sábado, 10 de novembro de 2018

Cor na composição de figurinos pra dança


É muito comum nos dias de hoje que muitos coreógrafos em seus delírios acabem imprimindo, também, suas idéias sobre o que imagina como figurino para seu trabalho. Nós do ramo das roupas, quero dizer, nós os Figurinistas, realmente levamos muito em consideração estas inspirações e as adaptamos à dança quando viáveis.

A maioria cabe sim. Mas o erro recorrente é escolher cores sem conhecer o que dita o mercado têxtil nacional. Tentamos avisar e pedir para trocar a cor (ou cores) por conta disso. Porém,  muitos coreógrafos são irredutíveis achando que confecções e o próprio mercado têxtil tem que atendê-los.

Com isso, não é difícil que muitos colegas de confecção de figurinos percam horas e dias atrás de algo que possa favorecer a idéia do contratante e, na maioria das vezes, nós somos colocados como profissionais desqualificados por este detalhe. Detalhe que o contratante não remunera pelas horas, às  vezes dias, que perdemos para isso. É um total desrespeito ao profissional que trabalha para satisfazer seu cliente. Fora o fato da tão famosa "pechincha" porque o cliente quer luxo a preço de lixo.

Um figurino não se produz em 45 dias sem conhecer as propostas do mercado têxtil nacional.

Sugiro que acompanhem as tendências de cores para cada estação aqui, e não no exterior onde buscam suas inspirações.  No exterior (no caso a Espanha em se tratando de Flamenco) existe e se alimenta de um mercado têxtil voltado para seu folclore durante todo o ano letivo. Nosso MT (mercado têxtil) mantém nas prateleiras a convenção do ano e substitui as de fora da estação pelas novidades. Em se tratando de moda aqui, isso ocorre com frequência durante o ano todo! No máximo manterá durante o ano aqueles tecidos de uso cotidiano para que seu comércio não fique estagnado. São tecidos comuns como sarja, tricoline, viscose, oxford, cetins variados e tantos outros comumente usados. Nas malhas, somente os de moda...

Muita coisa mudou para pior na qualidade de algumas malhas porque aqui elas não são voltadas para a dança.  São para o uso cotidiano,  para vitrine e esportes. Malhas essas que são muito pesadas, às vezes com muito elastano ou muito finas. O preço normalmente é cobrado por quilo e o rendimento varia em função do tipo de malha e pode sofrer variação até por causa da pigmentação. Algumas roupas saem caras por conta disso. No caso das rendas, muitas até melhoraram. Porém,  sem muita variedade de desenhos ou cores. Sobre elas, está  quase extinta aquelas mais encorpada...

"Ah, é só comprar na fábrica de malhas!" Já ouvi isso de muitos clientes ignorantes. Uma produção pequena não comportaria um pedido EXCLUSIVO numa fábrica.  O preço quase triplica e duvido que a produção queira sair de seu orçamento para apenas satisfazer sua idéia de cor em sua composição. O que dirá isso em academias onde os alunos custeiam a produção.

Componha sua idéia antes sim, mas consulte o MT ou peça uma "consultoria" com figurinistas para ver o quê vem pela frente em termos de MT para encontrar algo que lhe ajude nas suas idéias. Não precisa saber costurar, ser estilista ou o que o valha para entender do mercado têxtil.

Fica o conselho... na dúvida, caia nas cores padrões que sempre existirão no mercado. Cores secundárias variam, mas se encontra. Já as de "tom sobre tom" será de acordo com a estação e ditadas pela moda passageira da estação seguinte.

Sobre estampas, vivemos em país tropical. Siga estas tendências! Não busque aqui o que não entra no comércio varejista ou que está fora de qualquer tendência nacional.

E por favor,  NÃO CULPE A CONFECÇÃO por não encontrar a sua cor ou sua estampa predileta. Nós não somos fabricantes de tecidos!

Como se já não bastasse este problema, existe ainda o fator dos aviamentos que são muito limitados quando o assunto na composição é a cor.

#cornamoda
#cornofigurino
#estampariaparadanca
#tendenciadamoda

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