei minha falha...

Em casos amistosos não é diferente, mas o envolvimento emocional pesa demais quando nos expomos. É como achar que o outro falha e eu sei como fazê-lo sofrer menos ou mesmo de consertar seu aparente erro. E muitas das vezes acabei falando o que pensava sem escutar o outro. Aconteceu o revés também. Isso é amor quando entendemos o tamanho do carinho que este ato representa, mas pode ser doloroso se a persistência no pensamento não é acompanhada por ambos.  Meu artigo anterior a esse fala disso também.

Então pra onde ir? Em direção diferente das tomadas nos mesmos erros repetentes na vida. Essa é a lição: se encontrar e se melhorar, mesmo que o outro não aceite, não perceba ou se afaste. Eu penso que quando se melhora a si mesmo, conseguimos ajudar o outro, mas na medida correta e do jeito que o outro pode e não como queremos. E ajudar a quem realmente precisa e merece. Há quem diga que este "merece" é um ato de julgamento. Eu encaro como um ato onde não se desperdiça tempo e energia já que respeito a capacidade do outro de se transformar para melhor quando quer.

Em 2019 escutei várias vezes que sou "inflexível". E óbvio que discordei porque não aceito nenhuma imposição onde sou anulado. Confundiram minha "resistência" com "inflexibilidade". E olhem que sou flexível até demais! Como eu não sou flexível se, mesmo erroneamente acreditando que me entenderiam no futuro, anulei o que penso e vesti suas camisas? Provei sempre que sou capaz, mas quando pedi o oposto acabei virando a cobra venenosa. Sempre tentaram me colocar nesta posição como se eu errasse frequentemente. Basta! No fundo isso é apenas uma inflexibilidade do outro que não soube ser parceiro. E é aí que digo que sou até mais flexível do que pareço quando ambas as partes saem ganhando.

O Covid-19 apareceu e somos obrigados a um isolamento social e quase sempre um isolamento maior porque fomos educados ao contato físico direto. Isso dá a sensação de esquecimento, de solidão e de total inexistência. Mas preferi usar isso a meu favor como um momento de total reflexão sobre meu ser. 

No fundo quero ser respeitado por ser quem sou e não pelo que os outros acham quem sou sem nunca terem, sequer, convivido comigo. E sim, sei respeitar o outro. Eu literalmente cobro o respeito do outro para comigo. É nas pequenas coisas que estão os maiores problemas. Ser educado é uma parte do ser, mas isso não significa que esta pessoa não seja o inverso disso. Pode ser o mecanismo perfeito de se camuflar aquilo que é de verdade. Na visão do outro, é a "verdade" deles e isso não questiono, apenas respeito. Mas não quero que me imponham as suas verdades quais sejam elas.

Respeitar é confundido com aceitar... mas é na prática que vemos a realidade disso. 

Eu apenas gostaria que os outros parassem e pensassem que aceitar ou não é uma das partes do respeito e que suas idéias não devem se prevalecer as dos outros se não forem afins. Isso é difícil? Precisa de ter tanto estresse antes pra entender isso? Ou seria eu estritamente tão flexível e tolerante que deixei chegar a esse ponto várias vezes?

A bem da verdade digo que tenho amigos que entendem nossas diferenças e divergências e que não passamos uns sobre os outros por causa disso. Respeitamos essas qualidades, aqui não as julgo, e seguimos verdadeiros amigos até hoje.

Seria diferente em família? Acho que não...mas ao menos ouçam os dois lados do disco e pensem!

Nesse momento tão aflitivo que passamos no mundo todo a prática da Tolerância e Paciência testa as nossas capacidades e fica difícil saber se um copo com água pela metade está meio vazio ou meio cheio...


sexta-feira, 24 de abril de 2020

Vaidade, humildade, generosidade... em tempos de Covid 19

Essas são três palavras que se manifestam atualmente nas redes sociais. E fica difícil ver aonde elas se manifestam e com qual intenção. Alguns conseguem se despir destes sentimentos egoístas e abrem mais seu coração e se doam. Outros se aproveitam e alimentam seus egos. Isso é mais do que natural no ser humano.

Ao ver uns que se unem pelo coletivo, se doam e até cedem um pouco mais de seu tempo para ajudar a amenizar a si e aos outros esse sofrimento atual, outros se prevalecem de seus mais sórdidos, porém também naturais, sentimentos de egolatria e vaidade. E vive um grande momento de dúvida sobre seu incerto futuro profissional após a pandemia que parece não acabar tão cedo quanto se deseja.

Aqui não cabe culpar quem ou qual país é responsável porque não há espaço para  isso quando o assunto é sobreviver. E é no mundo todo! Isso é um novo momento histórico que nós estamos vivendo e contando e virando registro histórico para gerações futuras.

Enquanto nenhum de nós tem algum querido acometido ou mesmo uma perda inevitável em seu círculo de convivência, traz-se um instante de blindagem ou de uma falsa segurança ou sorte do destino por achar-se imune ou protegido; mesmo com todos os cuidados que se tome...

