quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Profissionais da Mentira


Em vários artigos que aqui escrevi deixei críticas e alertas sobre o que ocorre no segmento do ensino da dança. Mas desta vez optei por abordar algo mais específico: os profissionais de mentira que possuem DRT e até outros documentos estrangeiros e atuam no mercado de dança.

É fato de que em todo estilo de dança lidamos com exímios bailarinos e dançarinos os quais nos envolve e seduz com sua arte. O problema está na conscientização de quem aprende dança de que este não é o único referencial para correr atrás desta gente e com eles fazer aulas. Isso não quer dizer que muitos destes excepcionais artistas não sejam ótimos professores.

Existe uma grande parcela de ditos "professores" de dança que são uma verdadeira máquina de caçar dinheiro para sustentar seu vício na egolatria. Não discutirei mais que estes dois atributos, o do ego e o da vaidade, que são natos nos artistas. O profissional que quer almejar algo como títulos aparentemente nobres ou mesmo ser reconhecido como o "maior e melhor" do mercado pode passar por cima de muita gente inocente que não enxerga isso sendo usada como catapulta para este topo simplesmente para alimentar a egolatria. De fato e infelizmente, o mercado conta com a popularidade para dar credibilidade ao artista e este acaba sendo um dos referenciais de "profissional reconhecido". Será?

Estes profissionais se aproveitam das mais diversas opções de brechas e caprichos do mundo para se catapultar ao topo. Infelizmente não para louvar a arte, mas alimentar seu ego. A arte é seu instrumento.

Quando aceitei ser professor de dança, também aceitei ser eternamente aprendiz e aluno daquilo que ensino, aceitei a receber críticas mais profundas, questionamentos sobre meu conhecimento e avaliação do erros a serem consertados e, acima de tudo, ser honesto com os aprendizes. Um personagem de um programa de humor da tv aberta fecha sua participação no programa com "se sei digo que sei, se não sei digo que não sei". Pura honestidade. O profissional da mentira nunca terá isso: honestidade.

Os profissionais da mentira são extremamente criativos. Usam deste dom para inventarem suas fontes ou encontrarem as que convém para afirmarem seus erros e até criam novos temas dentro de seu estilo categoricamente afirmando para os outros profissionais honestos de que realmente não tem nenhum domínio daquilo que professa... a não ser a própria mentira. A coleção de certificados de workshops nunca transformará nenhum deles em "apto a" ensinar aquilo que cursou. Certificados e diplomas de pessoas sem reconhecimento do setor e de gente desacreditada pelos idôneos  semelhantes também não compõe a credibilidade de seu profissionalismo.

Estes profissionais normalmente são revestidos de plásticas roupas visualmente bonitas e muitas vezes dentro do perfil. Falamos de dança, movimento casado com música, técnicas apuradas e aperfeiçoadas, consciência e respeito daquilo que executa e não de "modelos" da dança.


Isso fica mais fácil reconhecer nas danças sem escola acadêmica embora nelas também se encontre picaretas de mesmo nível e teor.

Cabe ao contratante se interessar não somente naquele currículo apresentado e as viagens do mundo que fez, mas se dispor o mínimo possível em averiguar suas fontes profissionais e se estas fontes são idôneas. Senão o próprio contratante afirmará que tem o mesmo nível e caráter daquilo que contrata.

É uma luta constante em prol dos verdadeiros artistas da dança que dedicam horas e muito dinheiro em estudos contínuos e o mais regulares possíveis no intuito da consciência, do respeito e do prazer em ser honesto e prosperar a arte de forma salutar.

Nestas horas se coloca em cheque a idoneidade também dos diversos órgãos que deveriam defender a categoria. Não pelo seu tempo de existência e sua função, mas na competência real daquele que aceita e lhe confere o título a esta gente perpetuando a qualidade duvidosa dos profissionais e obviamente daquilo que ensina.

Os profissionais da mentira se valem do mínimo possível para apenas alimentar sua egolatria típica de artistas totalmente desequilibrados moralmente em que, além deste alimento ególatra, destroem a cultura da dança que professam. Piora quando gente de renome os apoiam...

O hábito faz o monge.



2 comentários:

  1. Concordo com vc em número, gênero e grau.... Por isso saio pra aprender sempre... Com 10 anos de dança Flamenca ainda sou insegura pra ensinar. Gratidão.

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  2. Excelente texto! Tem muito a ver com o que você penso.

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