Nesse momento muitos lutam e concorrem pela sua sobrevivência; o que não é nem ruim. Mas muitas vezes se sobrepondo como únicos ou detentores de formas ou fórmulas absolutas de resistência e sobrevida a este momento. Como ter esta "certeza" e vender isso, como muitos estão fazendo, se nem passou a pandemia e provou que aquilo que vende é real e dá certo? Em vários segmentos, principalmente nas mídias digitais, é fácil ver como estas pessoas se sobressaem diante das outras. Oferecem certeza da vitória absoluta. Em um momento onde a união e valores como a humildade e generosidade deveriam ser mais valorizadas acontece para estas pessoas o ditado "meu pirão primeiro e ninguém pega". Digo que não é "o quê" se faz, mas "como" se faz. Os valores ficam ligados diretamente à estas duas formas: "o quê faço" e "como faço".

Em função deste momento também vários outros valores intrínsecos de diversas filosofias são aplicadas até de forma descomedida como forma de aliviar e, supostamente, se dar um "alívio" na consciência do seu bem fazer sem olhar a quem. Parece que o mais importante é fazer o bem...de qualquer jeito e em qualquer direção. A impressão que dá é que se tira algum peso da consciência e alivia alguma cobrança futura. Pra mim parece uma redenção ao medo de "ir embora antes" e a cobrança pelos erros cometidos aparecer nesse processo de consciência imediata daquilo de bom e ruim que fez ou deixou de fazer.

O autoconhecimento é gradativo e pode demorar muitas vidas para uns e despertar mais rapidamente para outros. Essa pandemia tem feito esse tipo de reflexão em muitos e aumentado o desleixo em outros.

Isolamento social é duro psicologicamente falando para quem tem em sua essência a necessidade vital das trocas sociais sejam elas quais forem. Privado disso, a humanidade entra em choque com seus valores mais profundos e é aí onde as duas facetas aparecem como prova de que toda história tem dois lados. E digo que não há meio termo ou como ficar "encima do muro" para escolher o lado conforme o peso lhe aparece numa tentativa esperta de "não errar". Então o que mais se vê são estas duas faces da Vaidade, da Humildade e da Generosidade.

Quer queira ou não, as leis naturais não mudaram e sequer se adaptaram, como tudo hoje, ao Covid 19. A Lei do Livre Arbítrio e sua consequente Lei do Retorno estão intocáveis, imutáveis e agora parecem ser mais implacáveis do que nunca. Eu digo que é o reconhecimento, ou não, do peso que estas leis tem (sempre tiveram) sobre nós.  E continuo afirmando que elas, por serem onipresentes e onipotentes, independem da filosofia que se acredita. Elas sempre estiveram óbvias para quem as entende profundamente e este peso não dói.

Com isso gostaria de dizer que nunca é tarde para criar uma versão melhor de si mesmo. Mas uma versão BOA. Todos podem ser bons! Todos podem ter as versões positivas de suas personalidades ativadas! Se conseguissem perceber o quão poderoso é esta versão de si e quão grandioso é para a humanidade, talvez fosse mais rápido nosso natural processo evolutivo.

Mas não precisa de um momento Covid para isso porque é uma prática natural ao longo das vidas, sim, no plural, para seu autoconhecimento e sua lapidação. Faz tempo que escrevi um artigo fazendo essa mesma observação sobre nossa composição astral e física. Nascemos Carvão e com a pressão da vida tendemos, a mais ou menos tempo, a virar preciosos Diamantes com um brilho tão intenso que nossa visão materialista não é sensível para perceber. Basta que a consciência desperte para isso. Uma ajudinha sempre é bem vinda, mas quando não há esse despertar devemos respeitar que ainda não chegou a hora dessa pessoa e deixá-la ir do seu jeito e no seu tempo. É nessa hora que conseguimos entender, por conta desta consciência universal, que já fomos um dia como estas pessoas e que subimos um degrau por vez exatamente porque despertamos no momento que estivemos apto a isso.

A evolução é uma dádiva única, um presente do universo no seu mais profundo significado que se manifesta em doses homeopáticas que reconhecemos como vida limitada ao tempo material e seguida em inúmeras encarnações na mais pura premiação de continuar a mutação para uma melhor versão de si mesmo.

E é dessa forma que "ficar em casa" tem sido meu momento de me entender mais e de ver até onde posso ou consigo ser essa versão atual melhor de mim mesmo e espargir em outras direções. E com toda a certeza que tenho carregado com minhas naturais imperfeições digo em maiúsculo que AMO MUITO MINHA VIDA e sou grato por entender e poder espalhar essa experiência em diversas direções.  Aos que a recebem, se acordarem, irão na mesma direção que estou indo. Aos outros, tenho certeza absoluta que irão também, mas em um momento mais adiante.

Resumindo do meu jeito, "bóra" ser feliz!